<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Marco Neves | Certas Palavras]]></title><description><![CDATA[Página de Marco Neves, professor e autor de livros e artigos sobre línguas (e outras viagens).]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ddgq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5f4d3960-ecfe-4ca0-8549-f1bbc18689a7_958x958.png</url><title>Marco Neves | Certas Palavras</title><link>https://www.certaspalavras.pt</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 11 Jun 2026 19:55:20 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.certaspalavras.pt/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Marco Neves]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[certaspalavras@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[certaspalavras@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Marco Neves]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Marco Neves]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[certaspalavras@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[certaspalavras@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Marco Neves]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[O Sinaleiro de Atouguia e o mais antigo sinal de trânsito]]></title><description><![CDATA[Somos animais perigosos quando andamos na estrada &#8212; e parece que n&#227;o &#233; de agora&#8230; Entre reis e gente comum, h&#225; quem n&#227;o se conforme.]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/o-sinaleiro-de-atouguia-e-o-mais</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/o-sinaleiro-de-atouguia-e-o-mais</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Sat, 06 Jun 2026 22:17:35 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gWDg!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F419bc413-2f26-4ef5-a6a9-07e6dbba1ae1_840x629.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h4><strong>O Sinaleiro de Atouguia</strong></h4><p>Numa vila a poucos quil&#243;metros de Peniche chamada Atouguia da Baleia (a terra da minha m&#227;e, onde passei largas temporadas da minha inf&#226;ncia), havia um senhor que ficava o dia inteiro a evitar acidentes num cruzamento especialmente perigoso entre uma rua de Atouguia e a Estrada Nacional 114. Chamava-se Ant&#243;nio Sousa Vala e a rua tem hoje o seu nome.</p><p>Sempre o conheci como &#171;o Sinaleiro&#187;. Ali aparecia, todos os dias, anos e anos, por sua iniciativa, usando gestos s&#243; dele, que os condutores da terra j&#225; conheciam.</p><p>Porqu&#234;? Porque, anos antes, naquele preciso cruzamento, vira morrer um homem esmagado por um carro. Um m&#234;s depois, conheceu por acaso um rapazinho que tinha ficado sem pai nesse acidente&#8230; O Sinaleiro prometeu: ali n&#227;o morreria mais ningu&#233;m. E assim foi &#8212; at&#233; ao fim da sua vida.</p><p>Lembrei-me dele esta semana [em 2019], quando recebi, sem pedir, tr&#234;s pontos novinhos em folha na carta de condu&#231;&#227;o. Portei-me bem, pelos vistos.</p><p>Esta esp&#233;cie de jogo de pontos &#233; mais uma tentativa de controlar a f&#250;ria portuguesa na estrada. &#201; uma velha tradi&#231;&#227;o do pa&#237;s. (N&#227;o que sejamos especiais nessa f&#250;ria automobil&#237;stica, diga-se&#8230;)</p><p>O sistema de pontos foi importado de outras paragens. Mas h&#225; s&#233;culos que andamos a inventar maneiras de controlar os arremessos de f&#250;ria dos brandos portugueses &#8212; e nem todas implicam arrega&#231;ar as mangas e ir para a estrada ajudar os automobilistas a sobreviver.</p><h4><strong>Duelos na estrada</strong></h4><p>Imaginemos a cena, muito comum. Dois carros encontram-se, em direc&#231;&#245;es contr&#225;rias, numa rua apertada. Nenhum quer recuar. Passamos pelo franzir da testa, pelos gestos cada vez mais irritados, pelas buzinadelas, pelos insultos, as desconsidera&#231;&#245;es aos familiares femininos do oponente, pelas partilhas da matr&#237;cula contr&#225;ria no Facebook&#8230;</p><p>Parece que cenas destas s&#227;o tradi&#231;&#227;o nacional. A Lisboa do s&#233;culo XVII era j&#225; um festival de f&#250;rias no tr&#226;nsito. O grande perigo n&#227;o eram os acidentes, mas antes a raiva de quem se via, dentro dum coche, parado numa rua estreita, frente a outro coche, sem que nenhum quisesse recuar.</p><p>Conta o <em>Memorial de P&#234;ro Roiz Soares</em> que, num dia de Outono de 1679, se encontraram numa rua apertada duas carruagens, uma com o Marqu&#234;s de Niza e o Conde-Bar&#227;o de Alvito e a outra com o Marqu&#234;s de Fontes. Se um portugu&#234;s plebeu &#233; como &#233;, imagine-se quando lhe sobem os t&#237;tulos &#224; cabe&#231;a&#8230;</p><p>Nesse dia, os condes e marqueses ficaram tr&#234;s horas a puxar dos bras&#245;es, sem que ningu&#233;m recuasse. Parece que teve de ser o pr&#243;prio rei a vir resolver a quest&#227;o, mandando todos recuar ao mesmo tempo. A quest&#227;o chegou a Roma, diz a cr&#243;nica. (Encontrei este relato no documento <a href="http://www.ansr.pt/SegurancaRodoviaria/Historia/Documents/Hist%C3%B3ria%20da%20Seguran%C3%A7a%20Rodovi%C3%A1ria/A%20primeira%20regra%20e%20sinaliza%C3%A7%C3%A3o%20de%20tr%C3%A2nsito.pdf">&#171;A circula&#231;&#227;o na Lisboa seiscentista&#187;</a>, da Autoridade Nacional de Seguran&#231;a Rodovi&#225;ria.)</p><p>Com o tr&#226;nsito a complicar, havia cada vez mais confrontos. Poucos anos depois, o rei D. Pedro II mandou espalhar uns quantos sinais de tr&#226;nsito pela cidade, a indicar as prioridades, para evitar duelos e demais inconvenientes do orgulho nacional. Surgiu tamb&#233;m uma esp&#233;cie de c&#243;digo da estrada, com multas simp&#225;ticas: degredo por cinco anos no Brasil.</p><p>Mesmo com a amea&#231;a de viagem for&#231;ada para Terras de Vera Cruz, dizem as m&#225;s-l&#237;nguas que poucos ligaram aos sinais. Estamos em Portugal, afinal.</p><h4><strong>O mais antigo sinal de tr&#226;nsito</strong></h4><p>O certo &#233; que, entre esses primeiros sinais e o nosso tempo, passaram mais de trezentos anos, com um terramoto e a inven&#231;&#227;o do autom&#243;vel pelo meio. Mas um deles resistiu. Ali est&#225;, mesmo por cima duma caixa da EDP, na Rua do Salvador, em Alfama.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gWDg!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F419bc413-2f26-4ef5-a6a9-07e6dbba1ae1_840x629.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" 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Sua Majestade ordena que os coches, seges e liteiras que vierem da portaria do Salvador recuem para a mesma parte.&#187;</strong></em></p><p>O sinal &#233; curioso. Longe dos s&#237;mbolos bem desenhados e com bom contraste, temos uma ordem directa, em nome do rei, escrita na pedra.</p><p>Acho deliciosa aquela &#250;ltima linha, encolhida &#8212; imagino o homem de cinzel na m&#227;o e l&#237;ngua entre os dentes, a murmurar um palavr&#227;o, tentando resolver o problema. N&#227;o podia come&#231;ar de novo, que as pedras n&#227;o s&#227;o baratas&#8230;</p><p>O certo &#233; a pessoa que inscreveu aquelas palavras na pedra estaria longe de imaginar que, depois de terramotos e uns quantos s&#233;culos, o sinal ali continuaria, numa rua apertada da nossa Lisboa do s&#233;culo XXI.</p><p>Aquele sinal era uma tentativa de resolver faltas de paci&#234;ncia, orgulhos sem pudor, a mania da superioridade de quem se v&#234; na estrada&#8230; Se, &#224; &#233;poca, cont&#225;ssemos a algu&#233;m que, s&#233;culos depois, o mesmo bicho que ficava tr&#234;s horas a teimar dentro de coches seria enfiado em m&#225;quinas com capacidade de andar mais depressa que um cavalo a galope, ver&#237;amos certamente olhos arregalados de horror.</p><p>E &#233; verdade: os carros conduzidos por portugueses e demais humanos s&#227;o perigosos. Afinal, morreram na estrada milhares e milhares de pessoas, s&#243; no nosso pa&#237;s, ao longo do s&#233;culo XX.</p><p>H&#225; umas poucas d&#233;cadas que o n&#250;mero de mortos tende a diminuir, devagar, com recuos, mas continuamos a ter de lidar com este problema que n&#243;s pr&#243;prios criamos todos os dias, com as nossas f&#250;rias, as nossas distrac&#231;&#245;es, o nosso gosto por ir cada vez mais depressa, por colar a frente do nosso carro &#224; traseira do empata que vai &#224; frente, por ultrapassar mesmo quando n&#227;o temos a certeza que n&#227;o vem ningu&#233;m para l&#225; da curva&#8230; A velha natureza humana dentro de uma m&#225;quina mortal.</p><p>Entre um rei que inventa os sinais de tr&#226;nsito ao jogo dos pontos da carta de condu&#231;&#227;o, l&#225; nos vamos tentando salvar de n&#243;s mesmos. &#192;s vezes, h&#225; quem v&#225; mesmo para o meio da estrada para poupar a vida dos outros&#8230; Pois aqui fica uma pequena homenagem a uma das mem&#243;rias da minha inf&#226;ncia: o Sinaleiro de Atouguia.</p><p style="text-align: center;">(Cr&#243;nica escrita em 2019.)</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O tesouro dentro da nossa língua]]></title><description><![CDATA[Introdu&#231;&#227;o do livro As Ra&#237;zes da L&#237;ngua]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/o-tesouro-dentro-da-nossa-lingua</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/o-tesouro-dentro-da-nossa-lingua</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Tue, 02 Jun 2026 12:01:01 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8c7k!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0d6a8d8b-1818-48c7-8683-c5066fcee31b_3000x2000.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>Deixo por aqui a introdu&#231;&#227;o ao meu mais recente livro. Entretanto, estou j&#225; a pensar em mais aventuras no pa&#237;s dos livros&#8230;</strong></p></blockquote><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8c7k!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0d6a8d8b-1818-48c7-8683-c5066fcee31b_3000x2000.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8c7k!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0d6a8d8b-1818-48c7-8683-c5066fcee31b_3000x2000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8c7k!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0d6a8d8b-1818-48c7-8683-c5066fcee31b_3000x2000.jpeg 848w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Falo, claro, das palavras comuns, banais, em que ningu&#233;m repara, e que t&#234;m hist&#243;rias de mil&#233;nios.</p><p>Este livro [<em>As Ra&#237;zes da L&#237;ngua</em>] junta cr&#243;nicas que escrevi nos &#250;ltimos anos sobre palavras que me chamavam a aten&#231;&#227;o por algum motivo. Se numa semana um dos meus filhos apontava para um avi&#227;o no c&#233;u, escrevia uma cr&#243;nica sobre a palavra &#171;avi&#227;o&#187;. Se a terra tremia em Portugal, punha-me a escrever sobre a palavra &#171;terramoto&#187;. Este n&#227;o &#233; um dicion&#225;rio etimol&#243;gico. &#201; um livro de viagens, um livro de hist&#243;rias, um livro de cr&#243;nicas sobre etimologia.</p><p>Esta escrita sem plano vai mostrando, em aproxima&#231;&#245;es cont&#237;nuas, a hist&#243;ria da l&#237;ngua e, ainda, as v&#225;rias camadas de que o seu l&#233;xico &#233; feito.</p><p>Se imaginarmos o l&#233;xico do portugu&#234;s como uma &#225;rvore, podemos tentar perceber onde est&#227;o as ra&#237;zes. A raiz mais forte, se a acompanharmos em direc&#231;&#227;o ao passado, passa pelo latim desenvolvido na faixa ocidental da Pen&#237;nsula Ib&#233;rica, a que se juntam ra&#237;zes mais estreitas que v&#234;m de l&#237;nguas que j&#225; aqui se falavam. A raiz principal avan&#231;a, em direc&#231;&#227;o ao passado, at&#233; ao L&#225;cio, depois at&#233; &#224; zona dos Alpes, onde, h&#225; 3500 anos, falar-se-ia proto-it&#225;lico, uma l&#237;ngua de que n&#227;o h&#225; registos escritos, mas que foi reconstru&#237;da e que deu origem a v&#225;rias l&#237;nguas da Pen&#237;nsula It&#225;lica &#8211; e, por fim, esta raiz acaba na zona do Mar Negro, onde, h&#225; 6500 anos, falar-se-ia uma l&#237;ngua a que hoje chamamos proto-indo-europeu<a href="#_ftn1">[1]</a>. A raiz acaba? Reformulo: a raiz torna-se vis&#237;vel. Ela j&#225; vem, certamente, de l&#237;nguas ainda mais antigas, mas de que n&#227;o sabemos nada.</p><p>Essa l&#237;ngua falada h&#225; 6500 anos n&#227;o criou apenas a raiz que veio dar ao portugu&#234;s. Dali sa&#237;ram dez ra&#237;zes (as subfam&#237;lias de l&#237;nguas indo-europeias), que, por sua vez, se subdividiram em muitos subgrupos e muitas l&#237;nguas. &#201; por isso que temos tantos primos e primas da nossa l&#237;ngua: do ingl&#234;s ao russo, passando pelo persa e pelo hindi, sem esquecer o grego, o alban&#234;s, entre tantas outras, a fam&#237;lia &#233; grande.</p><p>Portanto, a raiz mais forte da l&#237;ngua &#233; esse percurso que vem do proto-indo-europeu, passa pelo proto-it&#225;lico, pelo latim, pela l&#237;ngua medieval que nos acostum&#225;mos a chamar galego-portugu&#234;s na escola e veio parar ao portugu&#234;s de hoje. Entre nenhuma destas etapas houve cortes abruptos.</p><p>Ora, ao lado dessa raiz, h&#225; muitas outras, algumas tamb&#233;m bastante fortes &#8211; na verdade, cada palavra do portugu&#234;s tem uma hist&#243;ria particular, uma pequena raiz que se entrela&#231;a nas outras para criar as ra&#237;zes mais fortes que conseguimos ver.</p><p>Algumas palavras s&#227;o um pequeno fio da raiz central. Por exemplo, a palavra &#171;lua&#187;, que vem do proto-indo-europeu, passou pelo proto-it&#225;lico, pelo latim, pela l&#237;ngua medieval e chegou ao portugu&#234;s.</p><p>Outras palavras fizeram percursos muito diferentes. H&#225; palavras com trajectos semelhantes, mas com saltos no tempo: palavras recuperadas do latim, que parecem regressar do passado para serem usadas de novo, como a palavra &#171;&#243;culos&#187;, que tem a mesma origem de &#171;olhos&#187;, mas foi recuperada do latim sem sofrer as mudan&#231;as que a palavra &#171;olhos&#187; sofreu pelos s&#233;culos fora.</p><p>H&#225; palavras que vieram do &#225;rabe, do persa, de l&#237;nguas africanas, da Am&#233;rica do Sul, de l&#237;nguas germ&#226;nicas, do grego, do ingl&#234;s, do franc&#234;s&#8230; A variedade de percursos e de hist&#243;rias &#233; impressionante. Curiosamente, as palavras saltam de l&#237;ngua em l&#237;ngua sem ter em conta fam&#237;lias lingu&#237;sticas ou &#233;pocas. &#201; uma viagem desordenada, aventurosa, &#224;s vezes perigosa. H&#225; at&#233; palavras que sa&#237;ram do portugu&#234;s, deram uma volta por outras l&#237;nguas<s>,</s> e voltaram muito mudadas (como &#171;fetiche&#187;).</p><p>Neste livro, conto alguns desses percursos. Tal como as palavras aparecem nos nossos l&#225;bios sem ordem, tamb&#233;m o livro est&#225; organizado numa linha pouco cronol&#243;gica e nada alfab&#233;tica, ao sabor da vontade de contar hist&#243;rias.</p><p>S&#227;o hist&#243;rias que mostram as ra&#237;zes da nossa l&#237;ngua na sua variedade, uma variedade que alimenta a &#225;rvore lexical que usamos todos os dias.</p><p>Deixemos a imagem da &#225;rvore de lado e voltemos &#224;s moedas: usamos todos os dias palavras que fizeram viagens que vale a pena contar; &#233; como se tiv&#233;ssemos um tesouro antigo no bolso e nem repar&#225;ssemos. Este livro &#233; mesmo para isso: para repararmos.</p><p><strong>(Introdu&#231;&#227;o do livro </strong><em><strong><a href="https://www.guerraepaz.pt/produto/as-raizes-da-lingua/">As Ra&#237;zes da L&#237;ngua</a>, </strong></em><strong>editado pela Guerra e Paz.)</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://www.guerraepaz.pt/produto/as-raizes-da-lingua/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YNis!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7be1f6cd-6925-482f-a479-f000c5ab5723_600x909.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YNis!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7be1f6cd-6925-482f-a479-f000c5ab5723_600x909.jpeg 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><div><hr></div><p><strong><a href="#_ftnref1">[1]</a> Um par&#234;ntesis sobre o proto-indo-europeu.</strong></p><p><strong>A exist&#234;ncia do proto-indo-europeu &#233; um facto cient&#237;fico t&#227;o s&#243;lido como a deriva dos continentes. &#201; verdade que n&#227;o h&#225; registos escritos, mas temos dados suficientes para sabermos da exist&#234;ncia dessa l&#237;ngua e at&#233; para reconstruir muito do seu l&#233;xico e da sua gram&#225;tica.</strong></p><p><strong>Se quisermos perceber como tal &#233; poss&#237;vel, podemos olhar para as placas tect&#243;nicas. Tamb&#233;m n&#227;o temos fotografias dos continentes nas suas formas antigas, mas o estudo da geologia, da flora, da fauna e da forma como os continentes se transformam ao longo do tempo permite-nos reconstruir como eram h&#225; muitos milh&#245;es de anos.</strong></p><p><strong>Sem chegar &#224;s escalas de milh&#245;es de anos da geologia, podemos reconstruir o proto-indo-europeu olhando para as v&#225;rias l&#237;nguas que existem hoje, para os registos escritos de l&#237;nguas que j&#225; n&#227;o s&#227;o faladas (como o hitita, o latim, o grego antigo, entre outras) e para padr&#245;es sistem&#225;ticos de mudan&#231;a entre os diferentes grupos de l&#237;nguas indo-europeias. H&#225; uma enorme quantidade de dados que foram estudados e sistematizados ao longo dos &#250;ltimos duzentos anos e, por isso, temos uma confian&#231;a s&#243;lida na exist&#234;ncia do proto-indo-europeu e em muitas das reconstru&#231;&#245;es lexicais, apesar das discord&#226;ncias que existem entre especialistas nalguns pontos.</strong></p><p><strong>A forma exacta dessa l&#237;ngua n&#227;o &#233; conhecida. Ainda assim, trata-se de um dos factos mais s&#243;lidos da lingu&#237;stica hist&#243;rica &#8211; e, ao mesmo tempo, um dos menos conhecidos fora da &#225;rea. &#201; extraordin&#225;rio pensar que o proto-indo-europeu deu origem &#224;s l&#237;nguas que hoje s&#227;o faladas por cerca de metade da humanidade &#8211; entre elas, o portugu&#234;s &#8211; e que esta l&#237;ngua foi reconstru&#237;da.</strong></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Histórias de palavras (hoje)]]></title><description><![CDATA[Cada uma das nossas palavras chega-nos de uma de duas maneiras: ou ouvimo-la da boca de uma pessoa ou lemo-la num texto tamb&#233;m ele escrito por algu&#233;m.]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/historias-de-palavras-hoje</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/historias-de-palavras-hoje</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Sun, 31 May 2026 10:58:20 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CstF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed27e7f9-544d-4017-8fa1-e5b4d0ad3c2c.heic" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Cada uma das nossas palavras chega-nos de uma de duas maneiras: ou ouvimo-la da boca de uma pessoa ou lemo-la num texto tamb&#233;m ele escrito por algu&#233;m. S&#227;o pequenas cadeias de pessoas com mil&#233;nios de hist&#243;ria e, em muitos casos, s&#243; conhecemos uma parte dessa hist&#243;ria, aquela que ficou registada na escrita (h&#225; tanto, mas tanto que n&#227;o conhecemos sobre essas hist&#243;rias). Foi para contar algumas dessas hist&#243;rias que escrevi o meu &#250;ltimo livro.</p><p>Tudo isto para dizer que vamos conversar hoje, na <mark data-color="#ffff00" style="background-color: rgb(255, 255, 0); color: rgb(0, 0, 0);">Feira do Livro de Lisboa, &#224;s 16h</mark>, na Pra&#231;a Vermelha, sobre muitas palavras, com a desculpa de apresentar o meu livro <em><a href="https://www.bertrand.pt/blogue-somos-livros/farmacia-literaria/artigo/as-raizes-da-lingua-de-marco-neves-bula-literaria/284188">As Ra&#237;zes da L&#237;ngua</a></em>.</p><p>Fica o convite. Ainda hei-de ir &#224; feira mais vezes (ainda hoje, depois da minha sess&#227;o, irei apresentar o livro <em>Isto N&#227;o &#201;&#8230;</em> da Carla Louren&#231;o), mas gostava muito de rever ou conhecer quem me acompanha por aqui hoje &#224; tarde. </p><p>Fica o convite. Muito obrigado!</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CstF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed27e7f9-544d-4017-8fa1-e5b4d0ad3c2c.heic" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CstF!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed27e7f9-544d-4017-8fa1-e5b4d0ad3c2c.heic 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CstF!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed27e7f9-544d-4017-8fa1-e5b4d0ad3c2c.heic 848w, 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pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Convites para Lisboa e Rio ]]></title><description><![CDATA[Ol&#225;!]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/convites-para-lisboa-e-rio</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/convites-para-lisboa-e-rio</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Tue, 19 May 2026 14:45:09 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Relembro estes dois convites&#8230;</p><h3>Lisboa</h3><p>Na <strong>ter&#231;a-feira, dia 19, &#224;s 18h</strong>, <strong>Fernando Alvim</strong> vai ajudar-me a lan&#231;ar oficialmente o livro <em><strong><a href="https://www.guerraepaz.pt/produto/as-raizes-da-lingua/">As Ra&#237;zes da L&#237;ngua</a></strong></em><strong>, na Livraria da Travessa, em Lisboa</strong>. A entrada &#233; gratuita.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg" width="247" height="439.1111111111111" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1600,&quot;width&quot;:900,&quot;resizeWidth&quot;:247,&quot;bytes&quot;:148821,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/i/197845497?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><h3>Rio de Janeiro</h3><p>No <strong>s&#225;bado, dia 23, &#224;s 17h30</strong>, vou estar com <strong>Jos&#233; Eduardo Agualusa</strong> a conversar sobre as aventuras das l&#237;nguas portuguesas no <strong><a href="https://www.instagram.com/remexe.rio/">Festival Remexe Rio</a></strong>. A entrada &#233; gratuita.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg" width="326" height="434.6666666666667" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1920,&quot;width&quot;:1440,&quot;resizeWidth&quot;:326,&quot;bytes&quot;:198258,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/i/197845497?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg 1456w" sizes="100vw"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Muito obrigado!</p><p>At&#233; breve,</p><p>Marco</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[E se a nossa língua estivesse a morrer?]]></title><description><![CDATA[Imagine um mundo em que a nossa l&#237;ngua est&#225; a desaparecer&#8230;]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/e-se-a-nossa-lingua-estivesse-a-morrer-e25</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/e-se-a-nossa-lingua-estivesse-a-morrer-e25</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Sun, 17 May 2026 10:38:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/KkWiTurt9aU" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Pe&#231;o ao leitor que imagine uma verdadeira cat&#225;strofe lingu&#237;stica em Portugal: o portugu&#234;s &#233; ainda a l&#237;ngua mais falada no pa&#237;s, mas h&#225; outro idioma a invadir as conversas. As gera&#231;&#245;es mais velhas falam, maioritariamente, portugu&#234;s, mas os mais novos cada vez menos. Nas cidades, o outro idioma est&#225; espalhado por todo o lado e poucos conversam em portugu&#234;s. Em muitas vilas, ouvimos portugu&#234;s na boca dos adultos, mas as crian&#231;as j&#225; brincam na outra l&#237;ngua. Todos aprendem portugu&#234;s na escola, mas usam-no cada vez menos. Pondo n&#250;meros &#224; cat&#225;strofe: cerca de 70% dos falantes com mais de 70 anos falam portugu&#234;s; mas entre as crian&#231;as at&#233; dez anos, apenas 20% usam a nossa l&#237;ngua. O que dir&#237;amos? Dir&#237;amos que a l&#237;ngua estava a caminhar para o desaparecimento. Quem se importasse com ela ficaria seriamente preocupado &#8212; n&#227;o que a vida noutra l&#237;ngua n&#227;o seja poss&#237;vel, claro est&#225;. Mas a nossa l&#237;ngua, a l&#237;ngua dos nossos av&#243;s, da nossa literatura estaria a desaparecer. Seria, de forma contida, algo triste. Seria uma perda cultural irrepar&#225;vel. Uma cat&#225;strofe cultural.</p><p>Ora, &#233; isso mesmo que est&#225; a acontecer na Galiza: os n&#250;meros que acima referi s&#227;o reais, mas referem-se ao uso do galego no pr&#243;prio territ&#243;rio onde &#233; a l&#237;ngua pr&#243;pria &#8212; e oficial, em conjunto com o castelhano. Todos os galegos aprendem galego na escola. Mas, em casa, &#233; muito habitual termos av&#243;s que conversam entre si em galego e netos que conversam entre si em castelhano. Todos sabem as duas l&#237;nguas, mas o uso &#233; muito diferente de gera&#231;&#227;o para gera&#231;&#227;o. Quem se preocupa com a l&#237;ngua galega, na Galiza, est&#225; inquieto. Mais do que inquieto!</p><p>O galego tem outro problema. Durante s&#233;culos, n&#227;o foi oficial: s&#243; nos anos 80 do s&#233;culo XX se tornou l&#237;ngua oficial, apesar de sempre ter sido a l&#237;ngua da largu&#237;ssima maioria da popula&#231;&#227;o at&#233; ent&#227;o. Ora, na &#233;poca em que passou a ser a l&#237;ngua da administra&#231;&#227;o galega, havia duas correntes: alguns especialistas defendiam que o galego era uma l&#237;ngua separada de todas as outras e que deveria usar uma ortografia e uma norma que, nas suas escolhas, a aproximavam de certas op&#231;&#245;es do castelhano. Por exemplo, o uso do &#171;&#241;&#187; e do &#171;ll&#187;. Uma outra corrente defendia que o galego devia aproximar-se mais do portugu&#234;s &#8212; afinal tanto o galego como o portugu&#234;s descendem duma mesma l&#237;ngua medieval. Esta &#250;ltima corrente, chamada <em>reintegracionismo</em>, defende, no fundo, que o galego e o portugu&#234;s s&#227;o variantes da mesma l&#237;ngua. Um dos grandes defensores do reintegracionismo, nessa &#233;poca, era o fil&#243;logo e escritor Ricardo Carvalho Calero. Carvalho: era mesmo assim que ele escrevia o seu nome nos &#250;ltimos anos, com uma ortografia muito pr&#243;xima da portuguesa. Neste v&#237;deo, vemo-lo a defender o galego com um sotaque muito diferente do nosso, mas com palavras e frases que mostram bem como o galego est&#225; pr&#243;ximo do portugu&#234;s (atente bem nas palavras, n&#227;o nos sons):</p><div id="youtube2-KkWiTurt9aU" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;KkWiTurt9aU&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/KkWiTurt9aU?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p>Nos anos 80, acabou por vingar a perspectiva que defendia o galego como uma l&#237;ngua separada do portugu&#234;s &#8212; embora mesmo nesta corrente o portugu&#234;s sempre tenha sido visto, em teoria, como boa fonte de vocabul&#225;rio. O reintegracionismo, no entanto, n&#227;o morreu, mantendo-se como corrente minorit&#225;ria. &#201; poss&#237;vel encontrar livros publicados tanto na ortografia oficial (uma larga maioria) como na ortografia reintegracionista. A rela&#231;&#227;o entre os dois campos foi tensa durante muito tempo. Uns e outros defendem o galego e o seu uso, mas t&#234;m ideias diferentes sobre como proteger a l&#237;ngua.</p><p>Ora, apesar da diminui&#231;&#227;o do uso, o galego enquanto l&#237;ngua de cultura e literatura &#233; reconhecido todos os anos no important&#237;ssimo Dia das Letras Galegas &#8212; que &#233; sempre no dia 17 de Maio. Todos os anos &#233; escolhido um escritor ou figura galega que sirva de tema para as comemora&#231;&#245;es oficiais. Durante o ano, a Televis&#227;o da Galiza, o Governo Galego e as v&#225;rias institui&#231;&#245;es da regi&#227;o organizam exposi&#231;&#245;es, document&#225;rios, programas e tudo o que for poss&#237;vel para divulgar a figura escolhida. Previsivelmente, as figuras escolhidas n&#227;o costumam estar enquadradas no campo reintegracionista.</p><p>At&#233; h&#225; quatro anos. A Real Academia Galega, institui&#231;&#227;o que regula a norma oficial da l&#237;ngua &#8212; norma que n&#227;o &#233; reintegracionista &#8212; escolheu precisamente Ricardo Carvalho Calero como figura de 2020. Aquele pareceu ser um passo, entre outros, de aproxima&#231;&#227;o dos dois campos. Todos reconhecem que o galego precisa de protec&#231;&#227;o especial. Ora, saber que, em galego, &#233; poss&#237;vel comunicar com os muitos milh&#245;es de falantes de portugu&#234;s ajuda a dar prest&#237;gio social &#224; l&#237;ngua.</p><p>Em Portugal, pouco ou nada ouvimos falar destas quest&#245;es galegas. E, no entanto, o galego &#8212; em qualquer uma das suas variantes &#8212; est&#225; muito, muito pr&#243;ximo do portugu&#234;s (em especial do portugu&#234;s popular do Norte). Ou bem que &#233; a mesma l&#237;ngua ou a l&#237;ngua mais pr&#243;xima da nossa.</p><p>A nossa l&#237;ngua ou a nossa l&#237;ngua-irm&#227; est&#225; a desaparecer aqui bem perto, a norte da fronteira. O galego de hoje em dia descende da l&#237;ngua que falavam os primeiros portugueses &#8212; e os galegos de ent&#227;o, claro. Faz parte da nossa hist&#243;ria. Encontramos por l&#225; palavras t&#227;o portuguesas e t&#227;o esquecidas como &#171;asinha&#187; (que os galegos escrevem, muitas vezes, &#171;axi&#241;a&#187;). Os galegos usam os nossos artigos, muitos dos nossos verbos, t&#234;m uma sintaxe arrepiantemente pr&#243;xima da nossa. At&#233; t&#234;m, vejam bem, a &#171;saudade&#187;, assim mesmo, escrita desta maneira (tamb&#233;m t&#234;m a &#171;morri&#241;a&#187;, porque nisto das palavras h&#225; sempre lugar para mais uma).</p><p>O que podemos fazer? Nada de especial: afinal, o galego s&#243; pode ser salvo pelos galegos. Mas podemos ouvi-los com mais aten&#231;&#227;o, usar a nossa l&#237;ngua quando conversamos com galegos, come&#231;ar a conhecer um pouco melhor os nossos vizinhos do Norte, vizinhos que &#8212; quando n&#227;o est&#227;o a falar castelhano &#8212; falam qualquer coisa que se n&#227;o &#233; a nossa l&#237;ngua &#233; o diabo por ela.</p><p>(Artigo publicado previamente em 2020. Fiz pequenas revis&#245;es.)</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Lisboa e Rio (passando por Montemor-o-Novo)]]></title><description><![CDATA[Ol&#225;!]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/lisboa-e-rio-passando-por-montemor</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/lisboa-e-rio-passando-por-montemor</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Fri, 15 May 2026 12:08:08 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ezUt!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F22e73b64-b4b2-43d1-b724-aa9bbb85596c_740x960.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Algumas sugest&#245;es para os pr&#243;ximos dias&#8230;</p><h3>Montemor-o-Novo</h3><p>No <strong>s&#225;bado, dia 16, &#224;s 21h30</strong>, vou estar com <strong>Sam The Kid</strong> no <strong>Festival da Palavra, em Montemor-o-Novo</strong>. Os bilhetes est&#227;o &#224; venda <a href="https://www.bol.pt/Comprar/Bilhetes/177451-16o_festival_da_palavra_sam_the_kid_e_marco_f_neves_afonso_rodrigues-cineteatro_curvo_semedo/">nesta p&#225;gina</a>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ezUt!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F22e73b64-b4b2-43d1-b724-aa9bbb85596c_740x960.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ezUt!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F22e73b64-b4b2-43d1-b724-aa9bbb85596c_740x960.png 424w, 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A entrada &#233; gratuita.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg" width="247" height="439.1111111111111" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1600,&quot;width&quot;:900,&quot;resizeWidth&quot;:247,&quot;bytes&quot;:148821,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/i/197845497?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kw_l!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41d1c8f8-4372-4bb2-8dbf-ce7e6b6b615e_900x1600.jpeg 1456w" sizes="100vw"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><h3>Rio de Janeiro</h3><p>No <strong>s&#225;bado, dia 23, &#224;s 17h30</strong>, vou estar com <strong>Jos&#233; Eduardo Agualusa</strong> a conversar sobre as aventuras das l&#237;nguas portuguesas no <strong><a href="https://www.instagram.com/remexe.rio/">Festival Remexe Rio</a></strong>. A entrada &#233; gratuita.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1ur_!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F643fda41-e55f-4f76-8d92-027cc3577860_1440x1920.jpeg 848w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Fa&#231;amos uma viagem por dez palavras &#8212; que servir&#227;o de exemplos.</p><p>Antes das dez palavras, pe&#231;o que imagine uma ilha isolada durante mil&#233;nios, no meio do oceano, uma ilha onde o povo que l&#225; existe, depois de uma migra&#231;&#227;o antiga, perdida nos tempos imemoriais dos mitos e das lendas, nunca mais contactou com nenhum outro povo. Haver&#225; certamente, nessa ilha, uma l&#237;ngua &#8212; nunca se encontrou um grupo de seres humanos que n&#227;o usasse a linguagem humana.</p><p>Ora, a l&#237;ngua dessa ilha, depois de mil&#233;nios encerrada sobre si pr&#243;pria, pouco nos diz sobre a hist&#243;ria do mundo. Talvez nos diga muito sobre a hist&#243;ria da ilha. Talvez se tenha dividido em v&#225;rias l&#237;nguas, ou talvez haja v&#225;rios registos, v&#225;rios usos da l&#237;ngua. Talvez haja registos de guerras em ditados ou express&#245;es. Talvez o sotaque das v&#225;rias &#225;reas da ilha nos ajude a pintar a sociedade da ilha &#8212; mas a hist&#243;ria do mundo est&#225; fora da l&#237;ngua ou das l&#237;nguas desta ilha imagin&#225;ria.</p><p>H&#225; pouqu&#237;ssimas l&#237;nguas assim. A grande maioria das l&#237;nguas vive em espa&#231;o aberto, com fronteiras que s&#227;o mais ilus&#243;rias que reais, e recebe e transmite palavras e frases como ventos que passam. O portugu&#234;s &#233; assim &#8212; e &#233; assim talvez, arrisco dizer, de forma mais marcada do que outros idiomas. O portugu&#234;s n&#227;o &#233; uma ilha. Nunca foi uma ilha.</p><p>Afinal, a &#225;rea onde a l&#237;ngua se desenvolveu est&#225; nos confins do mundo antigo. O centro desse mundo era aquilo que n&#243;s hoje, na Europa, chamamos de M&#233;dio Oriente. Era um mundo que se estendia da China at&#233; a estas costas perdidas, long&#237;nquas, encostadas ao Atl&#226;ntico. Onde &#233; hoje Portugal chegavam ecos desse centro e chegavam palavras que ficavam nestas praias como destro&#231;os.</p><p>Depois, este fim do mundo transformou-se, durante algum tempo, no centro de um outro mundo, um centro de um mundo que j&#225; n&#227;o vivia no eixo terrestre que passava pela Europa e pela &#193;sia, mas um mundo que se comunicava pelos oceanos. Lisboa foi um dos centros e a l&#237;ngua, em vez de receber destro&#231;os, deixou peda&#231;os pelo mundo inteiro, que ainda ouvimos em l&#237;nguas long&#237;nquas.</p><p>Mais tarde, o que j&#225; era ent&#227;o Portugal tornou-se n&#227;o o fim do mundo, n&#227;o o centro do mundo, mas um lugar da Europa, encostado a um dos cantos daquilo que foi o centro do mundo e hoje tenta perceber que lugar tem. Portugal ficou entre o centro e a periferia &#8212; e a sua l&#237;ngua com ele. &#171;A sua l&#237;ngua&#187; talvez n&#227;o seja correcto. A l&#237;ngua j&#225; n&#227;o &#233; s&#243; de Portugal h&#225; muito tempo.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><p>Comecemos ent&#227;o uma pequena viagem &#224; hist&#243;ria do mundo com base nas palavras da nossa l&#237;ngua. A primeira palavra ser&#225;:</p><h3><strong>1. &#193;GUA</strong></h3><p>Comecemos no in&#237;cio dessa hist&#243;ria. Para isso &#233; preciso fazer uma experi&#234;ncia mental. A escrita surgiu h&#225; aproximadamente 5000 anos &#8212; quase tudo o que sabemos sobre a hist&#243;ria das l&#237;nguas e da linguagem humana aconteceu nesses 5000 anos. &#201; certo que, atrav&#233;s do m&#233;todo comparativo, conseguimos perceber que existiram l&#237;nguas anteriores, como o proto-indo-europeu, mas mesmo assim n&#227;o conseguimos recuar mais do que 1500 anos em rela&#231;&#227;o &#224; inven&#231;&#227;o da escrita.</p><p>Ora, &#233; certo que, antes da escrita, j&#225; existiam muitas l&#237;nguas humanas. Ali&#225;s, os primeiros registos da escrita s&#227;o em sum&#233;rio, uma l&#237;ngua diferente de todas as outras que se conhecem, uma pequena amostra de tudo o que perdemos de todos os milhares ou mesmo milh&#245;es de anos de hist&#243;ria da linguagem. Havia l&#237;nguas que se cruzavam, se influenciavam, se dividiam e se misturavam. As l&#237;nguas j&#225; tinham muito do que temos hoje &#8212; e, acima de tudo, j&#225; eram subst&#226;ncia do pensamento, canal de comunica&#231;&#227;o, pintura identit&#225;ria e material art&#237;stico.</p><p>Da forma dessas l&#237;nguas antigas pouco sabemos. Houve quem tivesse tentado encontrar palavras cuja semelhan&#231;a em l&#237;nguas muito distantes apontasse para palavras primordiais. Uma das hip&#243;teses &#233; a palavra &#171;&#225;gua&#187;, que tem sons parecidos em muitos recantos do globo. A hip&#243;tese &#233; muito fr&#225;gil e provas n&#227;o h&#225;. Tenho, por&#233;m, quase a certeza de que, sim, h&#225; muitas palavras que saem hoje da nossa boca que descendem directamente de palavras com muitos milhares de anos, muitos mais milhares de anos do que a escrita. Que fique &#171;&#225;gua&#187; como s&#237;mbolo dessas palavras, seja ou n&#227;o verdade que &#233; uma dessas palavras.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://images.unsplash.com/photo-1628592739641-5354300d8208?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHwlQzMlQTFndWF8ZW58MHx8fHwxNzQ2Mzg2NzE1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://images.unsplash.com/photo-1628592739641-5354300d8208?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHwlQzMlQTFndWF8ZW58MHx8fHwxNzQ2Mzg2NzE1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 424w, https://images.unsplash.com/photo-1628592739641-5354300d8208?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHwlQzMlQTFndWF8ZW58MHx8fHwxNzQ2Mzg2NzE1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 848w, https://images.unsplash.com/photo-1628592739641-5354300d8208?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHwlQzMlQTFndWF8ZW58MHx8fHwxNzQ2Mzg2NzE1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1272w, https://images.unsplash.com/photo-1628592739641-5354300d8208?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHwlQzMlQTFndWF8ZW58MHx8fHwxNzQ2Mzg2NzE1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1456w" sizes="100vw"><img src="https://images.unsplash.com/photo-1628592739641-5354300d8208?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHwlQzMlQTFndWF8ZW58MHx8fHwxNzQ2Mzg2NzE1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080" width="243" height="162" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://images.unsplash.com/photo-1628592739641-5354300d8208?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHwlQzMlQTFndWF8ZW58MHx8fHwxNzQ2Mzg2NzE1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:2756,&quot;width&quot;:4134,&quot;resizeWidth&quot;:243,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;water drop on body of water&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="water drop on body of water" title="water drop on body of water" srcset="https://images.unsplash.com/photo-1628592739641-5354300d8208?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHwlQzMlQTFndWF8ZW58MHx8fHwxNzQ2Mzg2NzE1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 424w, https://images.unsplash.com/photo-1628592739641-5354300d8208?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHwlQzMlQTFndWF8ZW58MHx8fHwxNzQ2Mzg2NzE1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 848w, https://images.unsplash.com/photo-1628592739641-5354300d8208?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHwlQzMlQTFndWF8ZW58MHx8fHwxNzQ2Mzg2NzE1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1272w, https://images.unsplash.com/photo-1628592739641-5354300d8208?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHwlQzMlQTFndWF8ZW58MHx8fHwxNzQ2Mzg2NzE1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Foto de <a>Manuel Torres Garcia</a> em <a href="https://unsplash.com">Unsplash</a></figcaption></figure></div><p>egunda palavra do nosso percurso &#233;&#8230;</p><h3><strong>2. MAGIA</strong></h3><p>Deixemos o mundo da especula&#231;&#227;o. O que parece mais do que certo &#233; que o portugu&#234;s nasceu de uma particular forma de latim vulgar, influenciada por l&#237;nguas anteriores, de que pouco se sabe. Esse latim nasceu de outras l&#237;nguas anteriores, que surgem do proto-indo-europeu, que ter&#225; sido falado na zona da actual Ucr&#226;nia h&#225; aproximadamente 6500 anos. L&#237;nguas descendentes do proto-indo-europeu falam-se hoje na &#205;ndia, no Ir&#227;o, na Europa &#8212; e em muitos lugares do mundo, para onde foram transportadas nas expans&#245;es mar&#237;timas de v&#225;rios povos.</p><p>A exist&#234;ncia de uma l&#237;ngua latina no ocidente da Pen&#237;nsula Ib&#233;rica &#233; j&#225; testemunho da hist&#243;ria do Imp&#233;rio Romano e da sua expans&#227;o. O latim chegou ao fim da Terra, ao Finisterra, ao Noroeste da Hisp&#226;nia.</p><p>Al&#233;m das palavras indo-europeias mastigadas na Pen&#237;nsula It&#225;lica, o latim trouxe palavras gregas e mesmo palavras de outros lugares do mundo. Por exemplo, a palavra &#171;magia&#187;, a segunda palavra do nosso percurso. &#201; uma palavra grega, que veio a bordo do latim &#8212; e j&#225; tinha chegado ao grego a partir do persa antigo.</p><p>O latim que aqui veio dar era o latim vulgar, o falar do povo, que se misturou com outras l&#237;nguas, dando a quem vivia nesse Ocidente uma l&#237;ngua com palavras long&#237;nquas e palavras mais pr&#243;ximas. A nossa l&#237;ngua sempre foi feita de materiais de v&#225;rias paragens. Ou seja, palavras como &#171;magia&#187; juntaram-se a palavras que j&#225; c&#225; estavam antes da chegada do latim. Pouco sabemos delas. Talvez &#171;murchar&#187;, que poder&#225; ter vindo do latim &#8212; mas tamb&#233;m poder&#225; vir de uma palavra mais antiga, que j&#225; c&#225; estaria. Estamos ainda em tempos com poucos ou nenhuns registos.</p><p>Chegamos agora &#224; terceira das nossas dez palavras:</p><h3><strong>3. LUA</strong></h3><p>O fim do Imp&#233;rio Romano est&#225; tamb&#233;m inscrito na l&#237;ngua. Ainda antes de &#171;lua&#187;, falo de &#171;LUVA&#187;, uma palavra de origem germ&#226;nica que aqui chegou no final do Imp&#233;rio Romano. Era uma palavra da l&#237;ngua g&#243;tica, trazida pelos povos germ&#226;nicos para a Pen&#237;nsula. Por c&#225;, a l&#237;ngua g&#243;tica ficou apenas numa ou outra palavra integrada no nosso latim hisp&#226;nico. Curiosamente, o g&#243;tico manteve-se durante s&#233;culos do outro lado da Europa, na Crimeia. A Hist&#243;ria do mundo &#233; bem mais complicada do que parece.</p><p>N&#227;o s&#227;o muitos os exemplos de palavras destes povos no portugu&#234;s, porque os germ&#226;nicos que vieram ocupar a Pen&#237;nsula &#8212; os suevos e os visigodos &#8212; assumiram o latim como seu e, provavelmente, n&#227;o vieram em grande n&#250;mero. Os habitantes da pen&#237;nsula continuaram a ser hispanos, romanos, agora em novos reinos com uma nobreza germ&#226;nica.</p><p>Desses tempos podemos dizer, com alguma seguran&#231;a: o latim falado no s&#233;culo VI j&#225; n&#227;o era igual ao latim do apogeu do Imp&#233;rio Romano. Algumas caracter&#237;sticas da nossa l&#237;ngua, como o uso de &#171;segunda-feira&#187;, &#171;ter&#231;a-feira&#187; e todas as outras feiras, v&#234;m dessa &#233;poca. &#201; bem poss&#237;vel que tamb&#233;m tenha sido por esta &#233;poca que come&#231;aram fen&#243;menos fon&#233;ticos &#8212; como a queda do /n/ e do /l/ intervoc&#225;licos &#8212; que deram forma &#224; l&#237;ngua, mas que s&#243; se encontrariam na escrita muito depois.</p><p>A palavra &#171;lua&#187;, por exemplo, que n&#227;o &#233; a &#171;luna&#187; castelhana, mas sim esta outra palavra mais curta e voc&#225;lica. Os falantes come&#231;aram a deixar cair os /n/ e os /l/ entre vogais. Porqu&#234;? N&#227;o sabemos. Foi, se quisermos, um erro que se cristalizou. Afinal, cada l&#237;ngua &#233; uma colec&#231;&#227;o de erros de l&#237;nguas anteriores. Todos falamos latim deturpado &#8212; mas o pr&#243;prio latim j&#225; era uma l&#237;ngua anterior deturpada. Assim se fazem as l&#237;nguas da humanidade.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://images.unsplash.com/photo-1479090793912-eb9929f4fdb2?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHxtb29ufGVufDB8fHx8MTc0NjM4Njc3M3ww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://images.unsplash.com/photo-1479090793912-eb9929f4fdb2?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHxtb29ufGVufDB8fHx8MTc0NjM4Njc3M3ww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 424w, https://images.unsplash.com/photo-1479090793912-eb9929f4fdb2?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHxtb29ufGVufDB8fHx8MTc0NjM4Njc3M3ww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 848w, https://images.unsplash.com/photo-1479090793912-eb9929f4fdb2?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHxtb29ufGVufDB8fHx8MTc0NjM4Njc3M3ww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1272w, https://images.unsplash.com/photo-1479090793912-eb9929f4fdb2?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHxtb29ufGVufDB8fHx8MTc0NjM4Njc3M3ww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1456w" sizes="100vw"><img src="https://images.unsplash.com/photo-1479090793912-eb9929f4fdb2?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHxtb29ufGVufDB8fHx8MTc0NjM4Njc3M3ww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080" width="264" height="229.36722650930548" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://images.unsplash.com/photo-1479090793912-eb9929f4fdb2?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHxtb29ufGVufDB8fHx8MTc0NjM4Njc3M3ww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1914,&quot;width&quot;:2203,&quot;resizeWidth&quot;:264,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;moon&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="moon" title="moon" srcset="https://images.unsplash.com/photo-1479090793912-eb9929f4fdb2?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHxtb29ufGVufDB8fHx8MTc0NjM4Njc3M3ww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 424w, https://images.unsplash.com/photo-1479090793912-eb9929f4fdb2?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHxtb29ufGVufDB8fHx8MTc0NjM4Njc3M3ww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 848w, https://images.unsplash.com/photo-1479090793912-eb9929f4fdb2?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHxtb29ufGVufDB8fHx8MTc0NjM4Njc3M3ww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1272w, https://images.unsplash.com/photo-1479090793912-eb9929f4fdb2?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwyfHxtb29ufGVufDB8fHx8MTc0NjM4Njc3M3ww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Foto de <a>Pedro Lastra</a> em <a href="https://unsplash.com">Unsplash</a></figcaption></figure></div><p></p><h3><strong>4. AZUL</strong></h3><p>No s&#233;culo VIII, a Pen&#237;nsula Ib&#233;rica passa a estar, em grande parte, sob controlo mu&#231;ulmano. A presen&#231;a v&#234;-se na l&#237;ngua: h&#225; muitas palavras de origem &#225;rabe &#8212; e tamb&#233;m de origem persa com passagem pelo &#225;rabe. Palavras t&#227;o importantes como &#171;a&#231;&#250;car&#187; ou &#171;laranja&#187; ou &#171;azul&#187;&#8230; N&#227;o h&#225; dia que um portugu&#234;s n&#227;o use palavras de origem &#225;rabe.</p><p>Vemos como a l&#237;ngua portuguesa testemunha a respira&#231;&#227;o dos imp&#233;rios e a for&#231;a das guerras desses tempos. A expans&#227;o dos reinos crist&#227;os de norte para sul, em cinco faixas, traz os v&#225;rios dialectos latinos de norte para sul, misturando-os com o mo&#231;&#225;rabe, l&#237;ngua latina com forte influ&#234;ncia &#225;rabe, falada no sul da Pen&#237;nsula.</p><p>O romance do noroeste da Pen&#237;nsula chega a Lisboa no s&#233;culo XII, com o Reino de Portugal, e mistura-se com o mo&#231;&#225;rabe e com o &#225;rabe. H&#225; que dizer que haveria tamb&#233;m l&#237;nguas do Norte de &#193;frica nesta mistura &#8212; muito est&#225; por fazer para saber a influ&#234;ncia dessas l&#237;nguas no portugu&#234;s. H&#225; quem diga, por exemplo, que &#171;azul&#187; n&#227;o nos chegou pelo &#225;rabe, mas tem origem amazigh (as l&#237;nguas que chamamos, por vezes, de berberes). Como a aten&#231;&#227;o dada a estas l&#237;nguas pela historiografia portuguesa foi muito vaga, n&#227;o &#233; imposs&#237;vel que, de facto, nos tenham escapado muitas palavras do Norte de &#193;frica na nossa l&#237;ngua.</p><p>Chegamos agora &#224; palavra que &#233; o nome da l&#237;ngua:</p><h3><strong>5. PORTUGU&#202;S</strong></h3><p>O Reino de Portugal assume o romance do Noroeste &#8212; a que podemos chamar galego ou, numa inven&#231;&#227;o terminol&#243;gica muito posterior, galego-portugu&#234;s &#8212; como l&#237;ngua da administra&#231;&#227;o, com especial for&#231;a no reinado de D. Dinis.</p><p>No entanto, s&#243; no s&#233;culo XV algu&#233;m escreve o nome &#171;portugu&#234;s&#187; como nome da l&#237;ngua: o infante D. Pedro, no pref&#225;cio de uma tradu&#231;&#227;o de C&#237;cero.</p><p>Durante o s&#233;culo XVI, depois da expans&#227;o da imprensa pela Europa, o portugu&#234;s ganha gram&#225;ticas e come&#231;a a padronizar-se lentamente. &#201; tamb&#233;m esta a &#233;poca do apogeu da influ&#234;ncia castelhana, uma das l&#237;nguas da corte. O castelhano era l&#237;ngua de prest&#237;gio e o portugu&#234;s enche-se de palavras e constru&#231;&#245;es dessa l&#237;ngua pr&#243;xima. &#201; a primeira das l&#237;nguas de prest&#237;gio que oferecem materiais ao portugu&#234;s; ainda veremos outras duas antes de chegar ao final desta hist&#243;ria.</p><p>No s&#233;culo XVI, a l&#237;ngua a que chamamos portugu&#234;s tem materiais asi&#225;ticos (&#225;rabes e persas), norte-africanos, celtas, castelhanos e, certamente, de outras paragens que n&#227;o reconhecemos. &#201; um latim j&#225; misturado, com tintas de toda essa massa continental que chamamos o Velho Mundo. Olhando para a composi&#231;&#227;o qu&#237;mica da nossa l&#237;ngua, vemos a hist&#243;ria da Antiguidade.</p><p>O portugu&#234;s come&#231;a a sair da Europa na expans&#227;o. Este &#233; o segundo momento da nossa hist&#243;ria. A presen&#231;a do portugu&#234;s noutras l&#237;nguas &#233; o testemunho da hist&#243;ria da Modernidade, com tudo o que tem de bom e mau. A hist&#243;ria &#233; longa e sofrida.</p><p>A primeira palavra que trago &#233; de outra l&#237;ngua:</p><h3><strong>6. PAPIAR (do crioulo cabo-verdiano)</strong></h3><p>O portugu&#234;s chega a &#193;frica, &#193;sia &#8212; e tamb&#233;m &#224; Am&#233;rica. Comecemos por &#193;frica: para l&#225; da presen&#231;a, crescente, do portugu&#234;s em v&#225;rios pa&#237;ses, temos tamb&#233;m palavras de origem portuguesa em v&#225;rias l&#237;nguas. Por exemplo, a palavra &#225;rabe para laranja, tal como a palavra turca, grega e em muitas outros idiomas, parece ter origem no nome de &#171;Portugal&#187;.</p><p>Mas continuemos para l&#225; dessas curiosidades. No meio do Atl&#226;ntico, temos hoje Cabo Verde, com uma popula&#231;&#227;o de origem africana e europeia, que fala o cabo-verdiano, a que chamamos, sem mais, <em>crioulo</em>, embora haja muitas outras l&#237;nguas crioulas. Do outro lado do Atl&#226;ntico, por exemplo, encontramos o crioulo <em>papiamento</em>, que parece ter uma rela&#231;&#227;o forte com o cabo-verdiano e &#233; oficial em ilhas das Cara&#237;bas. O pr&#243;prio nome parece vir de &#171;papiar&#187;, uma palavra cabo-verdiana.</p><p>Os crioulos s&#227;o testemunho da cruel hist&#243;ria do Atl&#226;ntico e do seu tr&#225;fico de escravos, mas tamb&#233;m &#8212; e acima de tudo &#8212; da capacidade lingu&#237;stica dos seres humanos: em situa&#231;&#245;es de transmiss&#227;o lingu&#237;stica parcial, as novas gera&#231;&#245;es criaram l&#237;nguas novas, com uma gram&#225;tica diferente e com vocabul&#225;rio apanhado do que ouviam em redor. A criatividade lingu&#237;stica dos seres humanos est&#225; sempre &#224; espreita para florescer.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://images.unsplash.com/photo-1669422592605-3ba027106c47?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHw0Mnx8bWFwYSUyMGNhYm8lMjB2ZXJkZXxlbnwwfHx8fDE3NDYzODY4NTF8MA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://images.unsplash.com/photo-1669422592605-3ba027106c47?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHw0Mnx8bWFwYSUyMGNhYm8lMjB2ZXJkZXxlbnwwfHx8fDE3NDYzODY4NTF8MA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 424w, 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href="https://unsplash.com">Unsplash</a></figcaption></figure></div><p></p><p>Chegou agora a hora de atravessar o Atl&#226;ntico, tal como muitos escravos fizeram, e encontrar a palavra (quase inevit&#225;vel)&#8230;</p><h3><strong>7. SAMBA</strong></h3><p>Na Am&#233;rica, a que cham&#225;mos o Novo Mundo, o portugu&#234;s transformou-se. Uma primeira fase foi de imensa modifica&#231;&#227;o, com a l&#237;ngua a recriar-se na boca de ind&#237;genas, escravos e colonos, ao lado das chamadas l&#237;nguas gerais, de origem tupi-guarani, faladas por muitos. O portugu&#234;s do Brasil ainda tem hoje, na oralidade, muito dessa primeira fase.</p><p>Depois, no final do s&#233;culo XVIII e no s&#233;culo XIX, o portugu&#234;s padronizou-se tamb&#233;m no Brasil e o novo Estado assumiu a norma da l&#237;ngua tal como a encontrava nas obras portuguesas; muito mudou, entretanto, e estas duas formas &#8212; uma oral, com origem no s&#233;culo XVI, e outra escrita, com origem no s&#233;culo XIX, contaminaram-se e pintam hoje um quadro lingu&#237;stico muito complexo.</p><p>O portugu&#234;s do Brasil &#233; outra hist&#243;ria, testemunho da hist&#243;ria da Am&#233;rica, do Brasil, da Humanidade, muito, mas mesmo muito para l&#225; deste recanto europeu onde o latim tinha vindo parar mais de 1000 anos antes.</p><p>A palavra &#171;samba&#187;, entre tantas outras, serve de mostra dessa origem africana, europeia e americana do portugu&#234;s do Brasil.</p><p>Naveguemos at&#233; ao &#205;ndico. A nossa oitava palavra &#233;, em sua&#237;li, o nome de Portugal:</p><h3><strong>8. URENO</strong></h3><p>&#8230; uma transforma&#231;&#227;o da palavra &#171;REINO&#187;, a palavra que os habitantes das costas africanas do &#205;ndico ouviam dos navegadores a caminho da &#205;ndia.</p><p>No &#205;ndico, o portugu&#234;s transformou-se em <em>lingua franca</em>, usada por portugueses, mas tamb&#233;m por outros europeus, como os holandeses, e pelas popula&#231;&#245;es locais para contactar com europeus. Ainda hoje encontramos l&#237;nguas de origem portuguesa em pa&#237;ses como o Sri Lanka e centenas de palavras portuguesas em l&#237;nguas como o indon&#233;sio.</p><p>Tamb&#233;m encontramos palavras portuguesas no japon&#234;s, como sabemos. N&#227;o, ao contr&#225;rio do que se diz, &#171;arigato&#187;, mas a palavra japonesa para &#171;p&#227;o&#187;, s&#243; para dar um exemplo &#8212; ou ainda, para dar outro exemplo, &#171;igirisu&#187;, que significa &#171;ingl&#234;s&#187;, mostrando como os portugueses foram quem apresentou a muitos asi&#225;ticos os europeus, agora vindos do mar e n&#227;o das longas rotas terrestres.</p><p>Olhemos agora para uma palavra muito diferente, talvez inesperada neste contexto:</p><h3><strong>9. FETICHE</strong></h3><p>O portugu&#234;s andou pelo mundo e trouxe de volta palavras ou deu-lhes novos significados. Por exemplo, a palavra &#171;fetiche&#187;, que encontramos com formas diferentes em muitas l&#237;nguas, tem origem no &#171;feiti&#231;o&#187; portugu&#234;s, um velho voc&#225;bulo que j&#225; tinha vindo do latim com o sentido de qualquer coisa artificial. Uma coisa posti&#231;a, ou seja, <em>feiti&#231;a</em>. Podemos demorar um pouco mais na hist&#243;ria desta palavra, porque diz-nos muito sobre a hist&#243;ria do mundo dos &#250;ltimos s&#233;culos.</p><p>Os navegadores portugueses, aportados na Costa do Ouro, um territ&#243;rio long&#237;nquo que pouco conheciam, encontraram objectos m&#225;gicos, idolatrados por quem ali vivia. Eram amuletos, que existem em todas as culturas (afinal, os navegadores tamb&#233;m levavam as suas cruzes), mas que, nas m&#227;os dos outros, ganham um ar m&#225;gico e ex&#243;tico.</p><p>Estes objectos pouco naturais ganharam o nome de feiti&#231;os, uma palavra que depois ganhou tamb&#233;m o pr&#243;prio significado de <em>efeito m&#225;gico</em>.</p><p>Ora, de regresso &#224; Europa a bordo das caravelas, ou melhor, das bocas dos navegadores, a palavra portuguesa foi usada por escritores do Norte da Europa para descrever os h&#225;bitos e costumes da Costa do Ouro.</p><p>O primeiro, que se saiba, foi o explorador holand&#234;s Pieter de Marees, que em 1602 usou a palavra na obra <em>Descri&#231;&#227;o e Relato Hist&#243;rico do Reino do Ouro da Guin&#233;</em> &#8212; mas em holand&#234;s &#8212; para designar os amuletos usados pelos habitantes da zona. L&#225; pelo meio da obra aparecia a palavra &#171;fetissos&#187; (n&#227;o nos queixemos da maneira como aparece escrita; nem n&#243;s t&#237;nhamos uma ortografia est&#225;vel para as nossas palavras, quanto mais os holandeses).</p><p>A obra foi traduzida para franc&#234;s poucos anos depois e o tradutor aproveitou a importa&#231;&#227;o &#171;fetissos&#187;. A palavra chegou assim &#224; l&#237;ngua que, &#224; &#233;poca, era bem capaz de a espalhar pela Europa toda. Com o tempo, os franceses come&#231;aram a escrever &#171;f&#233;tiche&#187; &#8212; e os ingleses rapidamente a puxaram para a sua l&#237;ngua, como &#233; costume, agora na forma &#171;fetish&#187;.</p><p>Adoptada pelo franc&#234;s e pelo ingl&#234;s, a palavra tinha o futuro garantido&#8230;</p><p>No final do s&#233;culo XIX, come&#231;ou a ser usada para definir uma fixa&#231;&#227;o sexual num objecto ou parte do corpo &#8212; um tipo muito particular de idolatria. A partir deste sentido mais restrito, alargou-se de novo, num jogo de inspira&#231;&#227;o e expira&#231;&#227;o, ganhando conota&#231;&#245;es mais gerais &#8212; podemos ter um fetiche por livros amarelos, por exemplo.</p><p>A partir do ingl&#234;s e do franc&#234;s, &#171;fetiche&#187; espalhou-se pelas l&#237;nguas da Europa e regressou, qual palavra bumerangue, ao portugu&#234;s, vinda dos p&#233;rfidos mares do Norte, agora mais atrevida e sabida &#8212; as viagens mudam uma pessoa e mudam as palavras ainda mais.</p><p>Como disse, esta hist&#243;ria mostra-nos muito sobre o mundo e sobre as l&#237;nguas: a forma como as palavras viajam e mudam; a for&#231;a do franc&#234;s, primeiro, e do ingl&#234;s depois como l&#237;nguas da ci&#234;ncia, em substitui&#231;&#227;o do latim; a maneira como as l&#237;nguas emprestam palavras umas &#224;s outras e como se criam terminologias cient&#237;ficas e t&#233;cnicas e como, depois, esses mesmos termos se transformam em novas palavras.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><p>Interrompo agora um pouco esta nossa viagem por dez palavras. Ainda falta uma &#250;ltima, que nos vai fazer olhar para o futuro da l&#237;ngua.</p><p>Antes disso, volto &#224; origem, ao Noroeste da Pen&#237;nsula. Note-se que o romance do noroeste peninsular &#233; agora a l&#237;ngua de Portugal, mas tamb&#233;m da Galiza, onde s&#243; foi padronizada nos &#250;ltimos 50 anos, mas era falada por praticamente todos at&#233; h&#225; muito pouco tempo. Se algu&#233;m atravessasse a fronteira entre Portugal e a Galiza no final do s&#233;culo XIX n&#227;o encontraria grandes diferen&#231;as entre as falas das aldeias de um lado e de outro.</p><p>Entretanto, as l&#237;nguas europeias tinham passado por um processo de padroniza&#231;&#227;o muito acelerado, motivado pela expans&#227;o do conceito de Estado-na&#231;&#227;o. Cada Estado escolhe uma l&#237;ngua e uma forma particular dessa l&#237;ngua como l&#237;ngua oficial. A literatura nesse padr&#227;o torna-se s&#237;mbolo nacional. A terminologia t&#233;cnica nessas l&#237;nguas tamb&#233;m se padroniza, por vezes internacionalmente.</p><p>V&#225;rias outras l&#237;nguas ficaram invis&#237;veis, apesar de faladas, e entre elas o galego. No entanto, foi tamb&#233;m nesta &#233;poca que algumas destas outras l&#237;nguas, no contexto do Romantismo oitocentista, explodiram em v&#225;rios renascimentos liter&#225;rios que tentavam recuperar um passado medieval. Tamb&#233;m o galego voltou em for&#231;a &#224; escrita e &#224; literatura.</p><p>Hoje, se andarmos pela Galiza, vamos tamb&#233;m encontrar as velhas palavras portuguesas nas placas, como recorda&#231;&#227;o que a hist&#243;ria come&#231;ou ali. A fronteira a norte de Portugal &#233; uma linha que divide o territ&#243;rio onde o portugu&#234;s surgiu e que mostra como as l&#237;nguas dos estados tiveram uma sorte muito diferente das l&#237;nguas que n&#227;o s&#227;o dos estados.</p><p>Tamb&#233;m a&#237; temos a hist&#243;ria do mundo: a cria&#231;&#227;o dos padr&#245;es das l&#237;nguas nacionais em paralelo &#224; defesa das l&#237;nguas que ficaram de fora dessa hist&#243;ria.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://images.unsplash.com/photo-1524919294600-adac06e821d0?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGlzYm9hfGVufDB8fHx8MTc0NjM4NjkxOXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://images.unsplash.com/photo-1524919294600-adac06e821d0?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGlzYm9hfGVufDB8fHx8MTc0NjM4NjkxOXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 424w, https://images.unsplash.com/photo-1524919294600-adac06e821d0?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGlzYm9hfGVufDB8fHx8MTc0NjM4NjkxOXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 848w, https://images.unsplash.com/photo-1524919294600-adac06e821d0?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGlzYm9hfGVufDB8fHx8MTc0NjM4NjkxOXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1272w, https://images.unsplash.com/photo-1524919294600-adac06e821d0?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGlzYm9hfGVufDB8fHx8MTc0NjM4NjkxOXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1456w" sizes="100vw"><img src="https://images.unsplash.com/photo-1524919294600-adac06e821d0?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGlzYm9hfGVufDB8fHx8MTc0NjM4NjkxOXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080" width="273" height="204.75" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://images.unsplash.com/photo-1524919294600-adac06e821d0?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGlzYm9hfGVufDB8fHx8MTc0NjM4NjkxOXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:2442,&quot;width&quot;:3256,&quot;resizeWidth&quot;:273,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;concrete bridge at night time&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="concrete bridge at night time" title="concrete bridge at night time" srcset="https://images.unsplash.com/photo-1524919294600-adac06e821d0?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGlzYm9hfGVufDB8fHx8MTc0NjM4NjkxOXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 424w, https://images.unsplash.com/photo-1524919294600-adac06e821d0?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGlzYm9hfGVufDB8fHx8MTc0NjM4NjkxOXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 848w, https://images.unsplash.com/photo-1524919294600-adac06e821d0?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGlzYm9hfGVufDB8fHx8MTc0NjM4NjkxOXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1272w, https://images.unsplash.com/photo-1524919294600-adac06e821d0?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGlzYm9hfGVufDB8fHx8MTc0NjM4NjkxOXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Foto de <a>Ricardo Rocha</a> em <a href="https://unsplash.com">Unsplash</a></figcaption></figure></div><p>Des&#231;amos at&#233; Lisboa e oi&#231;amos algu&#233;m a conversar entre amigos. Pode ser que surja a palavra&#8230;</p><h3><strong>10. BU&#201;</strong></h3><p>&#201; uma palavra que &#233; desconhecida dos brasileiros, por exemplo. Quer dizer &#171;muito&#187;. H&#225; v&#225;rias teorias sobre a sua origem, mas a mais comum diz-nos que veio de uma palavra do quimbundo, uma l&#237;ngua de Angola.</p><p>Ter&#225; sido trazida para Portugal no momento da descoloniza&#231;&#227;o, por quem retornou &#224; metr&#243;pole e por todos os africanos que vieram para Portugal, sendo mais um testemunho da Hist&#243;ria: as independ&#234;ncias do mundo durante o s&#233;culo XX e os grandes movimentos populacionais das &#250;ltimas d&#233;cadas.</p><p>Esta palavra africana no meio de Lisboa servir&#225; tamb&#233;m como lembran&#231;a de que o futuro do portugu&#234;s passa por &#193;frica. A l&#237;ngua est&#225; a crescer tremendamente neste continente e n&#227;o espantar&#225; que seja aqui que resida o maior n&#250;mero de falantes dentro de algumas d&#233;cadas.</p><p>Foi uma hist&#243;ria contada em poucos minutos: vimos, espero, como a l&#237;ngua portuguesa, tal como &#233; falada hoje, tem vest&#237;gios de hist&#243;rias muito antigas, desde o Imp&#233;rio Romano, a Rota da Seda, a expans&#227;o isl&#226;mica, a expans&#227;o dos povos ib&#233;ricos pelo mundo, o tr&#225;fico de escravos, a hist&#243;ria do &#205;ndico, o desenvolvimento das l&#237;nguas nacionais, a import&#226;ncia do franc&#234;s e do ingl&#234;s como l&#237;nguas da ci&#234;ncia &#8212; e, agora, o crescimento de &#193;frica. Tudo isto est&#225; inscrito nas palavras que usamos, testemunhos da hist&#243;ria do mundo.</p><p><em>Esta cr&#243;nica come&#231;ou como confer&#234;ncia dada, em 2023, na Universidade de Cartago aos alunos de Portugu&#234;s, a convite da Prof.&#170; Maria de Lurdes Ferreira, leitora do Instituto Cam&#245;es. Dedico-a a Anis Mokni, tradutor tunisino e professor de Portugu&#234;s.</em></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Conversas no Brasil: Salvador e Brasília]]></title><description><![CDATA[Ol&#225;! Esta semana vou estar no Brasil, a convite do Consulado-Geral de Portugal em Salvador e da Embaixada de Portugal em Bras&#237;lia, para comemorar o Dia Mundial da L&#237;ngua Portuguesa.]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/conversas-no-brasil-salvador-e-brasilia</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/conversas-no-brasil-salvador-e-brasilia</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Mon, 04 May 2026 13:50:32 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FK8F!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;!</p><p>Esta semana vou estar no Brasil, a convite do Consulado-Geral de Portugal em Salvador e da Embaixada de Portugal em Bras&#237;lia, para comemorar o Dia Mundial da L&#237;ngua Portuguesa.</p><p><strong>No dia 5 de Maio, estarei &#224;s 14h no Gabinete Portugu&#234;s de Leitura de Salvador da Bahia para conversar sobre a nossa l&#237;ngua. A entrada &#233; livre.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dEMk!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dEMk!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dEMk!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dEMk!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dEMk!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dEMk!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg" width="221" height="221" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:225,&quot;width&quot;:225,&quot;resizeWidth&quot;:221,&quot;bytes&quot;:21054,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/i/196296959?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dEMk!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dEMk!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dEMk!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dEMk!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b26a902-5a4f-4069-a997-fc8f04fdb221_225x225.jpeg 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div></div></div></a></figure></div><p><strong>No dia 6 de Maio, estarei &#224;s 19h no CAM&#213;ES &#8212;&nbsp;Centro Cultural Portugu&#234;s, em Bras&#237;lia, para falar sobre a hist&#243;ria da l&#237;ngua portuguesa. A entrada tamb&#233;m &#233; livre.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FK8F!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FK8F!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FK8F!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FK8F!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FK8F!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FK8F!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg" width="163" height="202.14469696969698" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1637,&quot;width&quot;:1320,&quot;resizeWidth&quot;:163,&quot;bytes&quot;:358676,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/i/196296959?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FK8F!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FK8F!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FK8F!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FK8F!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1b559380-0f48-44e0-a090-0d89e80538af_1320x1637.jpeg 1456w" sizes="100vw"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Tamb&#233;m fui convidado para conversar com alunos e professores, no dia 4 de Maio, &#224;s 15h, no Audit&#243;rio Jos&#233; Rocha Laranjeira, do DCET-I (UNEB). Quem quiser participar pode inscrever-se atrav&#233;s do endere&#231;o catedrafidelino@uneb.br.</p><p>Por fim, haver&#225; uma conversa <em>online</em> a que todos podem assistir. Ser&#225; &#224;s 10h (hora de Bras&#237;lia), 16h (hora de Lisboa), no dia 5 de Maio.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sKzw!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Faecdc86f-492e-4237-a7d3-94a78fffdd27_1080x1350.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sKzw!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Faecdc86f-492e-4237-a7d3-94a78fffdd27_1080x1350.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sKzw!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Faecdc86f-492e-4237-a7d3-94a78fffdd27_1080x1350.png 848w, 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pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Cervantes e Shakespeare morreram no mesmo dia?]]></title><description><![CDATA[No Dia do Livro, descobrimos como os dois gigantes da literatura nasceram no mesmo dia &#8212; ou talvez n&#227;o.]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/cervantes-e-shakespeare-morreram-1d0</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/cervantes-e-shakespeare-morreram-1d0</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Thu, 23 Apr 2026 08:06:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://images.unsplash.com/photo-1533669955142-6a73332af4db?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=MnwzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHw1fHxib29rJTIwZGF5fGVufDB8fHx8MTY4MjIzOTE5OA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://images.unsplash.com/photo-1533669955142-6a73332af4db?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=MnwzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHw1fHxib29rJTIwZGF5fGVufDB8fHx8MTY4MjIzOTE5OA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://images.unsplash.com/photo-1533669955142-6a73332af4db?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=MnwzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHw1fHxib29rJTIwZGF5fGVufDB8fHx8MTY4MjIzOTE5OA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 424w, https://images.unsplash.com/photo-1533669955142-6a73332af4db?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=MnwzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHw1fHxib29rJTIwZGF5fGVufDB8fHx8MTY4MjIzOTE5OA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 848w, 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fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Foto de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@diesektion">Robert Anasch</a> em <a href="https://unsplash.com">Unsplash</a></figcaption></figure></div><p>S&#227;o Jorge morreu no ano de 303 (j&#225; l&#225; v&#227;o uns tempos), no dia 23 de Abril. O santo tornou-se padroeiro de muitos lugares por esse mundo fora, entre eles a velha Catalunha. Por l&#225;, diz a lenda que as gotas de sangue de um dos drag&#245;es vencidos por <em>Sant Jordi</em> (a vers&#227;o catal&#227; do santo) fizeram brotar uma roseira da terra. Os cavaleiros medievais n&#227;o tiveram outra op&#231;&#227;o que n&#227;o oferecer uma rosa &#224;s suas amadas sempre que o calend&#225;rio chegava ao dia 23 de Abril.</p><p>Na Catalunha, o dia tornou-se um dia dos namorados muito pr&#243;prio, em que se trocavam rosas. H&#225; 100 anos, numa daquelas reviravoltas que sempre se d&#227;o nas lendas e tradi&#231;&#245;es, os livreiros de Barcelona conseguiram, &#224; for&#231;a de imaginar, p&#244;r um livro dentro da lenda &#8212; e come&#231;ou a ser costume oferecer rosas <em>e livros</em>.</p><p>O dia foi crescendo, tornou-se num dos s&#237;mbolos da cultura catal&#227; &#8212; e hoje &#233; imposs&#237;vel andar pelas ruas de Barcelona sem perceber que &#233; um dia muito especial.</p><p>Que temos n&#243;s que ver com isto? Bem, para dizer a verdade, j&#225; que importamos tanta coisa, n&#227;o custa nada importar esta bela tradi&#231;&#227;o. Mas h&#225; mais: a UNESCO declarou 23 de Abril como o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Al&#233;m da tradi&#231;&#227;o catal&#227; de oferecer livros, muito ajudou que este fosse tamb&#233;m o dia em que, corria o ano de 1616, Shakespeare e Cervantes morreram.</p><p>Os dois gigantes da literatura morreram no mesmo dia &#8212; claro que tinha de ser este o Dia do Livro!</p><p>S&#243; que n&#227;o: os dois pa&#237;ses tinham calend&#225;rios diferentes e, embora a data fosse a mesma, os dois escritores morreram com duas semanas de diferen&#231;a. A coincid&#234;ncia continua a ser espantosa &#8212; ou talvez nem por isso, se tivermos em conta que Cervantes, na verdade, morreu no dia 22 de Abril, mas o &#243;bito s&#243; foi registado no dia seguinte. </p><p>Digamos apenas que j&#225; &#233; suficiente coincid&#234;ncia que tais g&#233;nios tenham partilhado o mundo durante d&#233;cadas.</p><p>Feliz Dia do Livro!</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscrever-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><strong>Assine para receber todos os artigos e apoiar o meu trabalho. 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Aqui fica a liga&#231;&#227;o.</p><p>At&#233; j&#225;!</p><div id="youtube2-71_5zKGCnkM" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;71_5zKGCnkM&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/71_5zKGCnkM?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Viagem por cinco línguas até à minha sobrinha Olívia]]></title><description><![CDATA[Em 2018, publiquei um texto para dar as boas-vindas &#224; minha sobrinha Olivia, que nascera tr&#234;s dias antes. Como ela hoje faz oito anos, aqui fica o texto de novo. Parab&#233;ns, Ol&#237;via!]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/viagem-por-cinco-linguas-ate-a-minha-dec</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/viagem-por-cinco-linguas-ate-a-minha-dec</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Sat, 11 Apr 2026 20:12:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gSe0!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd81ae597-29ab-4323-901e-de72cbfe2f35_716x461.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gSe0!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd81ae597-29ab-4323-901e-de72cbfe2f35_716x461.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gSe0!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd81ae597-29ab-4323-901e-de72cbfe2f35_716x461.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gSe0!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd81ae597-29ab-4323-901e-de72cbfe2f35_716x461.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gSe0!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd81ae597-29ab-4323-901e-de72cbfe2f35_716x461.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gSe0!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd81ae597-29ab-4323-901e-de72cbfe2f35_716x461.png 1456w" sizes="100vw"><img 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>H&#225; tr&#234;s dias, nasceu a minha sobrinha mais nova, a Olivia &#8212; nasceu em Cambridge e, por isso, n&#227;o pude correr a ir visit&#225;-la, como me apetecia. A vida &#233; assim. Em compensa&#231;&#227;o, fa&#231;o uma daquelas viagens pelas palavras que j&#225; v&#227;o sendo habituais por estas paragens.</p><p>Comecemos ent&#227;o em Lisboa e acabemos em Cambridge. Quais as formas da palavra &#171;sobrinha&#187; que encontramos pelo caminho?</p><p>Antes de partirmos, olhemos com aten&#231;&#227;o para a palavra na nossa pr&#243;pria l&#237;ngua. Diga o leitor, devagar: &#171;sobrinha&#187;. Parece um diminutivo, mas n&#227;o &#233;. &#201; como &#171;farinha&#187;, &#171;cozinha&#187; e outras quantas palavras. S&#243; que, neste caso, o &#171;inha&#187; de &#171;sobrinha&#187;, n&#227;o sendo um diminutivo, mant&#233;m o ar de carinho&#8230; Mas quando queremos mesmo amaciar a palavra, diremos &#171;sobrinhinha&#187;? Raramente, que este &#171;nh&#187; parece n&#227;o gostar muito de repeti&#231;&#245;es&#8230; Enfim, a l&#237;ngua l&#225; nos d&#225; outras ferramentas: &#171;a minha linda sobrinha&#187;, por exemplo.</p><p>Avancemos, que at&#233; chegar a Cambridge ainda h&#225; muito que andar (sei-o bem, que j&#225; fiz a viagem mesmo a s&#233;rio; aventuras que ficam para outro dia).</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><h3><strong>&#171;Sobrina&#187;</strong></h3><p>A nossa carripana imagin&#225;ria avan&#231;a pela pen&#237;nsula. J&#225; pass&#225;mos Vilar Formoso. J&#225; pass&#225;mos Salamanca (a paragem valeu bem a pena). Estamos na zona de Burgos, mas n&#227;o paramos, que se faz tarde.</p><p>Percebemos, no entanto, que por estas paragens bem castelhanas a palavra se diz &#171;sobrina&#187; &#8212; ou seja, a l&#237;ngua vizinha obriga os seus falantes a abrir mais as vogais e, chegados ao princ&#237;pio da &#250;ltima s&#237;laba, descem um pouco a l&#237;ngua em compara&#231;&#227;o com o som &#224; portuguesa. Experimente o leitor: a diferen&#231;a entre &#171;nh&#187; (ou &#171;&#241;&#187;) e &#171;n&#187; &#233; a posi&#231;&#227;o da l&#237;ngua em rela&#231;&#227;o aos dentes. O &#171;nh&#187; &#233; palatal, ou seja, a l&#237;ngua encosta-se ao palato, l&#225; bem em cima. J&#225; o &#171;n&#187; encosta a l&#237;ngua aos dentes. Sim, os sons da l&#237;ngua n&#227;o s&#227;o letras: s&#227;o vibra&#231;&#245;es do ar ao passar pelos &#243;rg&#227;os na garganta e na boca &#8212; a maneira como posicionamos esses &#243;rg&#227;os &#233; que origina as diferen&#231;as de som necess&#225;rias para criar frases com algum sentido&#8230;</p><p>J&#225; t&#237;nhamos descoberto este truque h&#225; muito tempo quando invent&#225;mos as letras &#8212; que s&#227;o rabiscos para prender as palavras ao papel. Ora, &#233; precisamente por n&#227;o haver o tal som palatal &#171;nh&#187; no latim que as l&#237;nguas que dele descendem tiveram de se arranjar sozinhas ao passar os sons para a escrita: n&#243;s enfi&#225;mos ali um &#171;h&#187; para obrigar a l&#237;ngua a subir; os franceses t&#234;m o &#171;gn&#187;; j&#225; os espanh&#243;is duplicaram o &#171;n&#187; &#8212; com o tempo, o segundo &#171;n&#187; come&#231;ou a ser escrito por cima do primeiro at&#233; se transformar numa pequena onda que n&#243;s conhecemos como til. Foi assim que nasceu essa letra t&#227;o espanhola: o &#171;&#241;&#187; &#8212; letra que, como vimos, n&#227;o existe em &#171;sobrina&#187;. A l&#237;ngua desce, pois ent&#227;o.</p><h3><strong>&#171;Iloba&#187;</strong></h3><p>A l&#237;ngua desce e n&#243;s subimos pelo mapa &#8212; j&#225; cheg&#225;mos ao cora&#231;&#227;o do territ&#243;rio onde se fala o basco. Por estes lados, a palavra &#171;sobrinho&#187; n&#227;o tem g&#233;nero: tanto se d&#225; que seja um rapaz ou uma rapariga. Tem, no entanto, muitos casos (e temo perder leitores com esta tabela, que veio <a href="https://es.wiktionary.org/wiki/iloba">desta p&#225;gina</a>, mas &#233; um risco que estou disposto a correr):</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ruup!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc84d3eb8-2541-4f32-8373-ece3a15c2e51_1450x1814.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ruup!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc84d3eb8-2541-4f32-8373-ece3a15c2e51_1450x1814.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ruup!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc84d3eb8-2541-4f32-8373-ece3a15c2e51_1450x1814.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ruup!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc84d3eb8-2541-4f32-8373-ece3a15c2e51_1450x1814.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ruup!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc84d3eb8-2541-4f32-8373-ece3a15c2e51_1450x1814.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ruup!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc84d3eb8-2541-4f32-8373-ece3a15c2e51_1450x1814.png" width="1450" height="1814" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c84d3eb8-2541-4f32-8373-ece3a15c2e51_1450x1814.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1814,&quot;width&quot;:1450,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:294109,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ruup!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc84d3eb8-2541-4f32-8373-ece3a15c2e51_1450x1814.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ruup!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc84d3eb8-2541-4f32-8373-ece3a15c2e51_1450x1814.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ruup!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc84d3eb8-2541-4f32-8373-ece3a15c2e51_1450x1814.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ruup!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc84d3eb8-2541-4f32-8373-ece3a15c2e51_1450x1814.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Muitos portugueses ter&#227;o aprendido latim ou alem&#227;o, l&#237;nguas com casos. At&#233; o portugu&#234;s ainda conserva os casos nalguns pronomes. Se eu digo &#171;Eu pinto-o.&#187; ou &#171;Ele pinta-me.&#187;, posso estar a falar das mesmas pessoas nas duas frases, mas na primeira o &#171;eu&#187; est&#225; no nominativo e na segunda est&#225; no acusativo. A palavra muda dependendo da fun&#231;&#227;o sint&#225;ctica que ocupa na frase.</p><p>Ou seja, l&#237;nguas com casos h&#225; muitas. Mas o basco&#8230; O basco &#233; outra coisa: tem estes casos todos que aparecem ali em cima e ainda por cima &#233; aquilo que os linguistas chamam de l&#237;ngua ergativa: o que significa isto? Que o mesmo nome tem uma forma base quando &#233; sujeito de um verbo intransitivo (a forma absolutiva) e uma forma diferente no caso de ser sujeito de um verbo transitivo (a forma ergativa). Neste &#250;ltimo caso, o complemento directo ter&#225; a forma absolutiva.</p><p>&#201; confuso? Vamos com exemplos: na frase &#171;A sobrinha cresceu.&#187;, a tradu&#231;&#227;o de sobrinha ser&#225; &#171;iloba&#187;; j&#225; na frase &#171;A sobrinha deu-me um livro.&#187;, a tradu&#231;&#227;o de &#171;sobrinha&#187; ser&#225; &#171;ilobak&#187; (&#233; sujeito de um verbo transitivo) e a palavra livro, essa sim, ficar&#225; na forma mais simples.&nbsp;Dois exemplos com frases bascas (que fui buscar ao <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ergative%E2%80%93absolutive_language">artigo da Wikip&#233;dia sobre este assunto</a>):</p><ul><li><p><em><strong>Martin</strong> etorri da.</em>&nbsp;&gt; <em><strong>O Martin</strong> chegou.</em></p></li><li><p><em><strong>Martinek</strong> Diego ikusi du. &gt; <strong>O Martin</strong> viu o Diego.</em></p></li></ul><p>Ou seja, a mesma palavra tem formas diferentes dependendo da transitividade do verbo. Eis uma pequena amostra da estranheza da l&#237;ngua basca para os nossos c&#233;rebros habituados &#224;s l&#237;nguas latinas&#8230;</p><p>E, no entanto, esta l&#237;ngua assusta menos do que pensamos: das l&#237;nguas n&#227;o castelhanas de Espanha, &#233; a &#250;nica que tem subido em n&#250;mero de falantes nos &#250;ltimos anos.</p><h3><strong>&#171;Neboda&#187;</strong></h3><p>Por esta altura, o leitor deve estar aflito, a querer respirar nas &#225;guas conhecidas das l&#237;nguas latinas. Pois, fa&#231;o-lhe a vontade: cheg&#225;mos, depois de passar a fronteira, &#224; Fran&#231;a. Mas n&#227;o pensemos j&#225; na famos&#237;ssima l&#237;ngua francesa: a Fran&#231;a &#233; um pa&#237;s bem menos uniforme do que nos querem fazer crer. No que toca &#224;s l&#237;nguas, temos, por exemplo, o occitano, l&#237;ngua bem conhecida do tempo dos trovadores e a l&#237;ngua, ali&#225;s, em que escrevia um dos primeiros galardoados com o Pr&#233;mio Nobel da Literatura: Fr&#233;d&#233;ric Mistral.</p><p>Talvez o leitor se lembre de ouvir falar nas aulas de franc&#234;s das &#171;langues d&#8217;oc&#187;&#8230; Sim, &#233; a l&#237;ngua &#8212; ou grupo de l&#237;nguas &#8212; a que tamb&#233;m podemos chamar de <strong>oc</strong>citano (o tal &#171;oc&#187; est&#225; no in&#237;cio: &#233; a palavra para &#171;sim&#187;).</p><p>O occitano &#233; ainda falado em muitas zonas de Fran&#231;a &#8212; mas apenas &#233; oficial fora de Fran&#231;a, num cantinho da Catalunha chamado Vale de Aran, que tem tr&#234;s (!) l&#237;nguas oficiais: castelhano, catal&#227;o e aran&#234;s (o nome do occitano por aquelas bandas).</p><p>Esta &#171;neboda&#187; occitana (o masculino &#233; &#171;nebot&#187;) aparece tamb&#233;m no catal&#227;o. Para aqueles que ficam confundidos com essa l&#237;ngua e ora dizem que parece castelhano sem algumas letras ou franc&#234;s &#224; espanhola, fiquem portanto a saber: a l&#237;ngua mais pr&#243;xima do catal&#227;o &#233; o occitano. Ser&#225; por muito pouco que n&#227;o podemos dizer que o catal&#227;o &#233; uma das &#171;langues d&#8217;oc&#187;. Curiosamente, algo que lhe falta para ser uma verdadeira &#171;langue d&#8217;oc&#187; &#233; a pr&#243;pria palavra &#171;oc&#187; para dizer &#171;sim&#187;.</p><h3><strong>&#171;Ni&#232;ce&#187;</strong></h3><p>Nesta viagem imagin&#225;ria at&#233; Cambridge, temos uma catrefada de quil&#243;metros para fazer no territ&#243;rio da l&#237;ngua francesa. Depois, claro, chegamos ao Canal da Mancha, onde veremos, do outro lado, a brancura das fal&#233;sias de Dover (isto se n&#227;o nos enfiarmos num comboio que passa por baixo do mar).</p><p>Embora o que me tenha trazido aqui tenha sido a palavra &#171;sobrinha&#187;, n&#227;o posso deixar de pensar na maneira como h&#225; palavras que evocam imagens, poemas, certas ideias fugidias &#8212; mas s&#243; numa certa l&#237;ngua&#8230; Se eu disser &#171;Fal&#233;sias de Dover&#187;, estarei a dizer muito pouco. Se eu disser &#171;Cliffs of Dover&#187;, estarei a dizer muito mais. N&#227;o me alongo nestes pensamentos, certamente provocados pelas brumas da Mancha a rodearem-me a cabe&#231;a, enquanto espero a chegada &#224; ilha. Pe&#231;o apenas que o leitor guarde a palavra francesa na cabe&#231;a: &#171;ni&#232;ce&#187;. &#201; que, na escrita, &#233; mesmo parecida com a prima inglesa&#8230;</p><h3><strong>&#171;Niece&#187;</strong></h3><p>Ora, a minha sobrinha, em ingl&#234;s, &#233; &#171;my niece&#187;. Donde vem esta palavra? Diz-nos a <a href="https://en.wiktionary.org/wiki/niece">etimologia</a> que a palavra, andando para tr&#225;s no tempo, vem de &#171;nece&#187; no ingl&#234;s m&#233;dio, que por sua vez veio do &#171;nece&#187; do franc&#234;s antigo, que por sua vez tinha vindo do latim vulgar &#171;*neptia&#187; &#8212; palavra essa que foi beber &#224; forma indo-europeia &#171;*nepot-&#187;.</p><p>O tal franc&#234;s antigo veio substituir no ingl&#234;s a forma germ&#226;nica &#171;nifte&#187; &#8212; o ingl&#234;s &#233; uma l&#237;ngua germ&#226;nica invadida sem d&#243; nem piedade por vocabul&#225;rio &#224; latina. Esta invas&#227;o aconteceu de v&#225;rias maneiras &#8212; uma delas foi o prest&#237;gio do franc&#234;s normando durante bastante tempo. Os nobres falavam franc&#234;s e o povo falava ingl&#234;s, sem ningu&#233;m que cuidasse de tal l&#237;ngua. Ningu&#233;m cuidou da l&#237;ngua e ela aproveitou para saltitar pelo tempo, mudando sem vergonha e engolindo palavras sem pudor. No fim, quando o ingl&#234;s se tornou a l&#237;ngua da corte, era uma l&#237;ngua bem mudada, bem redondinha, com muitas palavras latinas no bucho.</p><p>&#192;s vezes entretenho-me a pensar: nesses s&#233;culos em que o ingl&#234;s era apenas o falar do povo e algu&#233;m que quisesse ser algu&#233;m tinha de falar franc&#234;s, se cheg&#225;ssemos ao p&#233; dum campon&#234;s ali como quem vai para Essex e lhe diss&#233;ssemos que o seu linguajar viria a ser ensinado at&#233; nas escolas de Fran&#231;a, o homem n&#227;o acreditaria. Que nos sirva de li&#231;&#227;o: ningu&#233;m faz a m&#237;nima ideia de qual ser&#225; a paisagem lingu&#237;stica daqui a uns 700 anos. O mais desprezado dos dialectos pode vir a ser a grande l&#237;ngua do futuro.</p><p>Volte o leitor atr&#225;s: repare nos asteriscos que usei h&#225; tr&#234;s par&#225;grafos: &#171;*neptia&#187; e &#171;*nepot&#187;. Estes asteriscos indicam que s&#227;o palavras reconstru&#237;das. N&#227;o temos forma de garantir que eram estas as palavras exactas: n&#227;o sobrou nenhum registo escrito&#8230; O proto-indo-europeu, a l&#237;ngua que deu origem &#224; grande maioria das l&#237;nguas da Europa, &#233; hoje conhecido atrav&#233;s da compara&#231;&#227;o muito atenta e sistem&#225;tica das v&#225;rias l&#237;nguas da fam&#237;lia &#8212; mas n&#227;o h&#225; um &#250;nico registo escrito de tal l&#237;ngua.</p><p>Para terminar, gostava s&#243; de apontar a aten&#231;&#227;o do leitor para o tal &#171;*nepot-&#187; reconstru&#237;do. Onde j&#225; o vimos? Bem, a palavra occitana (e catal&#227;) est&#225; extraordinariamente pr&#243;xima dessa forma antiqu&#237;ssima &#8212; e, vejam l&#225; bem as voltas que as l&#237;nguas d&#227;o, ainda vemos esta forma na nossa palavra &#171;nepotismo&#187;, a arte de dar primazia aos sobrinhos e demais familiares quando n&#227;o devemos.</p><p>A viagem foi longa, mas valeu a pena: foi em honra da Olivia, que agora est&#225; a dar os primeiros passos &#8212; ela que &#233; <strong>&#171;*nepot-&#187;</strong> minha e da Z&#233;lia e <strong>&#171;*d&#688;ugh&#8322;t&#7703;r&#187;</strong> do Diogo e da Sofia. Repare-se como a forma reconstru&#237;da dessa antiqu&#237;ssima l&#237;ngua desaparecida lembra a &#171;daughter&#187; inglesa, principalmente por causa do &#171;gh&#187; que, no ingl&#234;s, &#233; apenas um fantasma dum som desaparecido. (J&#225; a nossa palavra &#171;filha&#187; chegou at&#233; n&#243;s por outros caminhos, que isto das l&#237;nguas nunca &#233; linear.)</p><p>E assim viaj&#225;mos at&#233; Cambridge e, de l&#225;, at&#233; esse passado distante, para conhecermos algumas palavras duma l&#237;ngua falada h&#225; uns 5000 anos &#8212; foi a minha estranha maneira de dizer &#171;ol&#225;&#187; &#224; Olivia, que agora vive os seus primeiros dias e, daqui a uns meses, dir&#225; a primeira palavra. Ser&#225;&nbsp;<em>*m&#233;h&#8322;t&#275;r</em>?</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Lisboa, Porto, Funchal: três (ou quatro) convites]]></title><description><![CDATA[Ol&#225;! Nas pr&#243;ximas semanas, vou estar em v&#225;rias sess&#245;es p&#250;blicas sobre a l&#237;ngua e sobre livros.]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/lisboa-porto-funchal-tres-ou-quatro</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/lisboa-porto-funchal-tres-ou-quatro</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Mon, 16 Mar 2026 13:51:02 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ddgq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5f4d3960-ecfe-4ca0-8549-f1bbc18689a7_958x958.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;!</p><p>Nas pr&#243;ximas semanas, vou estar em v&#225;rias sess&#245;es p&#250;blicas sobre a l&#237;ngua e sobre livros. Aqui ficam os convites&#8230;</p><div><hr></div><h2>Lisboa | 17 MAR | <strong><a href="https://www.culturgest.pt/pt/programacao/cha-tisana-e-kombucha-humor-e-diferencas-culturais/">Ch&#225;, Tisana e Kombucha: Humor e Diferen&#231;as Culturais</a></strong></h2><p><strong>Marco Neves, Maria Jo&#227;o Cruz | Modera&#231;&#227;o: Pedro Vieira</strong></p><p><strong>O humor &#233; universal? Porque &#233; que, um pouco por todo o lado, contamos as mesmas piadas mudando apenas a nacionalidade dos intervenientes? Ou h&#225; humores culturais? Identit&#225;rios? Ser&#225; que em cada ch&#225; s&#243; cai um tipo de mosca?</strong></p><p><strong>17 MAR 2026 TER 19:00</strong></p><p><strong>Pequeno Audit&#243;rio da Culturgest em Lisboa</strong> | <strong><a href="https://www.culturgest.pt/pt/programacao/cha-tisana-e-kombucha-humor-e-diferencas-culturais/">Entrada gratuita</a></strong> mediante <a href="https://www.culturgest.pt/pt/programacao/cha-tisana-e-kombucha-humor-e-diferencas-culturais/">pr&#233;-inscri&#231;&#227;o</a> ou levantamento de bilhete 15 min. antes (sujeito &#224; lota&#231;&#227;o). Pr&#233;-inscri&#231;&#245;es n&#227;o levantadas ficam dispon&#237;veis 15 min. antes da confer&#234;ncia.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.culturgest.pt/pt/programacao/cha-tisana-e-kombucha-humor-e-diferencas-culturais/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Pr&#233;-inscri&#231;&#227;o gratuita&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.culturgest.pt/pt/programacao/cha-tisana-e-kombucha-humor-e-diferencas-culturais/"><span>Pr&#233;-inscri&#231;&#227;o gratuita</span></a></p><div><hr></div><h2>Porto | 21 MAR | <strong><a href="https://museudoporto.pt/recurso/uma-palavra-e-seus-discursos-pronuncia/">Uma palavra e seus discursos &#8212; &#171;PRON&#218;NCIA&#187;</a></strong></h2><p><strong>Rui Reininho e Marco Neves | Modera&#231;&#227;o: Nuno Camarneiro</strong></p><p><strong>O que dizemos e como o dizemos, o canto que levamos na voz de todos os dias, as palavras que trocamos, os sil&#234;ncios que partilhamos. N&#227;o existe uma pron&#250;ncia do Norte, h&#225; muitas pron&#250;ncias e muitos Nortes, h&#225; milhares de cidades escondidas nas almas e nas vozes portuenses.</strong></p><p><strong>21 MAR 2026 S&#193;B 21:30&#8211;23:00</strong></p><p><strong>Biblioteca Municipal Almeida Garrett | Entrada gratuita sujeita &#224; lota&#231;&#227;o do espa&#231;o</strong></p><div><hr></div><h2>Funchal | 25 MAR | <strong>Apresenta&#231;&#227;o dos livros </strong><em><strong><a href="https://www.guerraepaz.pt/produto/queria-ja-nao-quer-mitos-e-disparates-da-lingua-portuguesa/">Queria? J&#225; N&#227;o Quer?</a></strong></em><strong> e </strong><em><strong><a href="https://www.wook.pt/livro/as-raizes-da-lingua-marco-neves/33165164">As Ra&#237;zes da L&#237;ngua</a></strong></em></h2><p><strong>Marco Neves e Filipe Gon&#231;alves</strong></p><p><strong>Sess&#227;o de apresenta&#231;&#227;o do livro </strong><em><strong>Queria? J&#225; N&#227;o Quer</strong></em><strong> e ainda apresenta&#231;&#227;o do novo livro: </strong><em><strong>As Ra&#237;zes da L&#237;ngua</strong></em><strong>.</strong></p><p><strong>25 MAR 2026 QUA 18h | Feira do Livro do Funchal  | Palco | Entrada livre</strong></p><div><hr></div><p>E ainda&#8230;</p><p>Na quarta-feira, 18 de Mar&#231;o, irei participar numa <strong>sess&#227;o online gratuita organizada pela Associa&#231;&#227;o Portuguesa de Professores de Franc&#234;s</strong>. O t&#237;tulo &#233; <strong><a href="https://forms.gle/EkPw6SzqbxKYPASWA">&#8220;Palavras viajantes entre lusofonia e francofonia&#8221;</a></strong> e pode inscrever-se (gratuitamente) <strong><a href="https://forms.gle/EkPw6SzqbxKYPASWA">neste formul&#225;rio</a>.</strong> </p><p>Muito obrigado!</p><p>Um abra&#231;o,</p><p>Marco Neves<br></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Viajar no tempo em Lisboa]]></title><description><![CDATA[O artigo abaixo foi escrito em 2017, depois de um passeio por Lisboa com o Sim&#227;o e os meus sobrinhos Dinis e Martim.]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/viajar-no-tempo-em-lisboa</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/viajar-no-tempo-em-lisboa</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Sat, 07 Mar 2026 20:25:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0jkK!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3670de54-a83e-4de0-a266-36111706ff63_960x720.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0jkK!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3670de54-a83e-4de0-a266-36111706ff63_960x720.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0jkK!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3670de54-a83e-4de0-a266-36111706ff63_960x720.jpeg 424w, 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stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"></figcaption></figure></div><blockquote><p><strong>O artigo abaixo foi escrito em 2017, depois de um passeio por Lisboa com o Sim&#227;o e os meus sobrinhos Dinis e Martim. O Matias estava ainda na barriga da Z&#233;lia. Fiz pequenas revis&#245;es ao texto.</strong></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><h3><strong>Um passeio por Lisboa</strong></h3><p>No s&#225;bado passado, fomos &#224; Cordoaria Nacional. Para qu&#234;? Para ver dinossauros, que &#233; v&#237;cio tradicional das crian&#231;as depois dum filme de Spielberg cujo nome n&#227;o me apetece recordar.</p><p>Ora, terminada a visita &#224; exposi&#231;&#227;o, sa&#237;mos para a rua nessa quente tarde de Outono em que os gelados se misturavam com as castanhas. Demos a volta &#224; Cordoaria, em direc&#231;&#227;o ao carro, a deliciar-nos com a paisagem lisboeta.</p><p>Nesses poucos minutos de passeio a p&#233; pela Rua da Junqueira, acabei a viajar no tempo e, pouco depois, j&#225; no carro, ali para os lados dos Jer&#243;nimos, dei um salto imagin&#225;rio at&#233; Barcelona &#8212; para logo voltar at&#233; Lisboa e pensar na grande surpresa que se esconde nos Jer&#243;nimos.</p><p>Eu conto tudo&#8230;</p><h3><strong>Cavaleiros medievais numa rua de Lisboa</strong></h3><p>Enquanto caminh&#225;vamos pela Rua da Junqueira, notei uma bandeira vermelha enrolada no mastro e uma indica&#231;&#227;o de embaixada por baixo.</p><p>N&#227;o consegui reconhecer o pa&#237;s assim &#224; primeira (a bandeira estava enrolada) e atravessei a rua para ver que embaixada seria aquela.</p><p>Era a Embaixada da Ordem Soberana e Militar de Malta.</p><p>N&#227;o, n&#227;o era a Embaixada de Malta. Esse pa&#237;s l&#225; ter&#225; algum casebre escondido num recanto de Lisboa a servir de lega&#231;&#227;o. A Ordem Soberana e Militar de Malta &#233; uma organiza&#231;&#227;o cat&#243;lica cujo nome completo &#233; Ordem Soberana e Militar Hospital&#225;ria de S&#227;o Jo&#227;o de Jerusal&#233;m, de Rodes e de Malta &#8212; e que tamb&#233;m pode ser chamada de Ordem dos Cavaleiros Hospital&#225;rios. Por incr&#237;vel que possa parecer (e parece!), esta organiza&#231;&#227;o &#233; um resqu&#237;cio das Cruzadas.</p><p>&#201; a &#250;nica organiza&#231;&#227;o sem territ&#243;rio cuja soberania &#233; reconhecida por v&#225;rios pa&#237;ses &#8212; o que significa que emite passaportes e tem embaixadas. A Igreja Cat&#243;lica em si tamb&#233;m tem embaixadas (as embaixadas da Santa S&#233;), mas o caso n&#227;o ser&#225; t&#227;o estranho como o desta Ordem Militar, pois a Santa S&#233; &#233; soberana no pequeno territ&#243;rio do Vaticano.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OPe0!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0bb3c76b-9f75-4052-af91-7ac56ac81384_85x108.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OPe0!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0bb3c76b-9f75-4052-af91-7ac56ac81384_85x108.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OPe0!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0bb3c76b-9f75-4052-af91-7ac56ac81384_85x108.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OPe0!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0bb3c76b-9f75-4052-af91-7ac56ac81384_85x108.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OPe0!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0bb3c76b-9f75-4052-af91-7ac56ac81384_85x108.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OPe0!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0bb3c76b-9f75-4052-af91-7ac56ac81384_85x108.png" width="85" height="108" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0bb3c76b-9f75-4052-af91-7ac56ac81384_85x108.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:108,&quot;width&quot;:85,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OPe0!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0bb3c76b-9f75-4052-af91-7ac56ac81384_85x108.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OPe0!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0bb3c76b-9f75-4052-af91-7ac56ac81384_85x108.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OPe0!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0bb3c76b-9f75-4052-af91-7ac56ac81384_85x108.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OPe0!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0bb3c76b-9f75-4052-af91-7ac56ac81384_85x108.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Aqui temos uma esp&#233;cie de rel&#237;quia dum passado de cavaleiros andantes e de cruzadas&#8230; Em conjunto com os pa&#237;ses min&#250;sculos da Europa (San Marino, M&#243;naco, etc.), s&#227;o recorda&#231;&#245;es dum tempo em que a Europa era um mosaico de condados, ducados, principados, reinos e imp&#233;rios cujas fronteiras se sobrepunham e se misturavam sem grande respeito pelos criadores de mapas. Est&#225;vamos longe do mosaico aparentemente s&#243;lido de Estados-Na&#231;&#227;o a fingirem-se muito est&#225;veis e antigos.</p><h3><strong>Um pal&#225;cio em ru&#237;nas</strong></h3><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ImwK!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8223c7c-cfea-4d2d-b68e-7ad615c61491_300x218.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ImwK!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8223c7c-cfea-4d2d-b68e-7ad615c61491_300x218.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ImwK!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8223c7c-cfea-4d2d-b68e-7ad615c61491_300x218.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ImwK!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8223c7c-cfea-4d2d-b68e-7ad615c61491_300x218.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ImwK!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8223c7c-cfea-4d2d-b68e-7ad615c61491_300x218.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ImwK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8223c7c-cfea-4d2d-b68e-7ad615c61491_300x218.png" width="300" height="218" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d8223c7c-cfea-4d2d-b68e-7ad615c61491_300x218.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:218,&quot;width&quot;:300,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ImwK!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8223c7c-cfea-4d2d-b68e-7ad615c61491_300x218.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ImwK!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8223c7c-cfea-4d2d-b68e-7ad615c61491_300x218.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ImwK!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8223c7c-cfea-4d2d-b68e-7ad615c61491_300x218.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ImwK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8223c7c-cfea-4d2d-b68e-7ad615c61491_300x218.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Uns metros depois, aparece-me uma nova vis&#227;o do passado: um pal&#225;cio em ru&#237;nas. &#201; o Pal&#225;cio das &#193;guias, cuja hist&#243;ria pode ser encontrada nesta <a href="http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info/palacio-das-aguias-quinta-das-aguias">p&#225;gina da C&#226;mara</a>. Mas, v&#225;, antes de sair daqui em direc&#231;&#227;o a essa p&#225;gina, continue a ler, que isto ainda mal come&#231;ou&#8230;</p><p>S&#243; trouxe &#224; baila este pal&#225;cio porque nos lembra deste facto: a cidade vai-se transformando, renovando &#8212; e pelo caminho ficam alguns espa&#231;os, como rel&#237;quias, que nos p&#245;em a imagina&#231;&#227;o a dar piruetas: uma embaixada de cavaleiros medievais mesmo ao lado dum velho pal&#225;cio em ru&#237;nas. E nem sequer vou falar do Chafariz da Junqueira (que n&#227;o tenho tempo). Diga-se ainda (como veremos) que estas ru&#237;nas s&#227;o bem menos enganadoras que os monumentos renovados e bonitinhos. N&#227;o que prefira t&#234;-los em ru&#237;nas&#8230; N&#227;o &#233; isso. O problema &#233; outro: o passado&#8230; O passado &#233; demasiado sedutor para o nosso pr&#243;prio bem!</p><h3><strong>A gl&#243;ria nos Jer&#243;nimos</strong></h3><p>Foi neste estado de esp&#237;rito que peguei no carro e avancei pela Rua da Junqueira at&#233; chegar perto dos Jer&#243;nimos.</p><p>Ah, os Jer&#243;nimos&#8230; Um exemplo perfeito da gl&#243;ria do passado ali preservada sem m&#225;cula! O exemplo acabado do estilo manuelino! O passado ali presente com a sua solidez de s&#233;culos!</p><p>O problema &#233; que os Jer&#243;nimos que vemos ali j&#225; n&#227;o s&#227;o o monumento do s&#233;culo XVI. Entre acrescentos, reconstru&#231;&#245;es, obras variadas, acab&#225;mos com um monumento muito diferente do original.</p><p>Embora este aspecto enganador dos monumentos j&#225; n&#227;o fosse uma novidade, foi um livro recomendado h&#225; algum tempo por Fernando Ven&#226;ncio no Facebook (ainda dizem que a dita rede n&#227;o serve para nada) que me lembrou at&#233; que ponto a Hist&#243;ria, mais do que reinventada, foi <em>inventada</em> h&#225; muito pouco tempo: <em><strong>La invenci&#243;n del passado</strong></em>, de Miguel Anxo Murado.</p><p>O livro vai muito para l&#225; dos monumentos &#8212; mostra como muitas batalhas, acontecimentos e outras narrativas em que se baseiam as Hist&#243;rias nacionais que temos na cabe&#231;a s&#227;o d&#250;bias ou, mesmo, improv&#225;veis. Isto, diga-se, vale para todos os pa&#237;ses e para todos os nacionalismos.</p><p>J&#225; voltamos aos Jer&#243;nimos. Antes, para mostrar onde quero chegar, uso um dos muitos exemplos de Murado: os monumentos de Barcelona.</p><h3><strong>Barcelona antiga e moderna?</strong></h3><p>Em Barcelona, temos dois grandes monumentos religiosos: a Catedral de Barcelona, um monumento g&#243;tico e medieval, e a modern&#237;ssima (e modernista) Bas&#237;lica da Sagrada Fam&#237;lia.</p><p>Aqui est&#225; a catedral:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UU0-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F15470152-0b97-4e48-8a78-f8200ffddc2b_840x559.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Esta catedral come&#231;ou a ser constru&#237;da em 1298. Se olharmos com aten&#231;&#227;o, come&#231;amos a imaginar os art&#237;fices medievais a criar o fino rendilhado g&#243;tico da fachada&#8230;</p><p>J&#225; no meio do Eixample, temos aquela louca bas&#237;lica que algumas pessoas o exemplo acabado duma <em>modernice</em> amalucada. &#201;, certamente, um edif&#237;cio de espantar, igual a nenhum outro. Falo da famos&#237;ssima bas&#237;lica de Gaud&#237;, que parece feita com os dedos ou ent&#227;o nascida do solo como uma planta de pedra e onde o dif&#237;cil &#233; encontrar uma linha recta:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SWc4!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5a60faad-0e95-4bbe-857b-11c9fc44c04f_840x702.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SWc4!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5a60faad-0e95-4bbe-857b-11c9fc44c04f_840x702.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SWc4!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5a60faad-0e95-4bbe-857b-11c9fc44c04f_840x702.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SWc4!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5a60faad-0e95-4bbe-857b-11c9fc44c04f_840x702.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SWc4!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5a60faad-0e95-4bbe-857b-11c9fc44c04f_840x702.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SWc4!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5a60faad-0e95-4bbe-857b-11c9fc44c04f_840x702.jpeg" width="840" height="702" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5a60faad-0e95-4bbe-857b-11c9fc44c04f_840x702.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:702,&quot;width&quot;:840,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SWc4!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5a60faad-0e95-4bbe-857b-11c9fc44c04f_840x702.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SWc4!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5a60faad-0e95-4bbe-857b-11c9fc44c04f_840x702.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SWc4!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5a60faad-0e95-4bbe-857b-11c9fc44c04f_840x702.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SWc4!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5a60faad-0e95-4bbe-857b-11c9fc44c04f_840x702.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>A catedral representa, na nossa cabe&#231;a, a Idade M&#233;dia &#8212; a outra &#233; j&#225; uma inven&#231;&#227;o dos s&#233;culos mais recentes&#8230;</p><p>S&#243; que (sente-se, por favor) a fachada da Catedral de Barcelona tem mais ou menos a mesma idade que as primeiras obras da Sagrada Fam&#237;lia e o zimb&#243;rio (a torre central) &#233; de 1913. Aqui est&#225; a fachada da Catedral em 1880:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RGlz!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb0e49416-494f-45eb-8bdb-d20641d5b3fa_600x400.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RGlz!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb0e49416-494f-45eb-8bdb-d20641d5b3fa_600x400.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RGlz!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb0e49416-494f-45eb-8bdb-d20641d5b3fa_600x400.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RGlz!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb0e49416-494f-45eb-8bdb-d20641d5b3fa_600x400.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RGlz!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb0e49416-494f-45eb-8bdb-d20641d5b3fa_600x400.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RGlz!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb0e49416-494f-45eb-8bdb-d20641d5b3fa_600x400.jpeg" width="600" height="400" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b0e49416-494f-45eb-8bdb-d20641d5b3fa_600x400.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:400,&quot;width&quot;:600,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RGlz!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb0e49416-494f-45eb-8bdb-d20641d5b3fa_600x400.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RGlz!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb0e49416-494f-45eb-8bdb-d20641d5b3fa_600x400.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RGlz!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb0e49416-494f-45eb-8bdb-d20641d5b3fa_600x400.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RGlz!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb0e49416-494f-45eb-8bdb-d20641d5b3fa_600x400.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Por volta do ano em que o zimb&#243;rio foi inaugurado, a Sagrada Fam&#237;lia j&#225; existia:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3cT8!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb3b96052-c8b9-4ffc-bf3d-2ab7944b7e90_219x299.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3cT8!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb3b96052-c8b9-4ffc-bf3d-2ab7944b7e90_219x299.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3cT8!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb3b96052-c8b9-4ffc-bf3d-2ab7944b7e90_219x299.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3cT8!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb3b96052-c8b9-4ffc-bf3d-2ab7944b7e90_219x299.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3cT8!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb3b96052-c8b9-4ffc-bf3d-2ab7944b7e90_219x299.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3cT8!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb3b96052-c8b9-4ffc-bf3d-2ab7944b7e90_219x299.jpeg" width="219" height="299" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b3b96052-c8b9-4ffc-bf3d-2ab7944b7e90_219x299.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:299,&quot;width&quot;:219,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3cT8!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb3b96052-c8b9-4ffc-bf3d-2ab7944b7e90_219x299.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3cT8!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb3b96052-c8b9-4ffc-bf3d-2ab7944b7e90_219x299.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3cT8!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb3b96052-c8b9-4ffc-bf3d-2ab7944b7e90_219x299.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3cT8!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb3b96052-c8b9-4ffc-bf3d-2ab7944b7e90_219x299.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>J&#225; o zimb&#243;rio da Sagrada Fam&#237;lia est&#225; &#224; dist&#226;ncia de d&#233;cadas &#8212; mas no futuro. Ser&#225; este, dizem, o aspecto final. No entanto, se o passado &#233; dif&#237;cil de conhecer, o que dir&#237;amos do futuro?</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BDWW!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f41edf-2ae0-4a2b-9c3d-47aa2d881552_818x453.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BDWW!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f41edf-2ae0-4a2b-9c3d-47aa2d881552_818x453.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BDWW!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f41edf-2ae0-4a2b-9c3d-47aa2d881552_818x453.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BDWW!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f41edf-2ae0-4a2b-9c3d-47aa2d881552_818x453.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BDWW!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f41edf-2ae0-4a2b-9c3d-47aa2d881552_818x453.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BDWW!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f41edf-2ae0-4a2b-9c3d-47aa2d881552_818x453.jpeg" width="818" height="453" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c6f41edf-2ae0-4a2b-9c3d-47aa2d881552_818x453.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:453,&quot;width&quot;:818,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BDWW!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f41edf-2ae0-4a2b-9c3d-47aa2d881552_818x453.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BDWW!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f41edf-2ae0-4a2b-9c3d-47aa2d881552_818x453.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BDWW!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f41edf-2ae0-4a2b-9c3d-47aa2d881552_818x453.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BDWW!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f41edf-2ae0-4a2b-9c3d-47aa2d881552_818x453.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><em>Fonte: sagradafamilia.cat</em></figcaption></figure></div><p>Voltemos &#224; catedral g&#243;tica. A fachada foi constru&#237;da por ocasi&#227;o da Exposi&#231;&#227;o Universal de 1888 por iniciativa duma fam&#237;lia rica de Barcelona &#8212; um pouco como se os Champalimaud tivessem pago a reconstru&#231;&#227;o da S&#233; de Lisboa com uma fachada g&#243;tica por ocasi&#227;o da Expo &#8217;98 e, a partir da&#237;, todos acredit&#225;ssemos que aquilo era um bom exemplo do g&#243;tico medieval. (Em abono da verdade, devo avisar que a fachada da Catedral de Barcelona inspirou-se nos planos iniciais. Uma fachada g&#243;tica na S&#233; de Lisboa seria s&#243; um disparate.)</p><p>Sim, em grande medida, os nossos monumentos antigos s&#227;o inven&#231;&#245;es mais recentes do que pensamos. Aten&#231;&#227;o: nada disto &#233; segredo! Est&#225; em qualquer descri&#231;&#227;o hist&#243;rica dos pr&#243;prios monumentos &#8212; mas a hist&#243;ria simplificada que temos na cabe&#231;a n&#227;o regista essas notas de rodap&#233; e convencemo-nos sem pensar duas vezes que, ao olhar para a Catedral de Barcelona, estamos a olhar para a Idade M&#233;dia&#8230;</p><h3><strong>E o Castelo de S&#227;o Jorge?</strong></h3><p>Sim, o Castelo de S&#227;o Jorge tal como o conhecemos n&#227;o &#233; t&#227;o antigo como pensamos. Aqui est&#225; o aspecto da colina em 1877:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qmlc!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e6f68be-16ea-4def-ae41-6d52e009ae2b_640x437.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qmlc!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e6f68be-16ea-4def-ae41-6d52e009ae2b_640x437.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qmlc!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e6f68be-16ea-4def-ae41-6d52e009ae2b_640x437.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qmlc!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e6f68be-16ea-4def-ae41-6d52e009ae2b_640x437.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qmlc!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e6f68be-16ea-4def-ae41-6d52e009ae2b_640x437.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qmlc!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e6f68be-16ea-4def-ae41-6d52e009ae2b_640x437.jpeg" width="640" height="437" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6e6f68be-16ea-4def-ae41-6d52e009ae2b_640x437.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:437,&quot;width&quot;:640,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qmlc!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e6f68be-16ea-4def-ae41-6d52e009ae2b_640x437.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qmlc!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e6f68be-16ea-4def-ae41-6d52e009ae2b_640x437.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qmlc!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e6f68be-16ea-4def-ae41-6d52e009ae2b_640x437.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qmlc!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e6f68be-16ea-4def-ae41-6d52e009ae2b_640x437.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><em><a href="http://lugarescompatrimonioporelisabeteserol.blogspot.pt/2015/03/castelo-de-sao-jorge-lisboa.html">Fonte</a></em></figcaption></figure></div><p>Olhem com aten&#231;&#227;o&#8230; Onde est&#225; o castelo? Est&#225; ali uma muralha, &#233; verdade, mas nada parecido com isto:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MGxf!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff6235fdb-c536-4c88-b7c5-41c89e6821f6_840x630.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MGxf!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff6235fdb-c536-4c88-b7c5-41c89e6821f6_840x630.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MGxf!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff6235fdb-c536-4c88-b7c5-41c89e6821f6_840x630.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MGxf!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff6235fdb-c536-4c88-b7c5-41c89e6821f6_840x630.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MGxf!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff6235fdb-c536-4c88-b7c5-41c89e6821f6_840x630.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MGxf!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff6235fdb-c536-4c88-b7c5-41c89e6821f6_840x630.jpeg" width="840" height="630" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f6235fdb-c536-4c88-b7c5-41c89e6821f6_840x630.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:630,&quot;width&quot;:840,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MGxf!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff6235fdb-c536-4c88-b7c5-41c89e6821f6_840x630.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MGxf!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff6235fdb-c536-4c88-b7c5-41c89e6821f6_840x630.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MGxf!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff6235fdb-c536-4c88-b7c5-41c89e6821f6_840x630.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MGxf!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff6235fdb-c536-4c88-b7c5-41c89e6821f6_840x630.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>A perspectiva tamb&#233;m n&#227;o ser&#225; a mesma, mas d&#225; para perceber que o Castelo monumental que temos agora estava num estado muito diferente em 1877. De facto, como podemos ler em qualquer hist&#243;ria do Castelo (basta ir &#224; <a href="http://xn--com%20as%20grandes%20obras%20de%20restauro%20de%201938-40,%20redescobre-se%20o%20castelo%20e%20os%20vestgios%20do%20antigo%20pao%20real-4sl48d.xn--%20no%20meio%20das%20demolies%20ento%20levadas%20a%20cabo,%20as%20antigas%20construes%20so%20resgatadas-gpi8cyy2b39gxb.xn--%20o%20castelo%20readquire%20a%20sua%20imponncia%20de%20outrora%20e%20%20devolvido%20ao%20usufruto%20dos%20cidados-rnj76d0c./">p&#225;gina do pr&#243;prio monumento</a>), aquilo que existe hoje &#233; uma recupera&#231;&#227;o feita durante as obras de 1938-40:</p><blockquote><p><em>Com as grandes obras de restauro de 1938-40, redescobre-se o castelo e os vest&#237;gios do antigo pa&#231;o real. No meio das demoli&#231;&#245;es ent&#227;o levadas a cabo, as antigas constru&#231;&#245;es s&#227;o resgatadas. O castelo readquire a sua impon&#234;ncia de outrora e &#233; devolvido ao usufruto dos cidad&#227;os.</em></p></blockquote><p>Houve tamb&#233;m muito de nova constru&#231;&#227;o na recupera&#231;&#227;o. &#201; natural e acontece com quase todos os monumentos recuperados por essa Europa fora. As ameias, por exemplo, t&#227;o certinhas, que encimam tantos castelos nacionais s&#227;o, muitas vezes, acrescentos modernos.</p><h3><strong>E os Jer&#243;nimos?</strong></h3><p>Voltemos aos Jer&#243;nimos. Aqui est&#225; uma foto do s&#233;culo XIX:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bh-1!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd29b8748-5ab5-4ca4-a736-7fc7c9ed9a7b_300x251.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bh-1!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd29b8748-5ab5-4ca4-a736-7fc7c9ed9a7b_300x251.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bh-1!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd29b8748-5ab5-4ca4-a736-7fc7c9ed9a7b_300x251.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bh-1!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd29b8748-5ab5-4ca4-a736-7fc7c9ed9a7b_300x251.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bh-1!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd29b8748-5ab5-4ca4-a736-7fc7c9ed9a7b_300x251.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bh-1!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd29b8748-5ab5-4ca4-a736-7fc7c9ed9a7b_300x251.jpeg" width="300" height="251" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d29b8748-5ab5-4ca4-a736-7fc7c9ed9a7b_300x251.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:251,&quot;width&quot;:300,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bh-1!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd29b8748-5ab5-4ca4-a736-7fc7c9ed9a7b_300x251.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bh-1!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd29b8748-5ab5-4ca4-a736-7fc7c9ed9a7b_300x251.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bh-1!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd29b8748-5ab5-4ca4-a736-7fc7c9ed9a7b_300x251.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bh-1!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd29b8748-5ab5-4ca4-a736-7fc7c9ed9a7b_300x251.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>E hoje? Reparem no aparecimento da torre, que est&#225; bem longe de ser do s&#233;culo XVI&#8230;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!h6r2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F962e0013-b6dd-411c-80f2-4520f91f3208_300x200.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!h6r2!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F962e0013-b6dd-411c-80f2-4520f91f3208_300x200.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!h6r2!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F962e0013-b6dd-411c-80f2-4520f91f3208_300x200.jpeg 848w, 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aspecto j&#225; ser&#225; outro.</p><h3><strong>O passado n&#227;o era bem assim</strong></h3><p>As ameias do Castelo de S&#227;o Jorge que n&#243;s vemos s&#227;o mais recentes do que certas partes da Sagrada Fam&#237;lia de Barcelona. S&#227;o, ali&#225;s, mais recentes do que a Avenida da Liberdade&#8230;</p><p>Isto n&#227;o &#233; novidade: no entanto, na nossa cabe&#231;a, temos um passado idealizado, onde estes monumentos j&#225; existiam <em>tal e qual os vemos hoje</em>. Isto &#233; apenas um aspecto desta idealiza&#231;&#227;o do passado. A Hist&#243;ria foi recriada nos &#250;ltimos dois s&#233;culos &#8212; tanto nas pedras das cidades, como na nossa cabe&#231;a. Em grande medida, as v&#225;rias hist&#243;rias nacionais s&#227;o simplifica&#231;&#245;es criadas durante os &#250;ltimos 200 anos e espalhadas pelas popula&#231;&#245;es atrav&#233;s das escolas, da televis&#227;o, dos livros de divulga&#231;&#227;o.</p><p>N&#227;o se pense que antes era melhor: a grand&#237;ssima maioria da popula&#231;&#227;o n&#227;o ligava nada &#224; Hist&#243;ria e pouco sabia dos relatos nacionais. Se encontr&#225;ssemos um qualquer portugu&#234;s do s&#233;culo XVII, por exemplo, ficar&#237;amos admirados com tudo o que ele n&#227;o saberia sobre a nossa Hist&#243;ria &#8212; primeiro, porque a aprendizagem da Hist&#243;ria n&#227;o era vista como importante para a popula&#231;&#227;o em geral; segundo, porque a forma como contamos a Hist&#243;ria &#233; bem mais recente do que pensamos.</p><p>A Hist&#243;ria &#233; muito importante &#8212; e, mais do que importante, &#233; muito interessante. Mas se julgarmos que vemos o Passado e a Verdade &#8212; assim, em mai&#250;scula &#8212;quando repetimos as hist&#243;rias que nos contaram e vemos os monumentos das nossas cidades, estamos a enganar-nos a n&#243;s pr&#243;prios. Aconselho, mais uma vez, a leitura do livro <em>La invenci&#243;n del pasado. </em>&#201; um livro que cura certas obsess&#245;es nacionalistas que existem em todos os pa&#237;ses &#8212; Portugal est&#225; longe de ser excep&#231;&#227;o.</p><p>E tudo para qu&#234;? Para termos uma rela&#231;&#227;o mais realista da nossa capacidade de conhecer o passado&#8230;</p><p>N&#227;o fiquemos tristes: os historiadores descobrem muita coisa interessante e h&#225; tanto por saber escondido em artigos e livros de Hist&#243;ria &#8212; d&#225; algum trabalho, mas vale a pena. Depois, para viajar at&#233; ao passado, h&#225; a imagina&#231;&#227;o: temos cavaleiros em ruas de Lisboa, pal&#225;cios em ru&#237;nas, livros para ler e muita coisa para aprender e imaginar. Dificilmente n&#227;o cairemos em anacronismos, mas temos de viver com essa nossa incapacidade de conhecer o passado como se fosse o presente. O passado &#233; mesmo um pa&#237;s estrangeiro &#8212; e as fronteiras est&#227;o fechadas&#8230;</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><p>No fundo, a &#250;nica forma de olhar para o passado sem errar &#233; virar os olhos para as estrelas: a luz demora a c&#225; chegar e, por isso, quando &#224; noite olhamos para o c&#233;u, estamos a ver estrelas tal como existiam quando, aqui na Terra, ainda existiam os dinossauros que o meu filho e os meus sobrinhos viram em forma de bonecos l&#225; para os lados da Cordoaria &#8212; dinossauros esses que, pelo que se tem descoberto nos &#250;ltimos anos, afinal tinham penas (nem esse passado nos deixam sossegado).</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Sx9c!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2f3de0-2744-46e4-99ae-a08515350f57_300x224.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Sx9c!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2f3de0-2744-46e4-99ae-a08515350f57_300x224.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Sx9c!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2f3de0-2744-46e4-99ae-a08515350f57_300x224.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Sx9c!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2f3de0-2744-46e4-99ae-a08515350f57_300x224.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Sx9c!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2f3de0-2744-46e4-99ae-a08515350f57_300x224.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Sx9c!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2f3de0-2744-46e4-99ae-a08515350f57_300x224.jpeg" width="300" height="224" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8d2f3de0-2744-46e4-99ae-a08515350f57_300x224.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:224,&quot;width&quot;:300,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Sx9c!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2f3de0-2744-46e4-99ae-a08515350f57_300x224.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Sx9c!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2f3de0-2744-46e4-99ae-a08515350f57_300x224.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Sx9c!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2f3de0-2744-46e4-99ae-a08515350f57_300x224.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Sx9c!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2f3de0-2744-46e4-99ae-a08515350f57_300x224.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Novo livro: As Raízes da Língua]]></title><description><![CDATA[Ol&#225;! O meu novo livro chega este m&#234;s &#224;s livrarias.]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/novo-livro-as-raizes-da-lingua</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/novo-livro-as-raizes-da-lingua</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Mon, 02 Mar 2026 21:53:25 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zxmP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F837d40c2-5cd9-45e7-950c-e68d5c39d9b4.heic" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;!</p><p>O meu novo livro chega este m&#234;s &#224;s livrarias. </p><p>Chama-se <em><strong><a href="https://www.wook.pt/livro/as-raizes-da-lingua-marco-neves/33165164">As Ra&#237;zes da L&#237;ngua: As Hist&#243;rias de 50 Palavras Portuguesas</a></strong></em>.</p><p>H&#225; duas campanhas de pr&#233;-venda que incluem um outro livro de oferta: <strong><a href="https://www.wook.pt/livro/as-raizes-da-lingua-marco-neves/33165164">a campanha da Wook</a> (inclui um outro livro meu)</strong> e <strong><a href="https://www.guerraepaz.pt/produto/as-raizes-da-lingua-oferta-exclusiva-pre-venda/">a campanha da Guerra &amp; Paz</a> (inclui um livro de E&#231;a de Queiroz).</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://www.wook.pt/livro/as-raizes-da-lingua-marco-neves/33165164" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zxmP!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F837d40c2-5cd9-45e7-950c-e68d5c39d9b4.heic 424w, 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pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.wook.pt/livro/as-raizes-da-lingua-marco-neves/33165164&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Pr&#233;-venda (com Portugu&#234;s de A a Z)&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.wook.pt/livro/as-raizes-da-lingua-marco-neves/33165164"><span>Pr&#233;-venda (com Portugu&#234;s de A a Z)</span></a></p><p>Se imaginarmos o l&#233;xico do portugu&#234;s como uma &#225;rvore, a raiz mais forte passa pelo latim desenvolvido na faixa ocidental da Pen&#237;nsula Ib&#233;rica, latim esse que j&#225; vem do proto-indo-europeu, falado na zona do Mar Negro h&#225; 6500 anos.<br><br>A essa raiz juntam-se ra&#237;zes mais estreitas ligadas &#224;s l&#237;nguas que j&#225; se falavam no territ&#243;rio onde &#233; hoje Portugal. H&#225; ainda as outras ra&#237;zes da l&#237;ngua ligadas ao &#225;rabe, ao persa, a l&#237;nguas africanas, a l&#237;nguas da Am&#233;rica do Sul, a l&#237;nguas germ&#226;nicas, ao grego, ao ingl&#234;s, ao franc&#234;s, entre outras.<br><br>A variedade de percursos e de hist&#243;rias dessas ra&#237;zes &#233; impressionante. &#201; uma viagem desordenada, aventurosa, &#224;s vezes perigosa. H&#225; at&#233; palavras que sa&#237;ram do portugu&#234;s, deram uma volta por outras l&#237;nguas e regressaram &#224; nossa muito mudadas.<br><br>Este n&#227;o &#233; um dicion&#225;rio etimol&#243;gico. &#201; um livro de viagens, um livro de hist&#243;rias, um livro de cr&#243;nicas (quase de mist&#233;rio) sobre etimologia.</p><p>Espero que goste!</p><p>At&#233; breve,</p><p>Marco Neves</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.guerraepaz.pt/produto/as-raizes-da-lingua-oferta-exclusiva-pre-venda/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Pr&#233;-venda (com livro de E&#231;a de Queiroz)&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.guerraepaz.pt/produto/as-raizes-da-lingua-oferta-exclusiva-pre-venda/"><span>Pr&#233;-venda (com livro de E&#231;a de Queiroz)</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[História das Línguas de Lisboa]]></title><description><![CDATA[Juntei os tr&#234;s epis&#243;dios desta hist&#243;ria, que gravei em 2024, e criei este v&#237;deo&#8230; Espero que goste!]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/historia-das-linguas-de-lisboa</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/historia-das-linguas-de-lisboa</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Wed, 25 Feb 2026 21:15:01 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/kWA35NTGPTA" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Juntei os tr&#234;s epis&#243;dios desta hist&#243;ria, que gravei em 2024, e criei este v&#237;deo&#8230; Espero que goste!</p><div id="youtube2-kWA35NTGPTA" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;kWA35NTGPTA&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/kWA35NTGPTA?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Dois convites: Loures e Penacova]]></title><description><![CDATA[Duas conversas sobre a l&#237;ngua]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/dois-convites-loures-e-penacova</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/dois-convites-loures-e-penacova</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Mon, 23 Feb 2026 20:52:51 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/57cb529d-95c8-4bab-aabc-6c44026e63c3_1080x1080.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;!</p><p>Em Mar&#231;o, irei lan&#231;ar um novo livro e, em breve, anunciarei por aqui o t&#237;tulo. Depois, durante os pr&#243;ximos meses, estarei em v&#225;rios lugares do pa&#237;s para conversar sobre o novo t&#237;tulo (e n&#227;o s&#243;).</p><p>Enquanto o livro n&#227;o chega, deixo dois convites para conversas em festivais liter&#225;rios.</p><h2><strong>Festival Liter&#225;rio de Loures</strong></h2><p>Irei conversar com <strong>Ana Markl</strong> sobre <strong>A Vida Secreta das Palavras</strong>, no dia 28 de Fevereiro, &#224;s 15:30, no Centro Comercial da Portela, com modera&#231;&#227;o de <strong>H&#233;lder Gomes</strong>. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xKpe!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1fe94e9c-488e-4b95-9be0-23808524cebf_1200x1200.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><div class="pullquote"><p>Outra novidade: o <em><strong><a href="https://www.guerraepaz.pt/produto/atlas-historico-da-escrita/">Atlas Hist&#243;rico da Escrita</a></strong></em> foi reeditado e pode ser <a href="https://www.guerraepaz.pt/produto/atlas-historico-da-escrita/">encomendado junto da editora Guerra e Paz por um pre&#231;o especial</a>. </p></div><p>Muito obrigado por continuar a acompanhar o meu trabalho!</p><p>At&#233; breve,</p><p>Marco Neves</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[De Cabo Verde à Suíça: o valor da língua materna]]></title><description><![CDATA[Uma visita ao Mindelo mostra-nos uma intrigante paisagem lingu&#237;stica &#8212; fa&#231;amos uma viagem de Cabo Verde a Portugal, passando pela Su&#237;&#231;a, a prop&#243;sito das l&#237;nguas.]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/de-cabo-verde-a-suica-o-valor-da</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/de-cabo-verde-a-suica-o-valor-da</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Sat, 21 Feb 2026 11:34:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wydX!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F49f6db99-753d-4c5d-9efa-f2b885289341_2168x1626.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wydX!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F49f6db99-753d-4c5d-9efa-f2b885289341_2168x1626.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><a href="http://rapidfire.sci.gsfc.nasa.gov/gallery/?2004035-0204/CapeVerde.A2004035.1225.250m.jpg">NASA</a>, dom&#237;nio p&#250;blico.</figcaption></figure></div><blockquote><p><strong>Volto a publicar este artigo no Dia da L&#237;ngua Materna.</strong></p></blockquote><h3>1. Aterrar no Mindelo</h3><p>Quando chegamos a uma cidade, reparamos no relevo, no recorte da costa, nas casas, nas cores, nas ruas, nas pessoas, nas lojas, nos barcos a balan&#231;ar. Se essa cidade for o Mindelo, na Ilha de S&#227;o Vicente, em Cabo Verde, onde estive na semana passada [este artigo foi escrito em 2021], reparamos tamb&#233;m na ilha de Santo Ant&#227;o, ao fundo, como uma onda gigante que nunca se aproxima. Tudo isso faz parte da paisagem que vemos com os olhos. J&#225; quem gosta de saber mais sobre l&#237;nguas precisa de apurar tamb&#233;m o ouvido.</p><p>Se for um alem&#227;o a aterrar na cidade, andar&#225; pelas ruas sem encontrar nada de estranho. Est&#225; tudo escrito numa l&#237;ngua estrangeira, que talvez identifique como latina. Todos falam uma l&#237;ngua estrangeira, com umas quantas palavras de origem latina. De uma forma ou de outra, pouco percebe. Tudo normal.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><p>J&#225; um portugu&#234;s desprevenido v&#234; o portugu&#234;s escrito em todo o lado e lembra-se de ouvir Cabo Verde referido na lista de pa&#237;ses de l&#237;ngua portuguesa. Talvez fique ent&#227;o surpreendido ao compreender muito pouco do que as pessoas conversam entre si. L&#225; aparecem umas palavras bem portuguesas, mas as frases s&#227;o dif&#237;ceis de perceber.</p><p>Se se puser a conversar com cabo-verdianos, o nosso portugu&#234;s curioso percebe que sabem falar portugu&#234;s, com mais ou menos sotaque cabo-verdiano. Os portugueses sentem-se como ingleses em zonas tur&#237;sticas ou madrilenos numa aldeia galega: todos sabem falar connosco, mas n&#243;s n&#227;o percebemos as conversas em que n&#227;o participamos.</p><p>Haver&#225; portugueses que ficam irritados com a situa&#231;&#227;o, tal como h&#225; madrilenos muito aborrecidos por ouvir galegos a falar galego e um ou outro ingl&#234;s que considera aborrecido que nem todos os povos conversem na sua l&#237;ngua. Ora, &#233; preciso uma forma muito particular de arrog&#226;ncia para exigir que os outros &#8212; que at&#233; aprendem a nossa l&#237;ngua! &#8212;&nbsp;n&#227;o falem entre si na sua l&#237;ngua materna s&#243; para lhes percebermos as conversas. Se fazemos mesmo quest&#227;o, podemos sempre aprender a l&#237;ngua deles&#8230;</p><p>O alem&#227;o e o portugu&#234;s que imaginamos nas ruas do Mindelo n&#227;o t&#234;m essa arrog&#226;ncia. Est&#227;o simplesmente curiosos com a cidade onde aterraram. O alem&#227;o, pouco interessado em l&#237;nguas, decide explorar outras paisagens. O portugu&#234;s, surpreendido com aquela l&#237;ngua de que percebe uma ou outra palavra, para logo a seguir ficar sem nada entender, quer saber mais sobre a paisagem lingu&#237;stica da cidade.</p><p>Para isso, fa&#231;amos primeiro uma viagem &#224; Su&#237;&#231;a.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XS-y!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F519f0bed-fd0d-4308-8fce-3276422fe146_716x537.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XS-y!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F519f0bed-fd0d-4308-8fce-3276422fe146_716x537.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XS-y!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F519f0bed-fd0d-4308-8fce-3276422fe146_716x537.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XS-y!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F519f0bed-fd0d-4308-8fce-3276422fe146_716x537.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XS-y!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F519f0bed-fd0d-4308-8fce-3276422fe146_716x537.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XS-y!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F519f0bed-fd0d-4308-8fce-3276422fe146_716x537.jpeg" width="716" height="537" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/519f0bed-fd0d-4308-8fce-3276422fe146_716x537.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:537,&quot;width&quot;:716,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XS-y!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F519f0bed-fd0d-4308-8fce-3276422fe146_716x537.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XS-y!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F519f0bed-fd0d-4308-8fce-3276422fe146_716x537.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XS-y!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F519f0bed-fd0d-4308-8fce-3276422fe146_716x537.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XS-y!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F519f0bed-fd0d-4308-8fce-3276422fe146_716x537.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Praia da Laginha (n&#227;o &#233; em Zurique).</figcaption></figure></div><h3><strong>2. Quantos alem&#227;es se falam na Su&#237;&#231;a?</strong></h3><p>Aterremos em Zurique. Se n&#227;o soubermos alem&#227;o, ouvimos os transeuntes e identificamos tudo como alem&#227;o. As placas est&#227;o em alem&#227;o, os livros que se vendem nas livrarias est&#227;o, na sua maioria, em alem&#227;o &#8212;&nbsp;e os su&#237;&#231;os falam alguma coisa que nos soa a alem&#227;o. Estamos como os alem&#227;es no Mindelo: tudo parece simples. A paisagem lingu&#237;stica resume-se a isto: alem&#227;o.</p><p>E, no entanto, se um berlinense aterrasse em Zurique sentiria algo muito parecido com o que sente o portugu&#234;s no Mindelo (estou a falar de l&#237;nguas; na pele, o berlinense sentir&#225; muito mais frio, estou em crer).</p><p>Um alem&#227;o falar&#225; sem dificuldade com o su&#237;&#231;o em alem&#227;o. Mas, se ouvisse dois su&#237;&#231;os a falar entre si, pouco compreenderia. A televis&#227;o estaria em alem&#227;o, mas dois jornalistas a conversar num caf&#233; falariam <em>outra coisa</em>.</p><p>Essa outra coisa &#233; o <em>Schwyzerd&#252;tsch</em>, o su&#237;&#231;o-alem&#227;o, um nome dado a todos os dialectos su&#237;&#231;os de uma l&#237;ngua que muitos linguistas chamam <em>alem&#226;nico</em>.&nbsp; H&#225; quem chame o su&#237;&#231;o-alem&#227;o um dialecto do alem&#227;o, mas n&#227;o &#233; bem assim. A situa&#231;&#227;o &#233; mais complexa.</p><p>Nas zonas onde o alem&#227;o &#233; oficial, h&#225; um <em>continuum</em> dialectal, uma transi&#231;&#227;o mais ou menos suave entre formas de falar. Num desenvolvimento com base em usos de v&#225;rias zonas, construiu-se um padr&#227;o escrito, uma constru&#231;&#227;o artificial (como todos os padr&#245;es), que ningu&#233;m usa de forma exacta na oralidade.</p><p>Com o tempo, os alem&#227;es e os austr&#237;acos, ao aprender o padr&#227;o na escola, foram aproximando a sua l&#237;ngua desse padr&#227;o e, hoje, a diversidade dialectal est&#225; mais apagada (sem nunca ter desaparecido). Na Su&#237;&#231;a, n&#227;o acontece isso: o <em>Schwyzerd&#252;tsch</em> continua a falar-se, nos seus v&#225;rios dialectos, em paralelo com o uso do alem&#227;o-padr&#227;o na escrita e nas situa&#231;&#245;es formais.</p><p>Se quisermos, o <em>Schwyzerd&#252;tsch </em>&#233; a norma da oralidade informal e o alem&#227;o-padr&#227;o &#233; a norma da escrita. Os pais falam com os filhos em su&#237;&#231;o-alem&#227;o e esperam que aprendam a fal&#225;-lo, tal como tamb&#233;m esperam que aprendam, mais tarde, a falar alem&#227;o-padr&#227;o para uso na escrita e noutras situa&#231;&#245;es.</p><p>Para complicar ainda mais a situa&#231;&#227;o, o pr&#243;prio alem&#227;o-padr&#227;o tem particularidades na Su&#237;&#231;a. Ortograficamente, por exemplo, os su&#237;&#231;os n&#227;o usam o <em>eszett </em>(&#223;) &#8212;&nbsp;e h&#225; vocabul&#225;rio que &#233; diferente. O alem&#227;o &#233; uma l&#237;ngua pluric&#234;ntrica: contam-se tr&#234;s padr&#245;es (alem&#227;o, su&#237;&#231;o e austr&#237;aco), muito pr&#243;ximos entre si.</p><p>Os su&#237;&#231;os da zona de l&#237;ngua alem&#227; t&#234;m uma l&#237;ngua para a rua e para casa e outra para as aulas e para a televis&#227;o. Estamos perante uma situa&#231;&#227;o de <em><strong>diglossia</strong></em>, um termo usado pelos linguistas para descrever os territ&#243;rios onde convivem duas l&#237;nguas, com usos sociais distintos. Normalmente, h&#225; uma l&#237;ngua de prest&#237;gio, usada na escrita e nas situa&#231;&#245;es formais, e outra l&#237;ngua popular, usada nas conversas, em casa, e transmitida aos filhos naturalmente. A l&#237;ngua de prest&#237;gio &#233; ensinada, depois, na escola.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><p>Todas as l&#237;nguas t&#234;m registos formais e informais. O que diferencia os territ&#243;rios digl&#243;ssicos &#233; que h&#225; uma l&#237;ngua para os registos formais e outra para os registos informais.</p><p>O alem&#227;o-su&#237;&#231;o poderia perfeitamente ser padronizado, ensinado nas escolas, usado em todas as situa&#231;&#245;es. S&#243; que n&#227;o &#233;.</p><p>Os luxemburgueses decidiram ir por um caminho diferente: codificaram a sua pr&#243;pria variedade germ&#226;nica, o luxemburgu&#234;s, que passou a ser uma das tr&#234;s l&#237;nguas do pa&#237;s (o alem&#227;o, o franc&#234;s e, agora, o luxemburgu&#234;s). N&#227;o deitaram fora o alem&#227;o-padr&#227;o, apenas acrescentaram a sua pr&#243;pria l&#237;ngua ao que se ensina na escola e se usa oficialmente.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0vkP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F748db4eb-20b9-4afd-97a7-776322b324f8_716x477.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0vkP!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F748db4eb-20b9-4afd-97a7-776322b324f8_716x477.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0vkP!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F748db4eb-20b9-4afd-97a7-776322b324f8_716x477.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0vkP!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F748db4eb-20b9-4afd-97a7-776322b324f8_716x477.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0vkP!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F748db4eb-20b9-4afd-97a7-776322b324f8_716x477.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0vkP!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F748db4eb-20b9-4afd-97a7-776322b324f8_716x477.jpeg" width="716" height="477" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/748db4eb-20b9-4afd-97a7-776322b324f8_716x477.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:477,&quot;width&quot;:716,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0vkP!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F748db4eb-20b9-4afd-97a7-776322b324f8_716x477.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0vkP!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F748db4eb-20b9-4afd-97a7-776322b324f8_716x477.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0vkP!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F748db4eb-20b9-4afd-97a7-776322b324f8_716x477.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0vkP!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F748db4eb-20b9-4afd-97a7-776322b324f8_716x477.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Zurique (Pixabay)</figcaption></figure></div><h3><strong>3. Uma l&#237;ngua antiga em muitas ilhas</strong></h3><p>Os cabo-verdianos est&#227;o numa situa&#231;&#227;o parecida com a Su&#237;&#231;a e est&#227;o a trabalhar para se aproximarem da situa&#231;&#227;o luxemburguesa.</p><p>O portugu&#234;s &#233; usado nas situa&#231;&#245;es formais e serve ainda para comunicar com outros falantes de portugu&#234;s. &#201; ensinado nas escolas e h&#225; muitos cabo-verdianos (n&#227;o todos) que acabam por fal&#225;-lo e escrev&#234;-lo t&#227;o bem como qualquer falante nativo de portugu&#234;s. Ali&#225;s, h&#225; grandes escritores cabo-verdianos da nossa l&#237;ngua.</p><p>Por outro lado, em casa e na rua, o cabo-verdiano &#233; a l&#237;ngua de praticamente toda a popula&#231;&#227;o e, tal como acontece com o alem&#227;o-su&#237;&#231;o, apresenta uma grande variedade interna.</p><p>Ao contr&#225;rio da situa&#231;&#227;o su&#237;&#231;a, o cabo-verdiano n&#227;o surge do mesmo <em>continuum dialectal</em> da l&#237;ngua oficial (neste caso, o portugu&#234;s). O cabo-verdiano &#233; uma l&#237;ngua crioula, que apareceu numa situa&#231;&#227;o muito particular, em que escravos de v&#225;rias origens e os seus traficantes encontraram formas de comunicar imperfeitas, chamadas <em>pidjins</em>, que depois se transformaram em l&#237;nguas completas ao serem transmitidas a novas gera&#231;&#245;es, que criaram os crioulos.</p><p>Os crioulos s&#227;o extraordin&#225;rios por apresentarem uma regularidade gramatical muito acentuada. Uma gera&#231;&#227;o v&#234;-se privada da transmiss&#227;o de uma l&#237;ngua completa e cria uma gram&#225;tica inteira &#8212; e cria-a numa forma t&#227;o est&#225;vel e expressiva como qualquer outra l&#237;ngua. Mesmo nas situa&#231;&#245;es mais desesperadas, os seres humanos precisam de conversar, nem que seja &#224; for&#231;a de inventar um idioma.</p><p>No caso do cabo-verdiano, a cria&#231;&#227;o da l&#237;ngua ocorreu h&#225; bastante tempo: o cabo-verdiano tem s&#233;culos de hist&#243;ria e h&#225; linguistas que encontram a sua influ&#234;ncia noutras l&#237;nguas, como o papiamento, uma l&#237;ngua oficial em v&#225;rias ilhas das Cara&#237;bas.</p><p>Para se tornar em l&#237;ngua oficial de Cabo Verde, a par do portugu&#234;s, o cabo-verdiano precisa de ser padronizado. Tem havido v&#225;rios passos nesse sentido. A maior dificuldade &#233;, como acontece em muitos outros casos de padroniza&#231;&#245;es recentes, a diversidade interna da l&#237;ngua. Mas n&#227;o nos enganemos: todas as l&#237;nguas s&#227;o diversas por baixo do padr&#227;o.</p><p>H&#225; v&#225;rias estrat&#233;gias de cria&#231;&#227;o de um padr&#227;o de l&#237;ngua. A minha viagem &#224; ilha serviu, ali&#225;s, para dar duas palestras sobre a diversidade da nossa l&#237;ngua e ainda sobre as v&#225;rias estrat&#233;gias que as l&#237;nguas ib&#233;ricas encontraram para se padronizarem. O basco, por exemplo, tamb&#233;m partiu de uma diversidade interna muito marcada e, mesmo assim, conseguiu criar um padr&#227;o que foi aceite pela sociedade e aplicado no ensino.</p><p>Os cabo-verdianos ter&#227;o agora de encontrar uma estrat&#233;gia para a sua pr&#243;pria l&#237;ngua. O certo &#233; que, para quem gosta de saber mais sobre a linguagem humana, o cabo-verdiano &#233; uma l&#237;ngua muito interessante: &#233; o crioulo vivo mais antigo que se conhece.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XZGo!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e62d40b-e692-4a07-ad62-fea3aa70176c_716x537.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XZGo!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e62d40b-e692-4a07-ad62-fea3aa70176c_716x537.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XZGo!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e62d40b-e692-4a07-ad62-fea3aa70176c_716x537.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XZGo!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e62d40b-e692-4a07-ad62-fea3aa70176c_716x537.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XZGo!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e62d40b-e692-4a07-ad62-fea3aa70176c_716x537.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XZGo!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e62d40b-e692-4a07-ad62-fea3aa70176c_716x537.jpeg" width="716" height="537" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4e62d40b-e692-4a07-ad62-fea3aa70176c_716x537.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:537,&quot;width&quot;:716,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XZGo!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e62d40b-e692-4a07-ad62-fea3aa70176c_716x537.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XZGo!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e62d40b-e692-4a07-ad62-fea3aa70176c_716x537.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XZGo!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e62d40b-e692-4a07-ad62-fea3aa70176c_716x537.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XZGo!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e62d40b-e692-4a07-ad62-fea3aa70176c_716x537.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">O Mindelo visto do Monte Verde.</figcaption></figure></div><h3><strong>4. De volta ao aconchego: o valor da l&#237;ngua materna</strong></h3><p>Voemos at&#233; Portugal. A situa&#231;&#227;o su&#237;&#231;a, a situa&#231;&#227;o luxemburguesa, a situa&#231;&#227;o cabo-verdiana parecem-nos estranhas &#8212;&nbsp;mas a verdade &#233; que muitas l&#237;nguas passaram por situa&#231;&#245;es paralelas. At&#233; o portugu&#234;s!</p><p>A nossa l&#237;ngua, antes de se chamar portugu&#234;s e ter um padr&#227;o, j&#225; existia enquanto l&#237;ngua falada. O latim era a l&#237;ngua formal (numa &#233;poca em que poucos escreviam) e a <em>linguagem</em> era a l&#237;ngua da rua e de casa. Com o tempo, essa linguagem ganhou o nome de portugu&#234;s e tornou-se oficial e l&#237;ngua da escrita. Note-se que o portugu&#234;s continuou a ser uma l&#237;ngua exclusivamente oral para a maioria dos falantes at&#233; ao s&#233;culo XX; ali&#225;s, em Cabo Verde, hoje, h&#225; uma percentagem da popula&#231;&#227;o a escrever portugu&#234;s muito superior &#224; percentagem de portugueses que escreviam em portugu&#234;s no in&#237;cio do s&#233;culo XX.</p><p>Hoje, a maioria da popula&#231;&#227;o de um grande n&#250;mero de pa&#237;ses sabe ler e escrever. &#201; normal que o queira fazer no seu pr&#243;prio idioma. Todos gostamos de ver a nossa l&#237;ngua materna com honras liter&#225;rias e oficiais.</p><p>Muitas sociedades t&#234;m de conjugar a natural vontade dos povos de dar honras de Estado &#224; sua l&#237;ngua com a necessidade de permitir a comunica&#231;&#227;o com outros povos. Em geral, tal implica oficializar a l&#237;ngua materna, sem deitar fora a outra l&#237;ngua (ou as outras l&#237;nguas).</p><p>Foi o que fez a Irlanda, que tornou o irland&#234;s oficial, mantendo o ingl&#234;s como l&#237;ngua segunda (com a particularidade de, hoje, o ingl&#234;s ser a l&#237;ngua materna da maioria da popula&#231;&#227;o).</p><p>Foi o que fez o Luxemburgo, mantendo o franc&#234;s e o alem&#227;o no sistema de ensino, a par do Luxemburgu&#234;s (no final, todos falam as tr&#234;s l&#237;nguas).</p><p>Foi o que fizeram as v&#225;rias regi&#245;es de Espanha que t&#234;m outra l&#237;ngua para l&#225; do castelhano.</p><p>Foi o que fez Malta, que oficializou o malt&#234;s, l&#237;ngua sem&#237;tica com muito l&#233;xico italiano, n&#227;o abandonando o ingl&#234;s.</p><p>J&#225; os su&#237;&#231;os n&#227;o sentiram necessidade de oficializar o su&#237;&#231;o-alem&#227;o, mas protegem-no com unhas e dentes. &#201; falado por todos os su&#237;&#231;os da &#225;rea alem&#227; e ningu&#233;m tem vergonha da sua l&#237;ngua, mesmo que n&#227;o a ensinem nem aprendam na escola.</p><p>Em todos os casos acima, em que uma popula&#231;&#227;o decide oficializar a l&#237;ngua materna, a outra l&#237;ngua manteve-se forte e importante &#8212; e ser&#225; provavelmente o que ir&#225; acontecer em Cabo Verde, mesmo depois de o cabo-verdiano se tornar oficial. As l&#237;nguas maternas t&#234;m valor para os seus falantes por serem a l&#237;ngua materna, em que conversam e vivem diariamente; as outras l&#237;nguas t&#234;m valor por permitirem comunicar com outros povos.</p><p>Os cabo-verdianos mantiveram o portugu&#234;s como l&#237;ngua oficial e n&#227;o parecem dispostos a abandon&#225;-lo &#8212;&nbsp;querem, isso sim, usar a sua pr&#243;pria l&#237;ngua n&#227;o s&#243; na oralidade, mas tamb&#233;m na escrita. Julgo que n&#243;s, que tantas loas cantamos &#224; nossa pr&#243;pria l&#237;ngua materna, conseguimos compreend&#234;-los perfeitamente.</p><p>Os seres humanos sempre viveram em v&#225;rias l&#237;nguas. Os monolingues s&#227;o a minoria. Se virmos bem, os falantes de l&#237;nguas maternas com um baixo n&#250;mero de falantes costumam saber mais l&#237;nguas do que os falantes de l&#237;nguas maternas muito faladas (a come&#231;ar pelo ingl&#234;s). No futuro, os cabo-verdianos saber&#227;o falar mais l&#237;nguas que um ingl&#234;s t&#237;pico.</p><p>Ali&#225;s, no futuro, n&#227;o: hoje j&#225; acontece isso mesmo. Os cabo-verdianos falam cabo-verdiano, falam e escrevem portugu&#234;s e ainda aprendem ingl&#234;s na escola &#8212; &#233; esta a intrigante paisagem que encontramos quando aterramos na linda (e quente) cidade do Mindelo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[História de Duas Galáxias]]></title><description><![CDATA[As manchas que vemos no c&#233;u escondem surpresas atr&#225;s de surpresas.]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/historia-de-duas-galaxias</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/historia-de-duas-galaxias</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Wed, 18 Feb 2026 22:14:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://images.unsplash.com/photo-1570284613060-766c33850e00?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxN3x8Z2FsYXh5fGVufDB8fHx8MTc3MTM2NTY4Mnww&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=1080" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://images.unsplash.com/photo-1570284613060-766c33850e00?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxN3x8Z2FsYXh5fGVufDB8fHx8MTc3MTM2NTY4Mnww&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=1080" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://images.unsplash.com/photo-1570284613060-766c33850e00?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxN3x8Z2FsYXh5fGVufDB8fHx8MTc3MTM2NTY4Mnww&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=1080 424w, https://images.unsplash.com/photo-1570284613060-766c33850e00?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxN3x8Z2FsYXh5fGVufDB8fHx8MTc3MTM2NTY4Mnww&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=1080 848w, 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fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Photo by <a href="https://unsplash.com/@alexlanting">Alex</a> on <a href="https://unsplash.com">Unsplash</a></figcaption></figure></div><h2><strong>Um rio de leite</strong></h2><p>&#201; dif&#237;cil v&#234;-la na cidade, afogados como estamos em luzes. Mas, na escurid&#227;o dos caminhos e descampados, ainda encontramos o <em>Rio de Prata</em>, como lhe chamam os chineses, ou a <em>Saia das Estrelas</em>, na boca dos astecas, ou o <em>Caminho dos P&#225;ssaros</em>, &#224; finlandesa &#8212; ou, c&#225; bem mais perto, o <em>Caminho de Santiago</em>, como diziam os peregrinos para quem essa mancha servia de orienta&#231;&#227;o nocturna. J&#225; os gregos e os romanos olhavam para o c&#233;u e viam leite derramado no c&#233;u &#8212; ali estava a <em>Gal&#225;xia</em> ou a <em>Via L&#225;ctea</em>. Mal sabiam eles que os segredos do in&#237;cio de tudo se escondiam nessa mancha. J&#225; l&#225; vamos.</p><p>A olho nu, n&#227;o conseguimos perceber de que &#233; feita aquela mancha de luz. Mas, com lentes cada vez mais poderosas, l&#225; acab&#225;mos por compreender que a Via L&#225;ctea &#233; a luz de tantas estrelas t&#227;o distantes que n&#227;o as distinguimos.</p><p>Com o tempo, houve quem estudasse a forma dessa nuvem de estrelas e &#8212; numa reviravolta surpreendente &#8212; acab&#225;mos por concluir que <em>n&#243;s fazemos parte da Via L&#225;ctea!</em> Nem a Terra nem o Sol s&#227;o o centro do Universo: todo o Sistema Solar anda &#224; volta da Gal&#225;xia. Quando olhamos para a Via L&#225;ctea, olhamos para o centro da gal&#225;xia.</p><p>Julg&#225;mos ter encontrado a forma do Universo: um cora&#231;&#227;o denso de estrelas, com bra&#231;os de estrelas &#224; volta (num deles estamos n&#243;s), tudo a rodar. Mas as surpresas n&#227;o tinham acabado...</p><h2><strong>Uma n&#243;doa na Constela&#231;&#227;o de Andr&#243;meda</strong></h2><p>Os telesc&#243;pios permitiam ver, no meio da nossa gal&#225;xia, uns quantos objectos distantes que n&#227;o eram estrelas nem se percebia bem o que fossem. Foi um franc&#234;s, chamado Charles Messier, que catalogou esses intrigantes objectos. Chamou-lhes <em>nebulosas</em>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wj2t!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7589b01b-2d09-4d8a-ace8-1f213ad47846_849x1065.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wj2t!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7589b01b-2d09-4d8a-ace8-1f213ad47846_849x1065.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wj2t!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7589b01b-2d09-4d8a-ace8-1f213ad47846_849x1065.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wj2t!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7589b01b-2d09-4d8a-ace8-1f213ad47846_849x1065.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wj2t!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7589b01b-2d09-4d8a-ace8-1f213ad47846_849x1065.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wj2t!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7589b01b-2d09-4d8a-ace8-1f213ad47846_849x1065.jpeg" width="214" height="268.4452296819788" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7589b01b-2d09-4d8a-ace8-1f213ad47846_849x1065.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1065,&quot;width&quot;:849,&quot;resizeWidth&quot;:214,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;undefined&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="undefined" title="undefined" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wj2t!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7589b01b-2d09-4d8a-ace8-1f213ad47846_849x1065.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wj2t!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7589b01b-2d09-4d8a-ace8-1f213ad47846_849x1065.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wj2t!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7589b01b-2d09-4d8a-ace8-1f213ad47846_849x1065.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wj2t!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7589b01b-2d09-4d8a-ace8-1f213ad47846_849x1065.jpeg 1456w" sizes="100vw"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Fotografia de 1888 (Isaac Roberts) da &#8220;nebulosa de Andr&#243;meda&#8221;, ou seja, a Gal&#225;xia de Andr&#243;meda.</figcaption></figure></div><p>Uma dessas nebulosas era, ali&#225;s, conhecida de astr&#243;nomos antigos, porque conseguimos v&#234;-la a olho nu &#8212; est&#225; na Constela&#231;&#227;o de Andr&#243;meda e foi catalogada com o n&#250;mero M31. Mal sabia Messier que aquela mancha &#8212; a Nebulosa de Andr&#243;meda &#8212; viria a dar origem a uma das grandes surpresas da hist&#243;ria da astronomia.</p><p>Havia quem j&#225; suspeitasse. Immanuel Kant lan&#231;ou a ideia de que aquelas manchas no c&#233;u poderiam ser <em>outras gal&#225;xias</em>... A ideia era t&#227;o estranha, &#224; &#233;poca, como dizer-se hoje que existem outros universos &#8212; h&#225; quem proponha isso mesmo, mas, agora como ent&#227;o, estamos perante pura especula&#231;&#227;o.</p><h2><strong>A descoberta das gal&#225;xias</strong></h2><p>Nos anos 20 do s&#233;culo XX (ainda nem passaram 100 anos...), Edwin Hubble conseguiu por fim medir a dist&#226;ncia que nos separa da tal Nebulosa de Andr&#243;meda. Estaria a uns 900 000 anos-luz de dist&#226;ncia. Em suma: &#233; mesmo muito longe &#8212; extraordinariamente mais longe que o pr&#243;prio centro da Gal&#225;xia. Na verdade, Hubble at&#233; se enganou: Andr&#243;meda est&#225; a mais de 2 500 000 anos-luz. Quando olhamos para aquela mancha, n&#227;o estamos a ver uma nebulosa dentro da nossa gal&#225;xia: estamos a olhar para outra gal&#225;xia.</p><p>A partir da&#237;, com os telesc&#243;pios a melhorar a cada dia que passava (o mais famoso ficou mesmo com o nome de Hubble), percebemos que as gal&#225;xias s&#227;o milh&#245;es e milh&#245;es e mais milh&#245;es... Andr&#243;meda e a Via L&#225;ctea (que deixou de ser sin&#243;nimo de gal&#225;xia e passou a ser o nome pr&#243;prio da <em>nossa</em> gal&#225;xia) s&#227;o apenas duas entre muitas.</p><p>O Universo parece ser feito de fiapos de gal&#225;xias e estas s&#227;o feitas de estrelas, de planetas e de outros materiais &#8212; incluindo a famosa mat&#233;ria negra, que constitui a maior parte do Universo, mas ningu&#233;m sabe o que seja. Esse segredo fica para uma cr&#243;nica futura &#8212; para j&#225;, temos ainda duas reviravoltas a revelar na hist&#243;ria da Via L&#225;ctea e companhia.</p><h2><strong>Viagem ao passado</strong></h2><p>Ao olhar para as gal&#225;xias usando telesc&#243;pios cada vez mais potentes, os astr&#243;nomos perceberam que todas tinham uma luminosidade a descair para o vermelho. Porqu&#234;? Porque est&#227;o a afastar-se de n&#243;s em todas as direc&#231;&#245;es &#8212; tal como uma ambul&#226;ncia fica com o som mais grave ao afastar-se, um objecto gigantesco fica com uma luz avermelhada, que s&#243; se detecta com equipamentos avan&#231;ados.</p><p>Se as gal&#225;xias se afastam, quer dizer que j&#225; estiveram mais pr&#243;ximas. Fazendo contas &#8212; e que contas! &#8212; os astr&#243;nomos perceberam que, h&#225; 13 800 milh&#245;es de anos, as gal&#225;xias estavam todas no mesmo s&#237;tio. Foi nesse momento que tudo come&#231;ou (e ainda n&#227;o acabou). Surgiu a teoria do Big Bang, que explicava a hist&#243;ria do Universo (com excep&#231;&#227;o do exacto momento inicial, que continua a escapar a todas as contas). Nos anos 60, descobriu-se a radia&#231;&#227;o de fundo deixada pela expans&#227;o dos primeiros anos, uma radia&#231;&#227;o que as contas de quem desenvolveu a teoria do Big Bang j&#225; previam. O Big Bang tornou-se a explica&#231;&#227;o cient&#237;fica mais rigorosa para explicar a hist&#243;ria do Universo &#8212; n&#227;o explica tudo, mas bate certo com os dados que temos.</p><p>H&#225;, claro, ainda muito por saber. Por exemplo: de que &#233; feita a tal mat&#233;ria negra que as contas prev&#234;em, mas n&#227;o se v&#234;? Sem ela, muitas das gal&#225;xias que vemos n&#227;o podiam existir, pois a gravidade das estrelas n&#227;o chega para mant&#234;-las unidas. Os astr&#243;nomos ainda t&#234;m trabalho para muitos e bons anos.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><h2><strong>Um estranho tom de azul</strong></h2><p>Agora, a &#250;ltima reviravolta. A Gal&#225;xia de Andr&#243;meda, a gal&#225;xia que foi a chave para descobrir todas as outras e perceber que a nossa gal&#225;xia n&#227;o est&#225; sozinha, <em>n&#227;o</em> apresenta o tal desvio para o vermelho. N&#227;o est&#225; a afastar-se. A sua luz tem, ali&#225;s, um ligeiro desvio para o azul. Est&#225; a aproximar-se, tal como acontece com um punhado de gal&#225;xias pr&#243;ximas.</p><p>Ou seja: daqui a uns bons milh&#245;es de anos (muitos milh&#245;es!), a Via L&#225;ctea e Andr&#243;meda &#8212; que tem aproximadamente 12 000 000 000 000 de estrelas &#8212; v&#227;o chocar, transformando-se numa s&#243; gal&#225;xia. Nenhum de n&#243;s estar&#225; c&#225; para ver, mas, quando acontecer, ser&#225; como se derramassem ainda mais leite pelos nossos c&#233;us. Pelo menos, n&#227;o ser&#225; surpresa. Aquela mancha na constela&#231;&#227;o de Andr&#243;meda ficar&#225; cada vez maior.</p><p>Fica a sugest&#227;o: se est&#225; numa cidade, num destes dias, pegue em si e percorra uns bons quil&#243;metros at&#233; &#224; escurid&#227;o do campo. Olhe para a Via L&#225;ctea e, com ajuda de alguma das aplica&#231;&#245;es que enxameiam os telem&#243;veis, procure tamb&#233;m a Gal&#225;xia de Andr&#243;meda.</p><p>A luz que ir&#225; entrar nos seus olhos saiu de Andr&#243;meda h&#225; 2,5 milh&#245;es de anos, quando os humanos que ent&#227;o existiam olhavam para a noite estrelada e co&#231;avam a cabe&#231;a. Teriam j&#225;, digo eu, os relampejos de curiosidade que nos levaram a inventar telesc&#243;pios e a fazer contas e mais contas para perceber, afinal, que manchas no c&#233;u eram aquelas. Essa curiosidade j&#225; nos deu umas quantas surpresas &#8212; nem imagino as que est&#227;o por vir...</p><p><strong>Artigo de 2021. Escrevi sobre este tema no livro</strong> <em><strong><a href="https://www.wook.pt/livro/historia-do-portugues-desde-o-big-bang-marco-neves/24713307">Hist&#243;ria do Portugu&#234;s desde o Big Bang</a>.</strong></em></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Qual é a língua mais antiga do mundo?]]></title><description><![CDATA[1.]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/qual-e-a-lingua-mais-antiga-do-mundo-f15</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/qual-e-a-lingua-mais-antiga-do-mundo-f15</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Mon, 02 Feb 2026 19:51:53 GMT</pubDate><enclosure url="https://images.unsplash.com/photo-1494435658045-a657e4a01bcc?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGFuZ3VhZ2V8ZW58MHx8fHwxNzE2NzQ4ODc1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://images.unsplash.com/photo-1494435658045-a657e4a01bcc?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGFuZ3VhZ2V8ZW58MHx8fHwxNzE2NzQ4ODc1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://images.unsplash.com/photo-1494435658045-a657e4a01bcc?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGFuZ3VhZ2V8ZW58MHx8fHwxNzE2NzQ4ODc1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 424w, https://images.unsplash.com/photo-1494435658045-a657e4a01bcc?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwxMXx8bGFuZ3VhZ2V8ZW58MHx8fHwxNzE2NzQ4ODc1fDA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=1080 848w, 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fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Foto de <a>Soner Eker</a> em <a href="https://unsplash.com">Unsplash</a></figcaption></figure></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><h2>1. Discuss&#245;es acaloradas</h2><p>As l&#237;nguas s&#227;o uma manifesta&#231;&#227;o f&#237;sica da identidade de cada um &#8211; &#233; por isso que os idiomas s&#227;o campo pr&#243;digo a palavras inflamadas, cora&#231;&#245;es aos saltos, faces ruborizadas de indigna&#231;&#227;o e dedos a bater freneticamente na pressa de responder.</p><p>Ainda h&#225; uns meses assisti &#8211; e meti a colher &#8211; numa discuss&#227;o bem quente entre galegos e um louco dum tuiteiro c&#225; do burgo que insistia nisto: o galego foi inventado no s&#233;culo XIX! Um ou outro galego contrapunha, em modo agarrem-que-me-vou-a-ele, que o galego &#233; mais antigo do que o portugu&#234;s. N&#227;o &#233; caso &#250;nico: Gaston Dorren relatou no seu blogue <em><a href="https://languagewriter.com/2017/10/21/irish-between-very-old-language-and-1943-political-construct">Language Writer</a></em> como se meteu numa discuss&#227;o de <em>Twitter</em> entre dois irlandeses: um unionista e um republicano&#8230; Dizia o unionista que a l&#237;ngua irlandesa era uma inven&#231;&#227;o do s&#233;culo XX. (&#201; desse artigo de Dorren que me veio a ideia da express&#227;o: &#171;as l&#237;nguas n&#227;o t&#234;m idade&#187;.)</p><p>A coisa aqueceu e o irland&#234;s do Sul disparou: cala-te l&#225;, p&#225;!, que o irland&#234;s &#233; mais antigo do que o ingl&#234;s!</p><p>Quem tem raz&#227;o? O irland&#234;s &#233; mais antigo do que o ingl&#234;s? &#201; o galego uma inven&#231;&#227;o recente?</p><p>De certa maneira, ningu&#233;m tem raz&#227;o &#8211; mas quem diz que o galego foi inventado no s&#233;culo XIX est&#225; mais errado do que os outros.</p><p>O leitor ter&#225; imaginado que a resposta n&#227;o seria f&#225;cil &#8211; mas talvez seja uma surpresa perceber a raz&#227;o da dificuldade&#8230; Vamos, ent&#227;o, viajar &#224; origem das l&#237;nguas.</p><h2>2. Uma l&#237;ngua desfaz-se?</h2><p>Andamos por a&#237; com uma certa ideia do que &#233; uma l&#237;ngua que nos leva a compar&#225;-la a uma pessoa: nasce, desenvolve-se, &#224;s vezes morre. Esta met&#225;fora serve-nos em muitos casos. Mas, noutros, d&#225; origem a ideias um pouco desastradas.</p><p>No que toca &#224; origem das l&#237;nguas latinas, a ideia geral ser&#225; esta: havia uma l&#237;ngua estabilizada &#8211; o latim &#8211;, que se desfez e deu origem a embri&#245;es de outras l&#237;nguas. Esses embri&#245;es acabaram por dar origem a l&#237;nguas nacionais, muito mais tarde: o portugu&#234;s, o espanhol, o franc&#234;s, etc. &#8211; estas l&#237;nguas desenvolveram-se at&#233; aos p&#237;ncaros das idades de ouro das suas literaturas.</p><p>Bem, esta imagem n&#227;o &#233; completamente falsa &#8211; mas engana-nos. Para percebermos isto a fundo, temos de fazer um exerc&#237;cio: temos de esquecer a escrita. Pensemos, para j&#225;, apenas na l&#237;ngua falada na rua.</p><p>Imagine a &#233;poca de Afonso Henriques &#8211; ou mesmo antes. Imagine aquilo que se falava nas ruas de Guimar&#227;es 100 ou 200 anos antes de Portugal ser um reino independente.</p><p>Na escrita, o latim imperava. Na fala, ser&#225; que a linguagem das gentes era pior do que a nossa, ou seja, menos capaz de expressar as emo&#231;&#245;es ou incapaz de permitir conversas, amores, combina&#231;&#245;es?</p><p>N&#227;o parece prov&#225;vel: afinal, ningu&#233;m encontrou at&#233; hoje uma l&#237;ngua que limite os seus falantes, que impe&#231;a de sentir esta ou aquela emo&#231;&#227;o. Repare na l&#237;ngua que sai da boca dos portugueses de agora: &#233; extraordin&#225;ria a variedade e a riqueza das palavras com que conversamos, mesmo com quem mal sabe escrever. Sim, eu sei que h&#225; quem tenha pouco jeito &#8211; mas, em geral, sabemos convencer, discutir, ironizar, brincar, namorar. &#192;s vezes, escrevemos um romance inteiro com a mera entoa&#231;&#227;o de voz numa simples frase&#8230; &#192;s vezes, insinuamos as maiores patifarias com uma pequena interjei&#231;&#227;o dita de certa maneira&#8230;</p><p>Piadas no p&#225;tio da escola&#8230; discuss&#245;es de namorados&#8230; hist&#243;rias antigas contadas aos netos&#8230; conversas profundas no terra&#231;o&#8230; reuni&#245;es estrat&#233;gicas numa empresa&#8230; As palavras saem da nossa boca a todo o minuto e servem-nos para tudo e nada.</p><p>Esta capacidade de conversar e de viver n&#227;o diminuiu quando o Imp&#233;rio Romano desapareceu. Nunca houve um momento em que a l&#237;ngua deixasse de ser uma l&#237;ngua inteira na boca de cada falante.</p><p>Da mesma forma, os romanos j&#225; receberam a sua l&#237;ngua do que vinha antes &#8211; e assim continuamos.</p><p>Ou seja, n&#227;o h&#225; um momento em que possamos dizer: esta l&#237;ngua nasceu hoje. Em geral, a linguagem &#233; transmitida sem cortes radicais entre gera&#231;&#245;es.</p><p>Como explicou Gaston Dorren na discuss&#227;o de que falei, o ingl&#234;s e o irland&#234;s &#8211; enquanto l&#237;nguas no c&#233;rebro de cada falante &#8211; n&#227;o t&#234;m idade. S&#227;o ambas t&#227;o antigas como a linguagem humana &#8211; e, acrescento eu, nascem de novo sempre que algu&#233;m as aprende.</p><p>Desta forma, tanto para o irland&#234;s e portugu&#234;s, como para o galego e portugu&#234;s, far&#225; pouco sentido perguntar qual &#233; a l&#237;ngua mais antiga. Um irland&#234;s, um ingl&#234;s, um galego e um portugu&#234;s t&#234;m todos na cabe&#231;a uma l&#237;ngua com a mesma idade.</p><h2>3. E o basco?</h2><p>Ora, dir&#225; o leitor mais desconfiado: isso &#233; tudo muito bonito, mas a verdade &#233; que falamos hoje uma l&#237;ngua muito diferente do latim &#8211; enquanto, por exemplo, os bascos falam a mesma l&#237;ngua h&#225; 7000 anos! Ou seja, o basco &#233; mais antigo do que o portugu&#234;s&#8230; H&#225; mesmo quem diga que &#233; a l&#237;ngua mais antiga do mundo.</p><p>Continuemos longe da escrita. Continuemos apenas a pensar no que se fala. Ora, o basco mudou tanto ou mais do que o latim nestes quase 2000 anos que nos separam dos romanos &#8211; e o pr&#243;prio latim nunca tinha parado de mudar durante o Imp&#233;rio, pois j&#225; C&#237;cero se queixava da l&#237;ngua das ruas&#8230;</p><p>O basco mudou &#8211; e dividiu-se, tal como o latim. O basco falado em fam&#237;lia tem diferen&#231;as t&#227;o marcadas como as diferen&#231;as entre as v&#225;rias l&#237;nguas latinas.</p><p>O basco oficial e ensinado nas escolas &#233; o basco <em>batua</em>, uma norma &#8211; um registo escrito e formal e uma linguagem liter&#225;ria &#8211; baseada nos dialectos centrais do basco, mas com algumas contribui&#231;&#245;es dos outros dialectos. Percebe-se que os bascos tenham criado uma l&#237;ngua unificada &#8211; seria mais dif&#237;cil proteger e promover o basco se este fosse uma colec&#231;&#227;o de l&#237;nguas incompreens&#237;veis entre si.</p><h2>4. N&#227;o ser&#225; antes o grego?</h2><p>H&#225; tamb&#233;m o caso do grego. Mant&#233;m o mesmo nome desde a Antiguidade &#8211; n&#227;o &#233; &#243;bvio que &#233; mais antigo do que o portugu&#234;s?</p><p>Na verdade, um grego de hoje em dia ter&#225; muitas dificuldades em ler um texto em grego antigo, tal como um portugu&#234;s em ler um texto latino &#8211; o processo de afastamento no tempo &#233; semelhante &#224;quele de que fal&#225;mos dois cap&#237;tulos atr&#225;s, na nossa viagem ao Brasil.</p><p>Houve, na verdade, desde o s&#233;culo XIX at&#233; aos anos 70 do s&#233;culo passado, uma tentativa de aproximar o grego moderno do grego antigo &#8211; tentou-se impor uma l&#237;ngua liter&#225;ria artificial com algumas formas cl&#225;ssicas. Essa l&#237;ngua artificial chama-se <em>katharevousa</em>, em contraste com o grego dem&#243;tico, ou seja, o grego da rua que &#233; hoje oficial.</p><p>As lutas foram terr&#237;veis &#8211; houve mortos! A l&#237;ngua grega tem o seu qu&#234; de sagrado para os gregos e o <em>katharevousa</em> ia beber &#224; tend&#234;ncia para mitificar a l&#237;ngua do passado como mais perfeita e genu&#237;na &#8211; &#233; uma tend&#234;ncia universal.</p><p>A norma do grego moderno acabou por se libertar desse peso e, hoje, a l&#237;ngua oficial est&#225; mais pr&#243;xima da l&#237;ngua da rua. Ainda h&#225; quem suspire pelo regresso da velha l&#237;ngua, mas a verdade &#233; que o grego n&#227;o ficou parado na Antiguidade e &#233; muito diferente do grego antigo. Tentar mant&#234;-lo congelado &#233; um esfor&#231;o ingl&#243;rio, que apenas prejudica os gregos.</p><p>Todas as l&#237;nguas s&#227;o assim &#8211; mudam constantemente. &#201; certo que, por vezes, h&#225; cortes um pouco mais marcados. Por exemplo, quando uma popula&#231;&#227;o assume como sua a l&#237;ngua de outra popula&#231;&#227;o &#8211; a l&#237;ngua costuma dar ent&#227;o um salto atrav&#233;s duma simplifica&#231;&#227;o acelerada. Mas, mesmo assim, uma popula&#231;&#227;o nunca cria a sua l&#237;ngua do nada &#8211; de certa maneira, uma l&#237;ngua nunca nasce: transforma-se. (Curiosamente, n&#227;o nasce, mas pode morrer&#8230;)</p><h2>5. L&#237;nguas sem idade</h2><p>Falei do basco e do grego para dizer isto: &#233; quase imposs&#237;vel determinar a idade de uma l&#237;ngua.</p><p>Se usamos o crit&#233;rio do nome da l&#237;ngua ou mesmo a perman&#234;ncia no mesmo territ&#243;rio, acabaremos por considerar que o grego moderno e o grego antigo s&#227;o a mesma l&#237;ngua. N&#227;o faz muito sentido: as diferen&#231;as lingu&#237;sticas s&#227;o compar&#225;veis &#224;s diferen&#231;as entre o latim e o portugu&#234;s.</p><p>Se acharmos que uma l&#237;ngua nasce no momento em que se separa de outra, deixando de haver compreens&#227;o m&#250;tua, ent&#227;o teremos de falar de v&#225;rias l&#237;nguas bascas &#8211; e todas bastante recentes. J&#225; o portugu&#234;s, nesse caso, ter&#225; surgido quando se separou, por exemplo, do galego &#8211; e quando foi isso? J&#225; aconteceu?</p><p>As l&#237;nguas s&#227;o como aquelas bact&#233;rias que se multiplicam atrav&#233;s da divis&#227;o: surgem novas bact&#233;rias, &#233; certo, mas nenhuma &#233; mais antiga do que a outra &#8211; nenhuma &#233; m&#227;e da outra. As l&#237;nguas s&#227;o um bicho esquisito.</p><p>Algu&#233;m dir&#225;: ora, a l&#237;ngua nasce quando nascem os primeiros documentos escritos. &#201; um crit&#233;rio apetitoso &#8211; &#233; concreto, &#233; f&#237;sico, podemos comprovar a data. Mas, se assim for, a maioria das l&#237;nguas humanas nunca chegou a nascer.</p><p>No fundo, o ponto em que come&#231;amos a contar a Hist&#243;ria de uma l&#237;ngua &#233; sempre uma escolha, tem sempre muito de arbitr&#225;rio.</p><h2>6. L&#237;ngua e escrita</h2><p>Tudo isto pode ser assim, mas o que importa a muitos &#233; a norma associada &#224; l&#237;ngua escrita &#8211; e formal, j&#225; agora &#8211;, ou seja, o registo particular baseado na fala de determinada zona ou grupo social, normalmente o grupo de prest&#237;gio que habita nas cidades mais importantes de cada sociedade.</p><p>Por outras palavras, quando perguntamos a idade duma l&#237;ngua, estamos a perguntar a idade da tradi&#231;&#227;o escrita e liter&#225;ria dessa l&#237;ngua. Nesse ponto, podemos ter algumas datas: a data em que o portugu&#234;s se tornou oficial; a data em que o galego come&#231;ou a ser usado na literatura; a data em que o irland&#234;s ganhou uma norma escrita&#8230;</p><p>&#201; esta associa&#231;&#227;o entre l&#237;ngua e norma escrita que justifica que algu&#233;m considere o irland&#234;s uma l&#237;ngua recente &#8211; os irlandeses j&#225; o falam h&#225; mil&#233;nios, mas a sua norma escrita actual &#233; mais recente. No entanto, esta maneira de encarar a hist&#243;ria &#233; muito enganadora: os irlandeses falam essa l&#237;ngua h&#225; muito tempo, apesar de agora j&#225; s&#243; sobreviver em zonas particulares.</p><p>Essa associa&#231;&#227;o estrita &#8211; e errada &#8211; entre l&#237;ngua e escrita tamb&#233;m explica que haja quem considere o galego uma &#171;inven&#231;&#227;o&#187; do s&#233;culo XIX: a literatura galega moderna renasce nesse s&#233;culo &#8211; mas mesmo assim, para dizer que o galego nasceu no s&#233;culo XIX, &#233; preciso ignorar que j&#225; tinha havido textos bem mais antigos escritos na l&#237;ngua dos galegos, por exemplo, as cantigas de amigo.</p><h2>7. Para l&#225; da escrita</h2><p>A mim, na verdade, interessa-me a hist&#243;ria do uso escrito das l&#237;nguas, mas h&#225; tanto que se esconde por tr&#225;s &#8211; tanto e t&#227;o interessante!</p><p>Gosto de pensar como o portugu&#234;s n&#227;o surgiu do nada quando surgem os primeiros documentos &#8211; mesmo que seja muito dif&#237;cil ter certezas sobre o que se passou antes.</p><p>Gosto de pensar que a palavra &#171;m&#227;e&#187; veio da &#171;<em>mater</em>&#187; latina, mas entre uma e outra existiram muitas formas pelos s&#233;culos fora, todas t&#227;o expressivas e <em>maternais</em> como a nossa.</p><p>Gosto de pensar que a &#171;<em>mater</em>&#187; latina veio de qualquer coisa de anterior, at&#233; chegar &#224; &#171;*<em>m&#233;h&#8322;t&#275;r</em>&#187; indo-europeia, uma forma reconstru&#237;da duma l&#237;ngua que ningu&#233;m escreveu.</p><p>Gosto de pensar que os tais indo-europeus nunca se chamaram assim e nunca escreveram a palavra &#171;*<em>m&#233;h&#8322;t&#275;r</em>&#187; &#8211; mas fosse qual fosse a forma da palavra &#171;m&#227;e&#187;, existiu na boca de pessoas reais que percebiam e sentiam a sua l&#237;ngua como n&#243;s sentimos a nossa.</p><p>E gosto de pensar que essa &#171;*<em>m&#233;h&#8322;t&#275;r</em>&#187; tamb&#233;m ter&#225; vindo doutra &#171;m&#227;e&#187; mais antiga, assim at&#233; chegarmos ao dia em que algu&#233;m, pela primeira vez, disse a palavra &#171;m&#227;e&#187;.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><h2>8. A l&#237;ngua e o barro</h2><p>A linguagem humana e a sua variabilidade ser&#227;o como o barro, sempre mold&#225;vel e sempre a caminho de ser outra coisa. De vez em quando, h&#225; quem pegue num peda&#231;o desse barro e coza uma l&#237;ngua-padr&#227;o &#8211; mas, na rua, as pessoas continuam a brincar com o mesmo material, mudando a forma da l&#237;ngua at&#233; a forma r&#237;gida da norma se partir e ter de ser substitu&#237;da por outra &#8211; felizmente, a norma n&#227;o tem de ser assim t&#227;o r&#237;gida; e &#233; bom que n&#227;o o seja, pois s&#243; assim garantimos que n&#227;o se parte, como aconteceu com o <em>katharevousa</em>.</p><p>Note-se: a norma n&#227;o pode inventar uma l&#237;ngua do nada &#8211; tem de usar os materiais que existem. A norma &#233; uma for&#231;a que actua sobre esses materiais, por vezes como pol&#237;tica consciente, com mais ou menos &#234;xito, outras vezes atrav&#233;s de mecanismos inconscientes de aproxima&#231;&#227;o &#224; fala do grupo de prest&#237;gio. Houve gregos que tentaram moldar o barro para se parecer ao grego antigo &#8211; falharam, embora algumas palavras dessa norma artificial tenham sobrevivido. Os bascos ensinam agora uma l&#237;ngua unificada, e esse processo tem corrido bem. Curiosamente, a l&#237;ngua dos galegos e dos portugueses viveu s&#233;culos debaixo de normas diferentes, mas o material comum ainda l&#225; est&#225;, a permitir que nos entendamos, quando vemos qu&#227;o parecido &#233; o barro dum lado e doutro da fronteira.</p><p>Voltemos &#224; nossa pergunta: qual &#233; a l&#237;ngua mais antiga do mundo? A &#250;nica resposta razo&#225;vel &#233; explicar que as l&#237;nguas n&#227;o t&#234;m idade. As l&#237;nguas mudam, passam por fases, v&#227;o-se sujeitando a diferentes normas, misturam-se e influenciam-se umas &#224;s outras. Neste percurso complexo, damos-lhes nomes e assumimo-los como bandeiras das nossas identidades. &#201; normal que queiramos saber quando nasceram as tais bandeiras, mas a resposta nunca poder&#225; ser simples. Todas as l&#237;nguas foram criadas ao longo dos s&#233;culos, a partir de materiais anteriores, num processo que come&#231;ou h&#225; muitos mil&#233;nios &#8211; e n&#227;o acabou!</p><p>A l&#237;ngua que o leitor tem na cabe&#231;a tem pergaminhos t&#227;o antigos como a l&#237;ngua de todos os outros seres humanos. Todos falamos o que resultou da sucess&#227;o ininterrupta de gente a falar desde o princ&#237;pio dos tempos &#8211; e assim continuaremos, de palavras na boca, a mold&#225;-las sem fim, por muitos e bons s&#233;culos.</p><div><hr></div><h5><strong>Este texto foi publicado anteriormente nesta p&#225;gina e em livro.</strong></h5>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Nuno e Natércia: nomes só portugueses?]]></title><description><![CDATA[Not&#237;cia: hoje, dia 27 de Janeiro, &#224;s 18h00, vou estar a conversar com autores de v&#225;rios pa&#237;ses que escrevem livros sobre l&#237;nguas.]]></description><link>https://www.certaspalavras.pt/p/nuno-e-natercia-nomes-so-portugueses</link><guid isPermaLink="false">https://www.certaspalavras.pt/p/nuno-e-natercia-nomes-so-portugueses</guid><dc:creator><![CDATA[Marco Neves]]></dc:creator><pubDate>Tue, 27 Jan 2026 10:16:18 GMT</pubDate><enclosure url="https://images.unsplash.com/photo-1619894547987-70e948c3174f?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwzN3x8bmFtZXN8ZW58MHx8fHwxNzY5NTA4NTMxfDA&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=1080" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>Not&#237;cia: hoje, dia 27 de Janeiro, &#224;s 18h00, vou estar a conversar com autores de v&#225;rios pa&#237;ses que escrevem livros sobre l&#237;nguas. Ser&#225; uma sess&#227;o em ingl&#234;s. <a href="https://us06web.zoom.us/meeting/register/3vtcugW9QaG7lj8nWW_f0A">A inscri&#231;&#227;o &#233; gratuita.</a></strong></p><p><strong>O texto abaixo baseia-se num epis&#243;dio da semana passada da rubrica na RTP1 </strong><em><strong><a href="https://www.rtp.pt/play/p15723/esta-lingua-que-nos-une">Esta L&#237;ngua que nos Une</a></strong></em><strong>. D&#225; todos os dias na RTP1, no programa </strong><em><strong>Portugal em Rede</strong></em><strong>, por volta das 18h30, e no intervalo do </strong><em><strong>Bom Dia, Portugal</strong></em><strong>, &#224;s 9h30, na RTP Not&#237;cias.</strong></p></blockquote><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://images.unsplash.com/photo-1619894547987-70e948c3174f?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwzN3x8bmFtZXN8ZW58MHx8fHwxNzY5NTA4NTMxfDA&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=1080" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://images.unsplash.com/photo-1619894547987-70e948c3174f?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wzMDAzMzh8MHwxfHNlYXJjaHwzN3x8bmFtZXN8ZW58MHx8fHwxNzY5NTA4NTMxfDA&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=1080 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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parecido antes&#8221;. </p><p>As l&#237;nguas est&#227;o sempre a ir buscar materiais &#224;s l&#237;nguas que as precedem ou a outras l&#237;nguas. N&#227;o costumamos simplesmente criar uma palavra, um nome aleat&#243;rio, com sons ao calhas. Vamos sempre olhar para o que est&#225; ao lado, o que est&#225; perto, o que est&#225; noutra l&#237;ngua, o que est&#225; na l&#237;ngua que deu origem &#224; nossa. &#201; assim que as l&#237;nguas funcionam: costumam reciclar materiais.</p><p>Ora bem, h&#225; dois nomes que parecem ser, de facto, muito portugueses. Haver&#225; mais alguns, mas estes dois come&#231;am ambos por N. E como estamos no N, na ordem alfab&#233;tica que estou a seguir [na rubrica da RTP] decidi falar destes dois.</p><p>O primeiro &#233; <strong>Nuno</strong>. Nuno &#233; um nome que muitas pessoas identificam como sendo particularmente portugu&#234;s, porque n&#227;o aparece nas l&#237;nguas &#224; volta: n&#227;o se v&#234; Nuno noutros lugares, noutros pa&#237;ses. No entanto, o mais prov&#225;vel &#233; mesmo ter uma origem anterior, provavelmente latina, porque o nome tamb&#233;m existe em castelhano. &#201; muito, muito, muito mais raro do que em portugu&#234;s, mas existe. E tamb&#233;m existe em catal&#227;o. Em castelhano &#233; <strong>Nu&#241;o</strong>, com aquele &#209; t&#237;pico; em catal&#227;o &#233; <strong>Nunyo</strong>, com NY, que &#233; o d&#237;grafo usado para representar este som.</p><p>O nome existe nestas tr&#234;s l&#237;nguas ib&#233;ricas, mas &#233; muito mais raro nas outras do que em portugu&#234;s. Em portugu&#234;s &#233; mesmo muito comum.</p><p>Ter&#225; vindo &#8212; os especialistas da etimologia n&#227;o t&#234;m certezas absolutas &#8212; provavelmente da palavra <strong>NONNUS</strong>, do latim. Queria dizer algo como &#8220;tutor&#8221;, &#8220;aquele que ensina&#8221;. E desta palavra ter&#225; surgido este nome muito ib&#233;rico. H&#225; tamb&#233;m quem acredite que vem de nonus com o sentido de &#8220;nono&#8221; (como acontece com Oct&#225;vio, &#8220;oitavo&#8221;), mas &#233; improv&#225;vel no caso de Nuno, por causa de um detalhe fon&#233;tico importante.</p><p>Quando temos uma palavra ou um nome que em portugu&#234;s tem um &#250;nico N e em castelhano tem um &#209;, isto costuma significar que na palavra original latina havia dois Ns. Os dois Ns deram &#209; no castelhano e um &#250;nico N no portugu&#234;s &#8212; isto numa fase muito antiga da separa&#231;&#227;o das l&#237;nguas ib&#233;ricas. Portanto, Nuno (portugu&#234;s) e Nu&#241;o (castelhano) ter&#227;o vindo de nonnus (com dois Ns), e n&#227;o de nonus (com um s&#243; N).</p><p>H&#225; ainda quem argumente que, tendo em conta a frequ&#234;ncia muito maior do nome nas zonas com presen&#231;a celta, a origem poderia ser celta &#8212; mas n&#227;o h&#225; grandes ind&#237;cios. Provavelmente vem mesmo do latim.</p><p>&#201; um nome muito, muito portugu&#234;s porque &#233; muito frequente em Portugal, em grande medida por causa de Nuno &#193;lvares Pereira. Foi t&#227;o importante na nossa hist&#243;ria que o nome se tornou muito comum em todo o pa&#237;s. </p><p>Agora: haver&#225; algum nome que de facto tenha aparecido em portugu&#234;s?</p><p>Posso dar um exemplo de um que se aproxima dessa ideia: <strong>Nat&#233;rcia</strong>.</p><p>Nat&#233;rcia surge num soneto de Cam&#245;es:</p><blockquote><p>Na metade do C&#233;u subido ardia<br>O claro, almo Pastor, quando deixavam<br>O verde pasto as cabras, e buscavam<br>A frescura suave da &#225;gua fria.<br><br>Com a folha das &#225;rvores, sombria,<br>Do raio ardente as aves se amparavam;<br>O m&#243;dulo cantar, de que cessavam,<br>S&#243; nas roucas cigarras se sentia.<br><br>Quando Liso Pastor, num campo verde,<br><strong>Nat&#233;rcia</strong>, crua Ninfa, s&#243; buscava<br>Com mil suspiros tristes que derrama.<br><br>Porque te v&#225;s de quem por ti se perde,<br>Para quem pouco te ama? (suspirava)<br>E o eco lhe responde: Pouco te ama.</p></blockquote><p>Neste soneto temos o nome Nat&#233;rcia. Nat&#233;rcia era um anagrama &#8212; ou seja, uma palavra com as letras todas misturadas &#8212; de Caterina (uma forma alternativa de Catarina). Era uma maneira de Cam&#245;es falar de Catarina sem escrever Catarina no poema.</p><p>Portanto, Nat&#233;rcia surgiu da imagina&#231;&#227;o de Cam&#245;es. Podemos dizer que foi um nome que surgiu em portugu&#234;s, sem nenhuma outra origem anterior directa, embora tenha uma liga&#231;&#227;o a Catarina. E repare-se: h&#225; sempre uma liga&#231;&#227;o a qualquer coisa que j&#225; vem de outro lado, de outra l&#237;ngua, de outra tradi&#231;&#227;o. &#201; assim que as l&#237;nguas funcionam.</p><p>Temos, ent&#227;o, Nuno e Nat&#233;rcia como dois nomes muito portugueses, por raz&#245;es diferentes: um porque &#233; muito mais frequente em portugu&#234;s do que noutras l&#237;nguas; outro porque nasceu da cabe&#231;a do nosso maior poeta.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.certaspalavras.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.certaspalavras.pt/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>