O «erro» no nome dos meses
Os meses de Janeiro a Agosto têm nomes de deuses, imperadores e outras palavras romanas. Nada a dizer.
Já os últimos quatro meses do ano têm nomes baseados em números: Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro. Sete, oito, nove, dez… Mas não devia ser nove, dez, onze, doze? O nono mês começa por sete? Os romanos não sabiam contar?
Sabiam, claro. Mas, durante muito tempo, o ano começava em Março, ali no início da Primavera, o que faz sentido.
Só por volta do século V a. C., com a criação dos meses de Janeiro e Fevereiro, o ano passou a começar no dia 1 de Janeiro. Os nomes dos meses, no entanto, mantiveram-se iguais, no latim que depois deu na nossa língua (e numas quantas outras). Assim, Setembro passou a ser o nono mês, mas manteve um orgulhoso sete no nome.
O calendário é uma mistura de matemática exacta e destroços de palavras antigas, de números e nomes que, ao mesmo tempo, tentam descrever a aparente ordem com que os astros percorrem o nosso céu, marcando o ritmo das horas, dos dias, dos anos.
Não há calendários perfeitos — tal como não há gramáticas perfeitas ou maneiras perfeitas de descrever o mundo.
A tensão entre as nossas tentativas de ordenar os sistemas que usamos (o calendário, a língua…) e a nossa simultânea propensão para escapar a essa ordem, em desarrumações que nos põem o coração a bater mais depressa — é essa tensão que torna a linguagem e tudo o que é humano tão, mas tão interessante e é por isso que fico com um sorriso nos lábios quando me lembro que o nosso nono mês tem um sete no nome.