Uma história dos eclipses em 10 palavras (e 15 imagens)
A história dos eclipses leva-nos da Babilónia a Bragança, passando por inscrições pré-históricas, reis substitutos, uma máquina de bronze encontrada num naufrágio antigo, um soneto de Camões...
1. SUSTO (ou o Sol tapado sem aviso)
Ali, a ver a Lua a sobrepor-se devagar ao Sol, bem perto de Bragança, com os meus filhos a ficar maravilhados (e nós também), pus-me a imaginar como seria assistir a um eclipse do Sol por acaso e sem saber que iria acontecer.
Imaginei a surpresa de um adolescente pré-histórico que, de repente, numa clareira na floresta, sente o Sol a escurecer e olha para cima, para encontrar, pela primeira vez na vida, a coroa solar a emanar, como vapor, de um círculo escuro onde antes estava a estrela.
Quando algum grupo perdido pelos longos caminhos do planeta, sem mapas nem ideia do tamanho ou da forma da Terra, assistia, por mero acaso, a um eclipse total, era coisa para se manter na memória dos felizardos durante uma vida inteira e nas histórias da tribo durante gerações.
Talvez alguns tenham tentado pintar o eclipse ou inscrevê-lo numa rocha. Não há registos inequívocos desses eclipses pré-históricos, mas temos estes círculos encontrados na Irlanda…

A gravura tem aproximadamente 5000 anos e foi feita por agricultores neolíticos que ainda não conheciam a escrita. Se olharmos com atenção, podemos perceber um círculo a entrar noutro. Talvez seja a representação de um eclipse. Se for, é a mais antiga que conhecemos.
2. ANTALLÛM (e os ciclos de Saros)
Depois de centenas de milhares de anos com uma memória feita de histórias passadas de geração em geração, a humanidade começou a escrever há aproximadamente 5000 anos. A invenção da escrita na Mesopotâmia (e nos outros lugares onde surgiu de forma independente) permitiu registar os eclipses e, assim, comunicar entre diferentes épocas e gerações. Os humanos e os eclipses entraram na história.
Um eclipse era «antallûm» em acádio, uma das duas línguas clássicas da Mesopotâmia (a outra era o sumério, a primeira língua de que há registos escritos). A palavra, escrita em cuneiforme, era 𒀭 𒋫 𒈖, que talvez seja a mais antiga palavra que alguém escreveu com o significado de «eclipse».
Encontramo-la no texto registado nesta tábua de argila, que começa: «Um eclipse durante a vigília da noite: pestilência.» Os eclipses (neste caso, um eclipse da Lua) eram sinais de desgraça.

Os eclipses, antes e depois da invenção da escrita, eram fenómenos que intrigavam: ao contrário do Sol e da Lua em separado, que aparecem com regularidade diária; ao contrário das estações, com a sua previsibilidade anual; ao contrário das estrelas, a percorrer o céu também de forma fácil de compreender, os eclipses escapavam aos calendários. Só o registo escrito a longo prazo permitiu descobrir a complexa regularidade por trás destes acontecimentos celestes. Os babilónios descobriram um ciclo que, muito depois, viria a ser chamado «ciclo de Saros».
Um Saros corresponde a 223 meses sinódicos, cerca de 18 anos, 11 dias e 8 horas. Ao fim desse intervalo, Sol, Terra e Lua regressam a uma geometria semelhante e ocorre outro eclipse da mesma família, mas não no mesmo local. Ou seja, na altura em que foram descobertos, os ciclos de Saros permitiam reconhecer períodos em que um eclipse era possível, mas não o lugar exacto em que ocorreriam. Esta imprecisão era a receita para que continuassem a ser vistos como presságios.
Se os babilónios (e também chineses, maias e muitas outras civilizações da Terra) registaram os eclipses, há uma ausência de peso: os egípcios. Não há registos inequívocos de eclipses nos textos do Egipto dos faraós. Como é que uma civilização que dava tanta importância ao Sol quase ignorou os eclipses nos registos que chegaram até nós? Talvez tenham desaparecido os registos; talvez não saibamos interpretar os textos; talvez (e esta é uma especulação minha) o desaparecimento do Sol fosse visto como tão perigoso que haveria um tabu relacionado com o registo de tais enormidades.
3. ŠAR PŪHI (o ritual do Rei Substituto)
Como os eclipses eram presságios de má fortuna para o rei e como começou a ser possível prever, de forma aproximada, quando ocorreriam, os babilónios (ou melhor, os astrólogos babilónios) pensaram numa estratégia para enganar os deuses: se os cálculos previssem um eclipse nos meses seguintes, substituía-se o rei verdadeiro por um homem normal, a quem eram dadas todas as honras; o rei verdadeiro seria tratado, durante esse tempo, como «o lavrador». O ritual do rei substituto tinha um nome: «šar pūḫi» (e era bastante variado).
Não se sabe se acontecia sempre, mas há relatos de que, passado o perigo cósmico, o rei substituto era morto e enterrado como um rei e o rei verdadeiro era devolvido ao trono.
Imaginemos a sensação do homem comum escolhido para substituir o monarca. Andava muito bem na sua vida e, de repente, alguém o puxava para o palácio, onde se tornava inesperadamente rei. Talvez soubesse que, no final, morreria; mas viveria os últimos meses como um verdadeiro monarca. Ficaria feliz?
Como perdemos, durante milénios, o conhecimento da escrita cuneiforme, este ritual só foi redescoberto no final do século XIX. Imagino as obras de arte, os poemas e os livros que teriam sido escritos se esse conhecimento tivesse permanecido. Há óperas que nunca foram escritas sobre o homem comum que se torna rei durante alguns meses e sabe que, no fim, morrerá.
4. PODER (eclipses gregos e romanos)
Os gregos afinaram a ciência de prever os eclipses. Heródoto atribui a Tales a previsão de um eclipse, tradicionalmente identificado com o de 585 a.C. — e também se conta que esse eclipse levou a que a batalha entre Lídios e Medos fosse interrompida quando os soldados viram o Sol a transformar-se num círculo negro rodeado de uma coroa.
Há um caso curioso, que encontrei há poucas semanas num dos melhores livros que li nos últimos anos: Alexander: God, King, Man, escrito por Edmund Richardson. As antigas biografias de Alexandre contam que o rei da Macedónia (e também faraó e rei da Pérsia) entrou na Babilónia, depois da extraordinária campanha militar, sob presságios negativos que preferiu ignorar.
Pouco antes da sua morte (os presságios, às vezes, concretizam-se) houve um momento em que entrou na sala do trono e viu lá sentado, como se fosse o rei, um simples prisioneiro. Hoje, alguns especialistas pensam que o episódio poderá reflectir uma sobrevivência do antigo ritual. Os astrólogos reais saberiam do šar pūḫi (ainda liam e escreviam, na época, em cuneiforme). Terão decidido, para tentar salvar Alexandre, executar uma versão reduzida do velho ritual, sem tornar Alexandre num lavrador, mas sentando um prisioneiro no trono, a ver se os deuses caíam no engodo. Baal não foi em cantigas. Alexandre morreu.
Séculos depois, o medo dos presságios — ou melhor, o medo do que as pessoas podem fazer quando acreditam em presságios — assustou um imperador romano. Estava previsto um eclipse para o aniversário de Cláudio em 45 d.C. O imperador já sabia como funciona o medo colectivo e, por isso, achou por bem mandar avisar toda a população de que vinha aí um eclipse; mandou também explicar o que era um eclipse; nada mais perigoso que uma multidão convencida de que o seu imperador está amaldiçoado. Ninguém tentou substituí-lo por um prisioneiro. Cláudio não morreu.
5. MÁQUINA (o mecanismo de Anticítera)
A cultura helenística que se espalhou pelo Mediterrâneo oriental, a partir das conquistas de Alexandre e com o centro cultural em Alexandria, com a dinastia ptolomaica, continuou a dar muita importância ao conhecimento dos astros e dos eclipses. Uma das provas mais interessantes é o mecanismo de Anticítera.
No início do século XX, mergulhadores encontraram, nos restos de um naufrágio antigo no Mediterrâneo, pedaços de bronze de um mecanismo muito corroído. Os arqueólogos perceberam depois que eram vestígios do mais antigo calculador mecânico.

Era uma extraordinária máquina que ligava os ciclos do cosmos à vida humana. Representava os ciclos do Sol e da Lua, as fases lunares, calendários e possibilidades de eclipses através do ciclo de Saros; provavelmente, representava também os movimentos dos planetas. Incluía ainda um mostrador para o ciclo de quatro anos dos grandes jogos pan-helénicos, entre eles os Jogos Olímpicos.
Foram propostas várias reconstruções. Uma delas tem este aspecto:

6. SANGUE (ou o eclipse impossível)
Na Idade Média, encontramos tanto o cuidado em explicar o mecanismo do fenómeno como a representação dos medos e presságios. Repare bem neste diagrama de um manuscrito inglês do século XIV…

O diagrama mostra, colorida e acertadamente, como funciona um eclipse: a Lua fica entre o Sol e o ponto da Terra onde estamos. Uma Terra redonda, diga-se. O terraplanismo medieval é mais uma invenção posterior que uma realidade.
Já o Livro dos Milagres de Augsburgo representa o eclipse como momento de terramotos, prodígios, fome e morte.

Em certas representações cristãs da Crucificação, o eclipse solar foi usado como metáfora. Astronomicamente, seria impossível, pois a Páscoa judaica ocorre em torno da lua cheia, enquanto os eclipses solares só ocorrem na lua nova. A arte, no entanto, criou esse eclipse impossível, que aparece em várias obras, como neste quadro de um anónimo valenciano do século XV.

7. CRIS (entre Quixote e Camões)
Há eclipses na pintura e há muitos eclipses na literatura. Lembrei-me de um deles, que nos ajuda a olhar para uma velha palavra portuguesa (apesar de a obra em questão ser bem castelhana).
Havia uma velha palavra ibérica, que no fundo é a palavra «eclipse» desfeita nas bocas dos falantes: «cris». Há outras parecidas e nenhuma se tornou a mais habitual. Eram, no fundo, alternativas populares ao helénico e erudito «eclipse». Ora, como pertence a um cavalheiro, há um passo em que D. Quixote corrige o cabreiro, que usou a velha palavra «cris» para se referir ao eclipse; D. Quixote diz-lhe que é «eclipse» que se diz.

Shakespeare, que viveu precisamente na mesma época de Cervantes, refere eclipses em várias das suas obras, como em Rei Lear: “These late Eclipses in the Sun and Moone portend no good to us…”. O bardo continua a tradição de olhar para os eclipses como sinal de presságio.
Camões (devo avisar que a atribuição do soneto não é consensual), algumas décadas antes, tinha já usado um eclipse para amaldiçoar o dia do seu nascimento:
O dia em que nasci morra e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar,
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.
8. TEORIA (de Halley a Einstein)
A investigação sobre os eclipses alimentou o conhecimento científico e foi, por sua vez, alimentada pelo conhecimento cada vez mais profundo do funcionamento dos astros.
Em 1715, Edmond Halley (um nome hoje associado a um famoso cometa) conseguiu prever de forma aproximada a faixa da totalidade de um eclipse que passou por Inglaterra.
Em 1824, o astrónomo alemão Friedrich Wilhelm Bessel desenvolveu uma forma de calcular geometricamente a sombra da Lua relativamente ao centro da Terra; o método permite calcular onde a umbra e a penumbra atravessam a superfície terrestre e, portanto, como o eclipse será observado num determinado lugar.
Com mais algumas afinações, chegámos ao ponto em que estamos: conseguimos determinar com grande precisão onde o eclipse será visível, que percentagem do disco solar ficará ocultada e em que segundo começará cada fase.

Em 1919, ocorreu um dos eclipses mais famosos da história da ciência. As observações do eclipse no Brasil e na Ilha do Príncipe permitiram observar a luz das estrelas a passar perto do Sol e a forma como a gravidade do Sol interferia na trajectória da luz. As observações revelaram-se compatíveis com o que estava previsto pela teoria geral da relatividade de Einstein e foram um passo importante para a aceitação da teoria pela comunidade científica.
Se antes os eclipses serviam para a previsão astrológica, hoje ajudam os astrónomos a aprofundar o conhecimento científico. Menos deuses babilónios, mais cálculos das estrelas.
9. SORTE (ou o próximo eclipse solar total em Lisboa)
Em Portugal, também demos atenção aos eclipses, claro está (não foi só Camões). Façamos uma curta viagem por alguns exemplos…
D. João de Castro, numa carta a D. João III escrita durante a viagem para a Índia, enumera as observações científicas que vinha realizando e afirma: «Hos yclyses da lua tenho muito a carrego» («Os eclipses da Lua tenho muito a cargo»).
Em 1560, um jesuíta alemão que estudava em Coimbra, conhecido em português como Cristóvão Clávio, assistiu a um eclipse total do Sol (um eclipse que foi visto em Coimbra, mas não em Lisboa). Anos depois, o jesuíta recordaria a escuridão, as estrelas visíveis em pleno dia e as aves aterrorizadas. Clávio veio a ser muito importante na história dos calendários: foi autor de obras de matemática e astronomia muito influentes e integrou a comissão que preparou a reforma do calendário do papa Gregório XIII; foi, aliás, um dos seus principais responsáveis científicos. O calendário gregoriano, introduzido em 1582, é o calendário que ainda hoje usamos.
Em 1900, houve um eclipse total que passou por Ovar e atraiu cientistas para o estudar.

Este eclipse tem uma relação directa com o eclipse que vimos em Agosto de 2026: pertence ao mesmo ciclo de Saros, a tal regularidade descoberta pelos babilónios.
Em 1912, houve outro eclipse total do Sol que passou por Portugal (pertencente a outro ciclo de Saros). Foi o último eclipse total observado em Portugal continental até 2026.
Podemos ver como a atenção da população e dos jornais ao fenómeno não é de agora: já na altura olhávamos para o céu ou para o reflexo do Sol na água. Eis uma página da Ilustração Portugueza dessa altura.

Os eclipses solares totais são muito raros e nada raros. Encontramos um deles, nalgum lugar da Terra, aproximadamente de 18 em 18 meses. No entanto, se considerarmos um ponto particular da Terra, a ocorrência de um eclipse solar total pode ser, de facto, muito rara.
Só como exemplo, o último eclipse total observado no exacto lugar onde vivo, em Lisboa, foi em 1415, dois meses antes da conquista de Ceuta. O próximo será em 2327 (talvez, podemos imaginar, meses antes de algum acontecimento histórico). Se olharmos para todo o território continental português, houve apenas um eclipse total nos últimos 100 anos: o de 12 de Agosto de 2026 e apenas na já famosa faixa perto de Bragança.
A actual concentração de eclipses na Península Ibérica não deixa de ser extraordinária. Em três anos, a Península Ibérica vai observar três eclipses: o eclipse total do Sol que vimos a 12 de Agosto; o eclipse total que vai passar pelo sul de Espanha no próximo ano (que em Portugal será apenas parcial); e, por fim, o eclipse anular de 2028. Mas, veja-se bem, todas as faixas centrais fogem de Lisboa. Os pobres habitantes da cidade lá terão de ficar à espera mais uns anos (a não ser que se atrevam a sair de casa).
Destes três eclipses, o mais impressionante será o de 2027; em certas áreas de Espanha, a totalidade chegará aos quatro minutos.

10. THAUMA (ou o espanto)
O eclipse total do Sol é, provavelmente, o fenómeno natural mais extraordinário que existe. A sobreposição da Lua ao Sol tapa a luz e deixa visível a coroa solar, que parece um etéreo vapor a emanar da nossa estrela, por momentos tapada por um perfeito círculo de um negro profundo. O dia faz-se uma noite inesquecível.
O espanto que sentimos ao olhar para o eclipse é aquele maravilhamento muito humano que os gregos chamavam thauma: o espanto, o maravilhamento, o estranhamento, a sensação que nos empurra para pensar e querer saber mais.
Quando os meus filhos olharam para o Sol naqueles segundos em redor do máximo de ocultação e ficaram de boca aberta, estavam a ter uma reacção não muito diferente de um adolescente na Irlanda, há milhares de anos, surpreendido, a meio do dia, por um eclipse (que depois contou aos filhos e estes aos seus filhos, num mito que durou gerações).
Há uma diferença entre nós e os antigos: nós sabemos prever os eclipses com exactidão e deslocamo-nos para os ver. Será que, por sabermos exactamente o que é um eclipse e como funciona, o thauma fica em risco, como se a ciência fosse o amigo desmancha-prazeres que nos conta o truque de magia a que assistimos? Não acredito nisso. Perceber o mecanismo, para mim, aumenta a sensação de maravilhamento.
Aliás, neste caso, o conhecimento científico só pode aumentar o espanto. Vermos a Lua e o Sol com praticamente o mesmo tamanho aparente no céu é fruto de uma coincidência estrondosa — e tudo menos inevitável. O diâmetro da Lua é aproximadamente 1/400 do diâmetro do Sol; por sua vez, a distância média do Sol à Terra é cerca de 400 vezes a distância média da Lua. Só por isso parecem ter o mesmo tamanho no céu.
Não tinha de ser assim. Os outros satélites do Sistema Solar têm dimensões muito diferentes. Só para dar um exemplo: em Marte, uma espécie de eclipse do Sol tem este aspecto…

Talvez assim, por comparação, possamos perceber como os eclipses na Terra são tão extraordinários. Ao reparar nisto, sentimos o tremor de um thauma ainda maior que o espanto de ver um eclipse solar em qualquer outra época.
Mais: os eclipses solares não durarão para sempre. Dentro de muitos milhões de anos, a Lua ter-se-á afastado tanto da Terra que já só teremos eclipses anelares, vagamente semelhantes (mas não tão feios) aos eclipses em Marte. Ou seja, vivemos num raríssimo planeta (só não digo único porque não conheço os outros sistemas solares) onde são possíveis eclipses com uma sobreposição aparentemente perfeita entre os discos e vivemos no intervalo particular da história desse planeta em que esses eclipses ocorrem.
Este maravilhamento, este thauma, alimenta a ciência — e alimenta a arte. Antes de haver fotografias, já os humanos tentavam mostrar como é espantoso um eclipse solar. Ippolito Caffi pintou um quadro para representar o seu espanto particular perante o eclipse que foi visto em Veneza em 1842. Reparo nas pessoas perto das águas da lagoa a olhar para o céu. Sinto que são como os meus filhos, a Zélia e eu, no meio de uma multidão maravilhada, quando, perto de Bragança, vimos o Sol esconder-se, deixando uma réstia de luz.
Nós, os humanos, somos muitas outras coisas, boas e más, mas somos também este bicho que se espanta com o mundo.



